REAJUSTE DA TARIFA

Horário Social vai beneficiar 10% dos passageiros pagantes dos ônibus do Grande Recife

Na prática, efeito da redução do valor da tarifa será mais político do que financeiro. Mas demonstra preocupação social

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 21/01/2021 às 9:10
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FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Em números atuais, impactados pela pandemia, significaria quase 70 mil pessoas beneficiadas das 700 mil que atualmente pagam a passagem no sistema da RMR - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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A proposta do governo de Pernambuco de criar o chamado Horário Social do transporte, quando a passagem deverá ser mais barata em R$ 0,40 nos horários fora-pico para quem pagar com o cartão VEM Comum, terá um efeito mais político do que financeiro. Pelo menos na prática. A estimativa do próprio Estado é de que o Horário Social beneficiará aproximadamente 10% dos passageiros pagantes do sistema de ônibus. Em números atuais, impactados pela pandemia, significaria quase 70 mil pessoas beneficiadas das 700 mil que atualmente pagam a passagem no sistema da RMR. Antes da crise sanitária eram 1,2 milhão de pagantes e 2 milhões de transportados - incluindo as gratuidades.

A estimativa é técnica, feita pelo Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM), e tem como base o número de passageiros que atualmente têm pago a tarifa utilizando dinheiro ou o cartão VEM Comum. Diretamente, seriam beneficiados 60 mil passageiros que atualmente já utilizam o sistema nos horários fora do pico (das 9h às 11h e das 13h30 às 15h30) pagando com dinheiro ou VEM Comum. “Estamos apostando que os 35 mil usuários que hoje utilizam dinheiro nesses horários fora do pico passarão para o cartão VEM com a tarifa social”, explica o diretor de Operações do CTM, André Melibeu. Os outros 25 mil passageiros já pagam com o cartão VEM Comum.

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ARTE TARIFAS PARA WEB - ARTES JC

Além dos 60 mil passageiros, outros 9 mil usuários que andam nos ônibus nos horários de pico e também pagam a tarifa em dinheiro ou já com o VEM Comum seriam atraídos para o Horário Social. Outra aposta do Estado. “Essa seria a migração que esperamos e ela será basicamente concentrada nos usuários da manhã. Isso porque à tarde é mais difícil, já que o passageiro que larga às 17h ou às 18h, por exemplo, não conseguirá antecipar a saída para 15h30”, reforça André Melibeu.

EMPRESÁRIOS DE ÔNIBUS DEFENDEM REAJUSTE DE 16%

Questionado se uma redução de R$ 0,40 seria suficiente para atrair os passageiros, o diretor de Operações defendeu a medida. “Acredito que sim. Principalmente para o deslocamento pela manhã. Sabemos que os usuários que utilizam o sistema nas primeiras horas, entre 5h, 6h e 7h, por exemplo, não migrarão. Mas aqueles das 8h às 9h serão atraídos. Principalmente quem já usa o cartão VEM Comum”, reforça Melibeu. A passagem nos outros horários do dia, no entanto, deverão ter um reajuste de 8,7% e 8,5% nos Aneis A e B, respectivamente.

FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
A estimativa é técnica, feita pelo Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM), e tem como base o número de passageiros que atualmente têm pago a tarifa utilizando dinheiro ou o cartão VEM Comum - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

“O importante é que estamos trazendo duas situações novas para o sistema, que poderão ajudá-lo a recuperar a demanda de passageiros. Em primeiro lugar, a criação de uma tarifa diferenciada, social, que demonstra a preocupação do governo com a inclusão social porque será uma tarifa R$ 0,40 mais barata exatamente para quem não dispõe do VEM Trabalhador e do VEM Estudante. Depois, vamos reduzir a circulação de dinheiro nos ônibus, o que facilita a operação, atualmente com menos cobradores”, argumenta o diretor de Operações do Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM), André Melibeu. As propostas serão votadas na reunião do CSTM, marcada para o dia 5 de fevereiro.

AÇÃO E REAÇÃO
A possibilidade de aumento das passagens de ônibus, seja no percentual de 8% defendido pelo Estado ou de 16% como proposto pelos empresários, já provocou reação da sociedade civil. Nem mesmo a criação do Horário Social, quando as passagens seriam R$ 0,40 mais baratas nos horários fora-pico, amenizou as críticas à proposta de majoração. A Frente de Luta pelo Transporte Público, que tem dois representantes no Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), foi a primeira a se manifestar.

“A Frente de Luta pelo Transporte Público estranha a proposta dos empresários de aumento das tarifas de ônibus de 16%. O setor empresarial, que recebe volumosas isenções fiscais e subsídios, pouco tem entregue à população do Grande Recife e a pandemia acentuou os graves problemas. Todos os dias ônibus e terminais lotados são a ponta do iceberg. Na periferia, vários veículos quebram diariamente e os terminais de bairro têm sido desativados sem a implementação universal da integração temporal, sem universalização e gratuidade do VEM, sem ar condicionados (antes da pandemia), sem termos tarifa única, entre outras demandas, como o não início do SIMOP (sistema de monitoramento com aplicativo para os usuários). Por isso, apresentaremos e cobraremos ao Conselho Metropolitano a proposta de congelamento da tarifa no valor do Anel A”, afirmou a entidade.

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