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Humor cortante fez do economista erudito Delfim Neto, um dos ministros mais lembrados do Brasil

A seleção feminina de futebol, prata em Paris, das 22 convocadas, apenas oito não estão no programa atualmente, mas todas já receberam o Bolsa Atleta.

Por Fernando Castilho Publicado em 13/08/2024 às 0:05

Antonio Delfim Netto é frequentemente relacionado aos governos militares (exceto Ernesto Geisel que o despachou para um “exílio” de luxo na embaixada brasileira em Paris), mas o que nem sempre é destacado de sua trajetória é sua convivência com o presidente Lula - quando participou dos trabalhos  na Constituinte - e depois quando ele estava na presidência da República.

O que não se divulga muito é porque Lula sempre conversou no Delfim Netto nos seus dois governos. E  porque “o gordo” tinha a capacidade de resumir para Lula o que vinha no futuro em uma ou duas frases.

Delfim e Dilma

Também não se fala muito da aversão de Dilma Rousseff aos conselhos do ex-ministro quando em 2012 ela surfava na onde de polaridade. E as razões de o ex-ministro fezer chegar a ela que não precisava fazer o que estava fazendo porque os resultados seriam catastróficos. Delfim, como se sabe, elogiou muito o começo do governo e fez uma aposta ública na primeira presidente do Brasil.

Dilma, porém, deu de ombros e inventou a Nova Matriz Econômica, O que nunca se soube é porque Delfim Neto não fez logo uma crítica mais contundente, preferindo o silêncio. Talvez porque soube o que iria acontecer. Ele ficou preocupado quando para apresentar resultados o Governo misturou os balanços da estatal especialmente a Petrobras com os do Governo.

E ele avisou do risco a Lula. Prova disso é a avaliação que fez do ex-presidente: "O Lula é um diamante bruto. É um gênio As pessoas que subestimam o Lula são idiotas. Ele realmente tem uma grande capacidade, não só de se comunicar, que é visível, mas de organizar as coisas. Ele fez um bom governo", disse Delfim Netto em 2015, durante a crise que levou ao impeachment da sucessora do líder petista.

Dilma Rousseff

Os biógrafos de Antonio Delfim Neto costumam falar de sua trajetória com os militares e de como ele influenciou os governos (junto do Golbery do Couto e Silva).

Mas nem sempre lembram sua capacidade de prever o que viria com o tempo. Quando a Constituinte de 1998 foi promulgada ele disse que o Brasil estava contratando um estado com custo alto sem ter ancorado as receitas o que faria com poucos anos o executivo ficar estrangulado pelas despesas obrigatórias.

Ele elogiou a Constituinte de 1988 da qual fez parte. Mas advertiu que ela tinha ficado cara demais porque contratara despesas permanentes. 

Divulgação
Antonio Delfim Neto - Divulgação

Não é isso que queria

Mas fora a grande contribuição do ex-ministro de várias pastas, inclusive da Agricultura cujas questões  tinha nenhuma familiaridade acadêmica  devido a tese que escreveu (o que lhe rendeu um personagem do humorista Jô Soares) o legado de Delfim foi soa capacidade de apontar para as consequências de ações do Governo antes que elas acontecessem com base em fundamentos muito sólidos que fazia poucos acadêmicos bater de frente com eles.

Pouco estudado

Economista que sempre defendeu a Academia, Delfim Netto é pouco estudado ór ela. Existem apenas três dissertações de mestrado da professora Viviane de Fátima Magalhães analisando sua interface junto ao empresariado e atuação como ministro da ditadura de um intelectual orgânico da burguesia.

E outras duas que analisaram o seu pensamento no milagre econômico brasileiro (1968-73), de Felipe Marineli em 2017 e outra sobre sua atuação no reordenamento político-econômico da ditadura como um ideólogo orgânico da autocracia burguesa brasileira, do professor Rosa Valdeir Rosa Moreno.

O ex-ministro não gostava dessa classificação de milagreiro. "Nunca houve milagre. Milagre é efeito sem causa. É de uma tolice imaginar que o Brasil cresceu durante 32 anos seguidos, começando na verdade em 1950, a 7,5% ao ano, por milagre ". Numa entrevista ao jornalista Agnaldo Novo de O GLOBO em março de 2014.

Muitos escritos

Entretanto, existem terabytes de textos sobre ele na imprensa que mostram o embate dos economistas da esquerda depois da redemocratização. Até porque ele sempre escreveu muito e opinou muito sobre muitos assuntos da área de economia. E com uma leveza “não rara” cruel sem muito floreado. Delfim Neto era direto, dava o recado em menos de três mil caracteres.

Talvezpor isso, nesta segunda-feira (12) vários economistas destacam essa sua clareza. O economista Felipe Salto da Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados faz uma comparação justa quando diz que “Delfim Netto é comparável a Roberto Campos e Mário Henrique Simonsen, dos grandes economistas que nós tivemos, com capacidade não apenas analítica, mas retórica também.

Campos e Simonsen

A comparação é justa. Mas, certamente é na retórica que ele era diferenciado em relação aos dois. Uma dessas formulações é talvez uma das mais conhecidas “Nós não temos competência para acabar com o Brasil. O Brasil vai sobreviver a todas as bobagens que nós fizermos".

Outra coisa que a sua presença na mídia (como articulista de várias revistas e jornais) destaca seu vínculo com a universidade. Ele não se cansava de elogiar a USP e ressaltar a importância para a sua vida. E dava selo ouro quando participava das bancas de doutorado. Em dezembro de 2010, participou da banca que avaliou a tese de doutorado de Aloizio Mercadante na Unicamp, hoje presidente do BNDES.

