Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
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Coluna JC Negócios

As razões da Prefeitura para justificar o Recife ser a pior capital para o empresário brasileiro fazer negócio

Este pode ser um bom momento para os gestores conversarem com os empresários. Não apenas com as entidades, mas com os formadores de opinião nos seus diversos segmentos. Nenhum deles, a partir de sua experiência, se nega a ajudar

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 17/06/2021 às 10:50
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BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
O Recife pode ser um lugar melhor para se fazer negócio. - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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A Prefeitura do Recife e o Governo de Pernambuco publicaram notas colocando suas posições sobre o estudo do Banco Mundial ("Doing Business Subnacional Brasil 2021"), que colocou o Estado e a cidade do Recife na última posição numa lista com os estados e capitais para se manter um negócio.

É natural que as duas administrações tentem justificar seus motivos e mostrar a sua visão sobre o estudo.

Mas antes de apontar e procurar culpados sobre a consequência de uma avaliação tão ruim como a que o Banco Mundial acaba de divulgar, colocando Pernambuco na lanterna do índice, que mede as condições de se manter um negócio, é importante que Prefeitura e Governo do Estado procurem ter acesso às tabelas e escores obtidos pelo Recife.

É importante não esquecer. Dos cinco critérios, apenas dois (obtenção de alvará de construção e registro de propriedades) têm a Prefeitura como ator principal - enquanto um deles está apenas relacionado ao poder Judiciário (execução de contratos) e os outros são liderados pelo Estado (abertura de empresas e pagamento de impostos). Portanto, isso tem a ver com a PCR, o Governo do Estado e o TJPE.

E também é natural que a Oposição atribua a performance à gestão do Executivo no município e do Estado. E que esse ranking é o resultado de posturas burocráticas, cujo recado é dado todos os dias aos empresários nos três níveis de governo.

Mas sempre há como o Estado e o município serem mais receptivos e assertivos. Especialmente com os empresários locais. Há uma queixa generalizada do setor empresarial sobre a distância entre os atores do Executivo e os empresários locais e já instalados.

De fato, o governo e Prefeitura não dispensam a mesma atenção a quem é da terra, e já está aqui, e os que estão chegando de outros estados. Não precisa de intimidade, basta ter canais efetivos de comunicação.

Comunicação

Nos últimos meses, o Governo do Estado e o do município têm usado da estratégia de enviar notas assépticas e inodoras quando o assunto é relacionado com falhas e erros dos agentes públicos.

É um mau caminho. A mesma tecnologia que permite ao prefeito João Campos gravar vídeos e participar de "lives" quando o assunto é relacionado a uma ação positiva é que pode permitir a ele, se estiver disposto, interagir com jornalistas. Não é adequado que quando o problema seja crítico se mande uma nota.

O governador Paulo Câmara também se utiliza desse expediente, e mais ainda, o atual secretário de Desenvolvimento Econômico e ex-prefeito do Recife, Geraldo Júlio, que aparece nos encontros de apresentação de novas empresas. Entretanto, não está presente nas entrevistas sobre restrições de atividades, deixando a dura missão para auxiliares e o secretário da Saúde, André Longo.

Tecnologia existe para conectar as pessoas, e o Recife e o Estado podem usá-la para conversar com jornalistas e explicar pontos obscuros. Até porque somos referência através do Porto Digital.

A recusa a entrevistas ao vivo só reforça a ideia de inseguranças em abordar questões difíceis. O prefeito, o governador e os auxiliares poderiam experimentar conversar, de novo, com jornalistas por vídeo. E não precisarão se preocupar com as medidas de segurança e distanciamento.

Mas, voltando à questão dos pontos levantados pelo Banco Mundial: é importante reconhecer que parte dessa dificuldade existe, de fato, e que o modelo de Estado exige tanta segurança na documentação de comprovação que ele acaba sendo um complicador.

Mesmo com a digitalização e com grande parte dos serviços cerificados digitalmente, o nível de papel não diminuiu. Basta ver o que é necessário para um microempresário se regularizar.

E se é difícil abrir, mais difícil é fechar uma empresa. No geral, o Executivo e o Judiciário tratam com tanto cuidado quem pode ser desonesto que acabam punido os honestos. Mesmo que o nível seja de 9 empresários sérios para 1 desonesto.

Resolução de problemas

Mas, como se disse acima: em lugar de tentar se justificar, talvez Governo e Estado fariam melhor se investigassem a fundo sua performance e após encontrar gargalos, tentar resolvê-los.

Ah, é muito importante conversar com os empresários. Não apenas com as entidades. Mas com os formadores de opinião nos seus diversos segmentos. Nenhum deles, a partir de sua experiência, vai se negar a ajudar.

E para quem já nem lembra: quando o governador Jarbas Vasconcelos decidiu reformar o Prodepe, pediu, após várias conversas, a ajuda de empresários para ajudar a escrevê-lo. Teve sucesso.

Não ouviu apenas as entidades, foi pessoalmente conversar com vários deles e anotou sugestões. Hoje, Pernambuco ainda aproveita essa visão. Mas precisa ter a humildade de conversar com quem fez sucesso no mercado.

E eles estão com enorme disposição de ajudar, colocando o problema do outro lado do balcão. Mas é preciso que o gestor tenha a humildade de tentar aprender com quem tem a experiência do fazer.

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