O clima de confronto entre rodoviários, governo do Estado e empresários se confirmou. Motoristas e cobradores de ônibus aprovaram por unanimidade uma greve a partir da terça-feira (24/11) do transporte público da Região Metropolitana do Recife. A decisão precisa ser consolidada pela categoria na segunda rodada da assembleia, que acontece à tarde, a partir das 15h. Mas o sentimento é de que a aprovação será confirmada porque, segundo os rodoviários, a categoria está revoltada com a dupla função de motoristas e as demissões que seguem acontecendo na pandemia.
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A principal reivindicação dos rodoviários para não realizar o movimento é se, até a data prevista para a greve, o governo do Estado e o setor empresarial confirmarem o cumprimento, no prazo, da Lei 18.761/2020 que proíbe motoristas de acumularem a função de cobrador nos ônibus do Recife. Desse ponto, não vão abrir mão. Querem uma garantia do governo do Estado, como gestor do transporte metropolitano, de que a lei será cumprida.
“Como já tínhamos adiantado, a categoria está bastante revoltada com toda a situação. Em plena pandemia, motoristas sendo obrigados a realizar a dupla função, recebendo dinheiro e passando troco ao mesmo tempo em que dirigem. Está insuportável. Sabíamos que os motoristas iriam aprovar o movimento por unanimidade. E, com certeza, à tarde esse posicionamento será confirmado”, diz Aldo Lima, presidente do Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco.
A segunda rodada da assembleia dos rodoviários começa às 15h, na sede da sindicato, localizado em Santo Amaro, área central do Recife. Os votos do turno da manhã serão somados aos votos do turno da tarde para o resultado final.
OUTRAS REIVINDICAÇÕES
Os motoristas e cobradores também exigem a recolocação dos cobradores no sistema. Interpretam a nova legislação, considerando as modificações acrescidas no trâmite da Câmara de Vereadores, dessa forma. Baseiam-se na emenda do vereador Rinaldo Júnior (PSB) que limita aos cobradores a função de cobrar tarifas no ônibus que operam as linhas apenas municipais.
Os outros dois pontos também são difíceis de acordo, ainda mais em plena pandemia, com o sistema de transporte registrando perda de demanda de 30% e com a perspectiva de que essa redução se mantenha por um bom tempo ainda devido às mudanças de hábito da sociedade com a covid-19. Querem que as demissões de rodoviários sejam suspensas - não têm números oficiais, mas alegam 2 mil de agosto até agora - e que seja dada estabilidade de emprego por um ano.
E, por último, querem voltar a negociar com as empresas os outros pontos da campanha salarial, como a elaboração de uma nova convenção de trabalho. A categoria argumenta que a aprovada pela gestão passada não vale mais, já venceu e não será renovada porque ela permitia a dupla função. “Consolidando o resultado à tarde, vamos fazer tudo direito, dentro da lei. Por isso, sendo aprovada, a paralisação acontecerá na terça-feira (24/11), uma data bem mais na frente das 72 horas impostas por lei”, diz Aldo Lima.
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