Eu amo a USP

“É uma coisa fantástica. Eu gastei 6 mil reis com um selinho [que era colado no título de admissão] para, depois, viver a vida inteira na universidade” Delfim publicou a sua tese em 1959. Intitulada “O problema do café no Brasil” que se tornou obra de referência sobre o assunto.

Ele também ajudou a dar prestígio à sua profissão (foi associado do Corecon-SP por mais de 60 anos) e praticamente inventou a categoria de economista-chefe depois de sua atuação na Associação Comercial de São Paulo, como economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV).

Conta Selic alta

E para quem entende essa afinidade de Delfim Neto com Lula é bom lembrar que como o presidente ele sempre considerou nível exagerado dos juros brasileiros, que contribui para a “supervalorização do real” quando que atraía capitais interessados em aproveitar a diferença entre as taxas internas e externas. E sendo Delfim Netto cravou: “O Brasil é o último peru disponível fora do Dia de Ação de Graças.

E pelo jeito continua sendo há muitos anos...

 

 

Comentário

Alexandre Loureiro / COB
Beatriz Souza, ouro na categoria acima de 78 kg do judô. - Alexandre Loureiro / COB

Merreca Olímpica

Acredite. O Brasil gastou menos de R$25 milhões para ajudar, em vários anos, 398 de alto rendimento. É isso mesmo: R$24,4 milhões com a elite de nosso atletismo. Mas deu resultado. Dos 60 medalhistas em Paris — 48 são mulheres e 12 são homens — 100% são integrantes da Bolsa Atleta ou estiveram em editais ao longo de suas carreiras.

Até Gabriel Medina, medalhista ídolo do surfe profissional, que atualmente não faz parte do programa, esteve em dois editais. Como ele, Larissa Pimenta (judô) teve o suporte federal durante dez anos de sua trajetória, bem como Isaquias Queiroz (canoagem velocidade), que recebeu Bolsa Atleta durante 13 anos de sua carreira.

Marina Ziehe / COB
Ginastas brasileiras medalhistas de bronze por equipes. - Marina Ziehe / COB

Rentabilidade

O investimento federal direto faz vergonha como um país com o PIB (10ª economia do Mundo) como o nosso. Embora seja altamente rentável pelos resultados. Até na Seleção feminina de futebol, que foi prata em Paris, das 22 convocadas, oito não estão no programa atualmente, e todas as convocadas já receberam o Bolsa Atleta em algum momento da carreira.

Já na Seleção feminina de vôlei, bronze na França, somente duas das 12 convocadas não fazem parte do programa em 2024, mas todas também já receberam a Bolsa Atleta em suas trajetórias. O Brasil conseguiu 20 medalhas em Paris. Então, com esse investimento ninguém pode reclamar do saldo de pódio. Mas deve constranger muito, ministério do Esporte.

Expo Preta RioMar

Realizado pelo Instituto JCPM de Compromisso Social e o RioMar Recife, a Expo Preta RioMar chega à sua terceira edição entre a próxima sexta-feira(16) e domingo com 25 estandes de pessoas afroempreendedoras oriundas de 14 bairros do Recife. Esta é a primeira vez que o evento, antes voltado para a participação de quem atua no entorno do RioMar, passa a incluir empreendimentos de toda a capital pernambucana. Nessa mostra, portanto, serão 15 estreantes entre as pessoas expositoras.

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No RioMar Recife, a Expo Preta RioMarchega à sua terceira edição - Divulgação

Tem gente das áreas de produtos naturais e para alimentação; entretenimento infanto juvenil; moda autoral/artesanal; serviços e produtos de beleza; e produtos e serviços associados à sustentabilidade. Elas foram selecionadas a partir de um processo de inscrições online e participaram de Programa de Formação no JCPM focado em técnicas de vendas e atendimento, gestão de finanças, planejamento e controle do tempo, ativação de marcas e eventos sustentáveis.

Studio JV aqui

Liderada pela arquiteta Liliane Dantas, O Studio JV, escritório internacional de arquitetura atualmente com sedes em Portugal e nos Países Baixos, está abrindo unidade no Brasil. Fica no Riomar Trade Center e inaugura nesta segunda-feira (19). Em Portugal, o escritório está envolvido em projetos de habitação de escalas diversificadas, desde o Algarve até ao Porto. Em Pernambuco, foi responsável pelos edifícios Essenza, Unique e Bossa, para a Rio Ave, o projeto Costa de Guadalupe, para o JCPM, e o masterplan Carpina, para o Grupo Petribu, entre outros.

Negócio seguro

As vendas de novos imóveis registraram uma alta de 45,3% no acumulado de 12 meses, encerrados em maio de 2024 segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). Ao todo, foram comercializadas 183.228. O estudo foi elaborado com dados de 20 empresas do setor de Médio e Alto Padrão (MAP).

O valor total lançado teve um acréscimo significativo de 14,4%, reforçando a retomada dos lançamentos para o segmento. Atualmente, a duração dos estoques está em 13 meses, comparada aos 24 meses registrados no início de 2023, indicando que os estoques voltaram a níveis saudáveis, permitindo o retorno de novos projetos.

Internacional

Na próxima terça-feira (20), no Bugan Hotel, em Boa Viagem, a capital pernambucana recebe o Workshop Be International, com o apoio da Câmara de Comércio da Central Florida. Ele é destinado a profissionais que buscam internacionalizar suas carreiras ou negócios nos Estados Unidos. O workshop, que já passou por Brasília e Goiânia em maio, e Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. No dia 22, o evento acontece na quarta-feira (22).

 

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