Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

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Por Fernando Castilho
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Fundo Russo continua enrolando governadores aflitos com a demora da vacinação com a Sputnik V

Se o Ministério da Saúde não incluir as 38 milhões de doses no PNI, serão os estados quem vão ter que pagar essa conta. A dúvida é: os estados têm esse dinheiro? Aproximadamente R$ 2 bilhões?

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 22/07/2021 às 10:35
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ARIA EUGENIA CERUTTI/ PRESIDÊNCIA DA ARGENTINA/AFP
Os estados já estão autorizados a importar a Sputnik V, mas o Governo Federal não garante inclusão delas no PNI. - FOTO: ARIA EUGENIA CERUTTI/ PRESIDÊNCIA DA ARGENTINA/AFP
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Por mais que isso possa ser preocupante para os governadores, mas a cada dia fica mais claro que o Fundo Russo de Investimentos Direto não vai entregar a vacina Sputnik V. Esta semana eles pediram mais tempo para definir.

Segundo os governadores, todos os documentos já foram entregues e os contratos já estão prontos para serem efetivados. Esta semana surgiu a informação de que o Ministério da Saúde não deve incluir a Sputnik V. Pode ser. Mas sem essa inclusão, a conta vai ficar inteira para os estados.

Mas o problema é que entre o cronograma de aplicação das vacinas russas e o cronograma das demais vacinas, talvez a Sputnik V seja dispensável, embora numa pandemia nenhuma vacina possa ser dispensada.

De qualquer forma, já se sabe que da parte do Ministério da Saúde, a disposição de comprar a vacina russa é próxima de zero. Primeiro por ela está diretamente associada ao lobby que se fez no Congresso para sua aquisição junto com a vacina indiana. Depois, porque com o contrato da Bharat Biontec cancelado, a viabilidade da compra da Sputnik V ficou mais difícil.

O governo federal pode comprar a Sputnik V, ou incluir as vacinas no PNI? Pode! Mas fica a pergunta: se existe a disponibilidade de vacinas sem esses problemas, como a Pfizer, com um cronograma fazendo entregas todos os dias a partir de agosto, porque comprar essa vacina dos russos?

A Pfizer está fazendo a maior operação de entregas de vacinas contra a covid-19 ao Brasil, dentro dos contratos que tem com o Ministério da Saúde.

Desde a última terça-feira, 20, até 1? de agosto, o laboratório vai entregar em média de 1 milhão de doses por dia, totalizando um lote de 13.265.460 de doses do imunizante, desenvolvido em parceria com a BioNTech.

Segundo o Ministério, até agosto chegarão 32,5 milhões de Pfizer e mais 13 milhões da AstraZeneca, e mais 15 milhões, além da CoronaVac. Ou seja, 60,5 milhões o fluxo de entrega vai aumentar a partir de agora.   

Claro que os governadores querem uma vacina para chamar de sua. E mesmo com as perspectivas de entregas em agosto e setembro, eles vão prosseguir no desejo de trazer os 37 milhões de doses.

Na verdade, a Anvisa colocou um pacote de exigências tão grande para que os estados pudessem aplicá-las que nem todos estão dispostos a prosseguir.

Na prática, porque um estado precisa se submeter a tantas exigências para aplicar vacinas em apenas 1% da população? Para que Pernambuco, por exemplo, comece a fazer a vacinação com a Sputnik V, terá que enviar documentos e insumos ao Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) para a realização das análises; mandar à Anvisa de medida de mitigação do risco pelos fabricantes Generium e UfaVita, decorrente da ausência da validação da etapa de filtração esterilizante.

Após esta etapa, os estados terão que enviar à Anvisa do relatório final de validação do processo de fabricação do insumo farmacêutico ativo (IFA) ou declaração da autoridade russa de que verificou e aprovou tal documento e ainda um os registros dos treinamentos dos operadores, indicando que os procedimentos de trabalho foram efetivamente corrigidos e não representam risco de contaminação ao produto.

E depois de tudo isso, mesmo após a chegada ao Brasil, a vacina só poderá ser utilizada após avaliação e liberação pelo INCQS, o que permitirá comprovar a ausência de vírus replicante na vacina e assegurar seus aspectos de qualidade e segurança. Nenhuma vacina exige isso. Isso quer dizer que com muito boa vontade, a vacina será aplicada em setembro.

Esse tipo de exigências não agrada aos russos, que queriam exibir essa vacina no Brasil como um atentado de validade para possíveis clientes.

E sempre é bom lembrar: depois que o Fundo Russo de Investimentos Direto desistiu de obter autorização na Anvisa, ninguém dele mais falou sobre a vacina.

Sempre são os governadores, especialmente o do Piauí, Welington Dias, que reconhece que o esforço dos governadores nordestinos para trazer a vacina tem sido uma corrida de obstáculos.

Se o Ministério da Saúde não incluir as 38 milhões de doses no PNI, serão os estados quem vão ter que pagar essa conta. A dúvida é: os estados têm esse dinheiro? Aproximadamente R$ 2 bilhões?

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