IMPACTO

Lockdown no Grande Recife fracassa também no transporte público

Redução de demanda de passageiros foi de apenas 10% nos dez primeiros dias do isolamento rígido. Expectativa era de que fosse maior

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 29/05/2020 às 19:50
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 JAILTON JR./JC IMAGEM
Demanda de passageiros dos ônibus já vinha tendo uma queda superior a 70% desde o início da pandemia. Com o lockdown, caiu mais 10% - FOTO: JAILTON JR./JC IMAGEM
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O lockdown instituído pelo governo de Pernambuco desde o dia 16 de maio no Recife e em quatro cidades da Região Metropolitana (Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e São Lourenço da Mata) não foi um sucesso também no transporte público. Segundo dados oficiais do Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM), a redução média de passageiros nos ônibus foi de apenas 10% nos dez primeiros dias da chamada Operação Quarentena, como o Estado batizou o isolamento social mais rígido. Essa redução soma-se à queda de 75% da demanda de usuários verificada desde o início da pandemia do coronavírus.

É importante destacar que os técnicos do Consórcio continuam acompanhando a operação após o fim da quarentana rígida e fazendo os ajustes necessários para evitar aglomerações nos TIs
Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano

Para o governo, a redução é positiva e equivale ao crescimento médio do lockdown como um todo, observado nas cidades atingidas pela medida - as cinco tiveram um acréscimo médio de 10% desde que a quarentena passou a ser mais rígida, segundo o Estado. Mas o número apresentado é bem inferior aos 25% de queda na demanda de passageiros nos ônibus da RMR verificada no primeiro dia útil da quarentena. Na segunda-feira (18/5), esse tinha sido o percentual de redução dos passageiros numa comparação com a semana anterior, quando o isolamento social era apenas recomendado pelo Estado. O CTM diz que entre os dias 16 e 28 de maio foram contabilizados 3.445.029 passageiros, contra 3.828.485 registrados nos dez dias anteriores (02 a 14 de maio) ao isolamento rígido.

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Para o pós-lockdown, governo do Estado vai manter a mesma oferta de ônibus que disponibilizou desde o início da pandemia, com a diferença de 110 ônibus estocados em 15 terminais integrados - JAILTON JR./JC IMAGEM

MESMO ESQUEMA DE ÔNIBUS PARA O FIM DO LOCKDOWN

Apesar das denúncias de passageiros e de alguns flagrantes feitos pela imprensa de lotações em algumas linhas nos horários de pico, o governo de Pernambuco decidiu manter a mesma oferta de ônibus disponibilizada desde o início da pandemia. O sistema estará operando com 53% da frota de coletivos e redução de até 45% das viagens. A diferença será a disponibilização de 110 ônibus estocados nos 15 maiores e mais movimentados terminais integrados (dos 26 em operação), que serão utilizados ser a demanda exigir.

Pelo menos essa é a estratégia operacional para a próxima segunda-feira (01/06), primeiro dia útil após o fim do lockdown. De acordo com o governo, a disponibilização desses ônibus poderá aumentar em até 20% o número de viagens, a depender do terminal. “É importante destacar que os técnicos do Consórcio continuam acompanhando a operação e fazendo os ajustes necessários para evitar aglomerações nos TIs”, garante o CTM em nota. Embora o rodízio de veículos adotado como uma das medidas do isolamento social rígido não tenha impactado na demanda do transporte público, a expectativa é de que mais aglomerações aconteçam nos terminais e nas linhas nos horários de pico da manhã e da noite porque mais pessoas deverão sair de casa com o relaxamento das medidas e a retomada gradativa da economia como anunciado pelo governo.

 WELINGTON LIMA/JC IMAGEM
Expectativa é de que as aglomerações em algumas linhas e nos horários de pico da manhã e da noite continuem - WELINGTON LIMA/JC IMAGEM

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