COLUNA MOBILIDADE

Metrô do Recife segue sem investimentos, o que reforça o caminho da concessão pública

Estudos preliminares já indicam que será necessário um investimento de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão para "arrumar" sistema pernambucano

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 28/04/2021 às 8:00
Notícia
BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
O resultado dessa ausência de atenção ficou comprovado nos números levantados pelo governo federal para a futura concessão dos sistemas da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e da Trensurb (RS) para a iniciativa privada - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Leitura:

Além da perda de 50% dos passageiros devido à pandemia, o Metrô do Recife sofre com a ausência de investimentos e o sucateamento do sistema. São anos e anos sobrevivendo apenas com dinheiro de custeio - despesas de operação - e, mesmo assim, recebendo um pouco mais da metade do orçamento solicitado. São mais de dez anos sem dinheiro pesado para investimento e pelo menos cinco com o orçamento anual sendo cortado.

O resultado dessa ausência de atenção ficou comprovado nos números levantados pelo governo federal para a futura concessão dos sistemas da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e da Trensurb (RS) para a iniciativa privada. No caso do Metrorec, os estudos iniciais que vêm sendo realizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sob coordenação do Ministério da Economia, indicam que será necessário um investimento de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão. É quanto custará a arrumação para deixá-lo apto à ser oferecido à iniciativa privada.

THIAGO LUCAS/ ARTES JC
Aumentos do metrô do Recife - THIAGO LUCAS/ ARTES JC

Sem dúvida, a concessão será o caminho para o Metrô do Recife e também para outros sistemas metroferroviários geridos pelo poder público. Isso é fato. Não temos outro modelo. Estamos falando de sistemas que precisam de investimentos constantes porque são tecnológicos. O Metrô do Recife tem 36 anos. Não há sistema que sobreviva sem recursos para modernização e não temos governos que aguentem esse custo. Infelizmente”, afirma Fernando Jordão, professor da UFPE e especialista em transporte sobre trilhos.
Fernando Jordão, professor da UFPE e especialista em transporte sobre trilhos

FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
Fernando Jordão, professor da UFPE e especialista em transporte metroferroviário - FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM

O valor será investido na recuperação de toda rede aérea do sistema (que faz a alimentação do metrô), incluindo as linhas elétricas - Centro (com seus dois ramais: Camaragibe e Jaboatão) e Sul - e a diesel (VLT), do material rodante (todos os veículos que trafegam sobre os trilhos de uma ferrovia - trens de passageiros e de manutenção), dos trilhos e dormentes, além da reforma das estações. Outro ponto importante é que, dos cinco sistemas sob gestão da CBTU e que estão sendo alvo dos estudos de transferência para a gestão privada, o do Recife e o de Belo Horizonte (MG) são os que mais têm capacidade de atrair investidores. A Trensurb, sistema de Porto Alegre, também. Além do Recife e de Belo Horizonte, a CBTU gere os sistemas de Natal (RN), João Pessoa (PB) e Maceió (RN) - que são bem menores do que o pernambucano e o mineiro.

ARTES JC
Trilhos no Brasil - ARTES JC

“Sem dúvida, a concessão será o caminho para o Metrô do Recife e também para outros sistemas metroferroviários geridos pelo poder público. Isso é fato. Não temos outro modelo. Estamos falando de sistemas que precisam de investimentos constantes porque são tecnológicos. O Metrô do Recife tem 36 anos. Não há sistema que sobreviva sem recursos para modernização e não temos governos que aguentem esse custo. Infelizmente”, afirma Fernando Jordão, professor da UFPE e especialista em transporte sobre trilhos.

BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Dos cinco sistemas sob gestão da CBTU e que estão sendo alvo dos estudos de transferência para a gestão privada, o do Recife e o de Belo Horizonte (MG) são os que mais têm capacidade de atrair investidores - BOBBY FABISAK/JC IMAGEM

Jordão destaca, ainda, que é preciso uma reorganização da rede de linhas de ônibus que concorrem com o Metrô do Recife. “É preciso lembrar que o nosso sistema foi um aproveitamento da antiga rede ferroviária. Ou seja, não foi atrás do passageiro. Ao contrário, até hoje puxa o passageiro para ele, o que não é eficiente financeiramente”, ensina.

Comentários

Últimas notícias