AMÉRICA DO SUL

Em meio à disputa, bandeira da Venezuela é hasteada em Essequibo após bandeira da Guiana ser tirada de mastro

No último domingo (3), os eleitores venezuelanos aprovaram a transformação do território de Essequibo em um estado da Venezuela

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Marcelo Aprígio

Publicado em 04/12/2023 às 11:20 | Atualizado em 04/12/2023 às 11:44
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Uma bandeira da Venezuela foi hasteada em Essequibo, região rica em petróleo sob controle da Guiana, nesse domingo (3), dia em que os venezuelanos aprovaram, em referendo, a anexação do território.

Em um vídeo, gravado horas antes da divulgação do resultado oficial da votação pelo órgão eleitoral da Venezuela e compartilhado por aliados de Nicolás Maduro, indígenas aparecem carregando a bandeira e afirmando que o território de Essequibo pertence à Venezuela.

O grupo, antes de hastear a bandeira venezuelana, retirou a bandeira da Guiana, que havia sido colocada no local menos de um mês antes pelo presidente guianense, Irfaan Ali, na Serra de Pacaraima. Veja vídeo abaixo:

CONFLITO ENTRE VENEZUELA E GUIANA: ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Em um referendo realizado no último domingo (3), os eleitores venezuelanos aprovaram a transformação do território de Essequibo em um estado da Venezuela.

Embora oficialmente esteja sob controle da Guiana desde 1899, esta área tem sido motivo de disputa entre as nações vizinhas.

De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) venezuelano, 10,5 milhões de eleitores participaram da votação, sendo que 95,93% deles concordaram em oficializar a inclusão de Essequibo no mapa do país, concedendo cidadania e documentos de identidade aos mais de 120 mil guianenses que residem na região. Apenas 4,07% se opuseram à proposta.

Essa questão foi a última das cinco apresentadas no referendo nacional. Segundo o CNE, nenhuma delas obteve menos de 95% de aprovação.

A primeira pergunta, que rejeitava, por meios legais, a fronteira atual entre os países, recebeu 97,83% de apoio. A segunda, que reconhecia o Acordo de Genebra de 1966 como o único instrumento para resolver a disputa, obteve 98,11% de aprovação.

A terceira pergunta, que se opunha a reconhecer a jurisdição da Corte Internacional de Justiça em Haia, conforme definido pela ONU para resolver a questão, teve a menor aprovação: 95,4%.

Já a quarta pergunta, que se posicionava contra o uso dos recursos marítimos pela Guiana enquanto a questão da fronteira não fosse definitivamente resolvida, recebeu um "sim" de 95,94%.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, descreveu o evento como uma "histórica jornada eleitoral de consulta", afirmando que o povo reafirmou que Essequibo pertence à Venezuela.

Por sua vez, a Guiana considera o referendo "provocativo, ilegal, inválido e sem efeito legal internacional”, reafirmando a validade do Laudo Arbitral de 1899, que estabeleceu a fronteira atual entre os dois países.

EXÉRCITO BRASILEIRO NA FRONTEIRA

O governo brasileiro está monitorando de perto a tensão entre Venezuela e Guiana, mobilizando o Exército e a Polícia Federal para atuar nas fronteiras com esses países vizinhos.

De acordo com a CNN, a área de inteligência da Polícia Federal está acompanhando a situação na fronteira brasileira e fornecerá relatórios ao governo, os quais podem fundamentar possíveis decisões do presidente Lula em relação à disputa entre os países.

Na semana passada, o Ministério da Defesa do Brasil já havia aumentado a presença militar na região da fronteira próxima ao local em disputa.

O senador Hiran Gonçalves (PP) solicitou o aumento das tropas em Pacaraima, em Roraima, cidade fronteiriça com Essequibo, a área disputada pelos dois países.

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