DEMISSÃO

Presidente da caixa entrega carta de demissão a Bolsonaro; saiba mais

Veja a carta que Pedro Guimarães fez ao pedir demissão

Lorena Lins
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Lorena Lins
Publicado em 29/06/2022 às 18:27 | Atualizado em 29/06/2022 às 21:07
ISAC NÓBREGA/PR
Pedro Guimarães pediu demissão após ser acusado de assédio sexual - FOTO: ISAC NÓBREGA/PR
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Na tarde desta quarta-feira (29), o presidente da Caixa Econômica Federal Pedro Guimarães entregou uma carta com pedido de demissão ao presidente Bolsonaro. Guimarães se reuniu com o presidente da República mais cedo no Planalto, antes da cerimônia do Plano Safra.

O economista demissionário disse que as denúncias por assédio sexual são uma “avalanche de notícias e informações equivocadas”.

Também comentou que as acusações feitas contra ele são “uma situação cruel, injusta, desigual e que será corrigida na hora certa com a força da verdade”.

“As acusações noticiadas não são verdadeiras! Repito: as acusações não são verdadeiras e não refletem a minha postura profissional e nem pessoal. Tenho a plena certeza de que essas acusações não se sustentarão ao passar por uma avaliação técnica e isenta" escreveu Guimarães, na carta.

A Carta feita por Guimarães:

À população brasileira e, em especial, aos colaboradores e clientes da CAIXA:

A partir de uma avalanche de notícias e informações equivocadas, minha esposa, meus dois filhos, meu casamento de 18 anos e eu fomos atingidos por diversas acusações feitas antes que se possa contrapor um mínimo de argumentos de defesa. É uma situação cruel, injusta, desigual e que será corrigida na hora certa com a força da verdade.

Foi indicada a existência de um inquérito sigiloso instaurado no Ministério Público Federal, objetivando apurar denúncias de casos de assédio sexual, no qual eu seria supostamente investigado. Diante do conteúdo das acusações pessoais, graves e que atingem diretamente a minha imagem, além da de minha família, venho a público me manifestar.

Ao longo dos últimos anos, desde a assunção da Presidência da CAIXA, tenho me dedicado ao desenvolvimento de um trabalho de gestão que prima pela garantia da igualdade de gêneros, tendo como um de seus principais pilares o reconhecimento da relevância da liderança feminina em todos os níveis da empresa, buscando o desenvolvimento de relações respeitosas no ambiente de trabalho e por meio de meritocracia.

Essas são apenas algumas das importantes conquistas realizadas nesse trabalho, sempre pautado pela visão do respeito, da igualdade, da regularidade e da meritocracia, buscando oferecer o melhor resultado para a sociedade brasileira em todas as nossas atividades.
Na atuação como Presidente da CAIXA, sempre me empenhei no combate a toda forma de assédio, repelindo toda e qualquer forma de violência, em quaisquer de suas possíveis configurações. A ascensão profissional sempre decorre, em minha forma de ver, da capacidade e do merecimento, e nunca como qualquer possibilidade de troca de favores ou de pagamento por qualquer vantagem que possa ser oferecida.

As acusações noticiadas não são verdadeiras! Repito: as acusações não são verdadeiras e não refletem a minha postura profissional e nem pessoal. Tenho a plena certeza de que estas acusações não se sustentarão ao passar por uma avaliação técnica e isenta.

Todavia, não posso prejudicar a instituição ou o governo sendo um alvo para o rancor político em um ano eleitoral. Se foi o propósito de colaborar que me fez aceitar o honroso desafio de presidir com integridade absoluta a CAIXA, é com o mesmo propósito de colaboração que tenho de me afastar neste momento para não esmorecer o acervo de realizações que não pertence a mim pessoalmente, pertence a toda a equipe que valorosamente pertence à CAIXA e também ao apoio de todos as horas que sempre recebi do Senhor Presidente da República, Jair Bolsonaro.

Junto-me à minha família para me defender das perversidades lançadas contra mim, com o coração tranquilo daqueles que não temem o que não fizeram.

Por fim, registro a minha confiança de que a verdade prevalecerá.
Pedro Guimarães

Nesta mesma quarta, a polêmica resultou em uma manifestação pública por parte das mulheres do Partido Verde (PV), que repudiam os assédios.

"Desejamos que este lamentável episódio leve mais pessoas à compreensão da necessidade de termos mulheres em espaços de poder, uma vez que a ocupação destes lugares leva a reflexão sobre novas formas de atuação e de implementação de ambientes de trabalho e políticos mais seguros e mais representativos”, declararam em nota.

O ex-ministro Sergio Moro também se manifestou sobre o caso nas redes sociais. "Não minimizo assédio sexual", disparou.

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