REAJUSTE DA TARIFA

Governo de Pernambuco estuda passagem mais barata nos horários fora do pico nos ônibus do Grande Recife

A proposta será levada para a discussão sobre o reajuste das tarifas. Benefício seria exclusivo do VEM Comum e as outras passagens teriam um aumento pela inflação

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 18/01/2021 às 13:23
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Em 2019, o Brasil tinha 16 cidades praticando o transporte tarifa zero. São Luís será a primeira capital - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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O transporte público por ônibus da Região Metropolitana do Recife poderá ter uma tarifa diferenciada nos horários fora do pico do sistema. Seria um modelo semelhante ao adotado recentemente em Curitiba (PR) e em Fortaleza (CE), chamado Tarifa e Hora Social, respectivamente. A diferença é que, no caso de Pernambuco, a tarifa não seria reduzida, mas deixaria de ser reajustada nesses horários. O benefício também seria restrito aos usuários do cartão VEM Comum, ou seja, 40% dos usuários.

O restante das tarifas seria reajustado pela inflação - o IPCA está acumulado na casa dos 4%. O modelo está em estudo pelo governo de Pernambuco para ser apresentado na discussão sobre o aumento das passagens de ônibus em 2021 e que sempre é decidido nos meses de janeiro. A tarifa diferenciada valeria no horário das 9h às 11h e das 14h às 16h, provavelmente de segunda à sexta. A lógica do Estado, segundo fontes do governo, é penalizar menos os que não têm acesso ao VEM Trabalhador - ou seja, ao benefício do vale-transporte -, que são, em sua maioria, profissionais autônomos. E, ao mesmo tempo, estimular a parcela da população que pode, a evitar os horários de pico, quando a lotação do transporte público é certa.

Em 2020, quando decidiu não aumentar a passagem, o Estado anunciou um pacote de ações que foram pouco cumpridas

ARTES JC
Pacote ações transporte público em 2020 - ARTES JC

O problema da superlotação nos ônibus nos horários de pico é hoje, em plena pandemia de covid-19, um dos principais pontos de desgaste político para a gestão do PSB. Mostrado diariamente pela mídia e sempre usado como comparativo às punições por aglomerações impostas à sociedade de forma geral. Por isso o governo do Estado está tão preocupado em minimizá-lo. Ao mesmo tempo, com a demanda de passageiros ainda na casa dos 60%, não consegue impor a oferta de 100% da frota porque teria que cobrir essa diferença ou forçar o setor empresarial a assumi-la. No caso das concessionárias (Conorte e MobiBrasil), o Estado já cobre porque foram licitadas. Mas o governo não quer ampliar ainda mais o subsídio de R$ 250 milhões que coloca no sistema.

Atualmente, 33% dos passageiros do sistema usam o VEM Trabalhador. No entendimento do Estado, o empregador é quem arcará com o reajuste das passagens. E no caso dos estudantes da rede pública, serão os governos estadual e municipal.

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Pacote ações transporte público em 2020 - ARTES JC


EXEMPLOS PELO PAÍS
Duas cidades brasileiras adotaram modelos de redução da tarifa no fora-pico antes mesmo da pandemia. Estratégia já era reduzir a superlotação nos horários de maior movimento da manhã e da tarde/noite e atrair mais passageiros. Por enquanto, os dois testes seguem dando certo.

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Estado, no entanto, deverá propor um reajuste das passagens em geral pela inflação, acumulada na casa dos 4% - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

Curitiba, capital paranaense, inovou na redução da tarifa fora-pico antes mesmo da pandemia e do ressurgimento da discussão sobre o escalonamento de horários de início das atividades econômicas. Por volta de setembro de 2019, implantou a redução e, de acordo com levantamento divulgado no fim do mesmo ano pela Urbs (Urbanização de Curitiba), gestora do sistema, a medida teria provocado um aumento médio de 134 mil passageiros por dia útil nas onze linhas do projeto. O acréscimo registrado foi de 3 mil passageiros pagantes, em um mês (22 dias úteis). A passagem foi reduzida em R$ 1 nos horários das 9h às 11h e das 14h às 16h e para pagamento exclusivo com o cartão-transporte usuário.

Fortaleza (CE) também deu start em projeto semelhante no início de 2020, um pouco antes da pandemia do coronavírus começar. Reduziu em 20% a passagem nos horários fora do pico da manhã e da tarde (9h às 11h e 14h às 16h) do projeto Hora Social, que já oferece uma redução dos valores por duas horas do dia. O valor cobrado é de R$ 3,40 (inteira) e R$ 1,50 (meia). Com a nova redução, os passageiros passaram a pagar R$ 3,00 (inteira) e R$ 1,30 (meia).

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Pacote ações transporte público em 2020 - ARTES JC

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