COLUNA MOBILIDADE

Soluções para a circulação no Centro do Recife

A solução sugerida é focada no Cais de Santa Rita - onde um hotel marina e um centro de convenções estão sendo construídos. E prevê a inversão de tráfego de algumas vias do entorno do Cais de Santa Rita e, principalmente, a transformação do cais em um corredor de sentido único

Roberta Soares
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Roberta Soares
Publicado em 28/11/2021 às 12:04 | Atualizado em 28/11/2021 às 12:05
FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
A área do Cais de Santa Rita, assim como a do Cais José Estelita, merece atenção especial porque, vale destacar, representa a principal ligação da Zona Sul do Recife e também da Região Metropolitana com o Centro da capital - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Antes mesmo de a Coluna Mobilidade criticar a transformação urbana que acontece com o avanço de três empreendimentos comerciais e residenciais erguidos a todo vapor no Cais de Santa Rita e no Cais José Estelita sem que um plano de circulação de veículos, pedestres e ciclistas fosse apresentado à população, a Câmara de Vereadores do Recife apresentou uma proposta à gestão municipal. A solução sugerida é focada no Cais de Santa Rita - onde um hotel marina e um centro de convenções estão sendo construídos. E prevê a inversão de tráfego de algumas vias do entorno do Cais de Santa Rita e, principalmente, a transformação do cais em um corredor de sentido único.

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Hotel Marina Cais de Santa Rita - REPRODUÇÃO

A área do Cais de Santa Rita, assim como a do Cais José Estelita, merece atenção especial porque, vale destacar, representa a principal ligação da Zona Sul do Recife e também da Região Metropolitana com o Centro da capital. Assinada pelo vereador Fabiano Ferraz (Avante) - ex-gerente geral de operações de trânsito da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), a proposta sugere transformar em mão única o Cais de Santa Rita no sentido subúrbio-Centro, após as Torres Gêmeas. O tráfego no sentido contrário (Centro-subúrbio) seria jogado obrigatoriamente à direita, pela Avenida Martins de Barros, após a Ponte Giratória (Ponte 12 de Março). E para retornar ao Cais de Santa Rita - com destino ao Cais José Estelita, à Zona Sul do Recife e à Rua Imperial, por exemplo - esse tráfego entraria à esquerda na primeira rua após o Terminal de Santa Rita (Rua Dantas Barreto), que teria o sentido invertido.

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INTERVENÇÕES - ARTES/JC

O sentido contrário após a Ponte Giratória dobraria à direita na Martins de Bairro e à esquerda na Rua Dantas Barreto, a primeira depois do Terminal de Santa Rita (chamada de Cais de Santa Rita também). A Avenida Martins de Barros teria o canteiro central retirado para acomodar o volume de veículos.

Nessa volta, os veículos sairiam na altura do 16º Batalhão da Polícia Militar e próximo à sede do Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM). Os ônibus que usam o Cais de Santa Rita para acessar o Terminal de Santa Rita fariam um percurso diferente. No sentido subúrbio-Centro, já entrariam à esquerda na rua localizada atrás dos galpões 6 e 7, chegando diretamente ao terminal. “Fizemos o requerimento para que a prefeitura analise a viabilidade de implantação de uma nova configuração do trânsito no Cais de Santa Rita e na Ponte Giratória, que liga a Avenida Sul ao Cais da Alfândega. Nossa proposta é a criação de uma via exclusiva e livre para o transporte público, além de eliminar entrelaçamentos que dificultam o tráfego e a mobilidade urbana na região, principalmente em horários de pico. O volume de ônibus é grande, acarretando a existência de até três faixas paralelas de veículos parados, aguardando para realizar manobras simples na via”, explica o vereador.

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INTERVENÇÕES2 - ARTES/JC

FALHAS

A proposta apresentada por Fabiano Ferraz, no entanto, não faz referência detalhada à travessia de pedestres e circulação de ciclistas - que não têm qualquer segurança na área pela ausência de infraestrutura. No caso dos pedestres, deverão ser muitos depois que o hotel marina e o cecon entrarem em operação. O vereador explica que, com a mudança de circulação e o redimensionamento da largura das faixas dos veículos, será possível implantar travessias para pedestres e ciclovias para os ciclistas. Fala na criação de estacionamentos rotativos, mas não detalha nenhuma das estruturas para a mobilidade ativa. “Se as mudanças forem adotadas, haverá espaço para a acomodação de outros modais e a implantação de uma ciclovia permanente”, pontua o vereador. Além disso, a sugestão é mais focada na solução para o tráfego no sentido subúrbio-Centro do que na direção contrária.

O QUE ESTÁ SENDO CONSTRUÍDO

Para quem não sabe, o Cais de Santa Rita passará, em breve, por uma grande transformação positiva para a área e toda a cidade. A região é um dos maiores exemplos do abandono dos espaços públicos do Recife. Mas ganhará um hotel-marina e um centro de convenções, que já estão sendo erguidos.
Os armazéns 16 e 17 serão transformados num moderno centro de convenções. O espaço terá capacidade para quatro mil pessoas e está integrado ao projeto Porto Novo Recife, que prevê, além do cecon, o hotel-marina, restaurantes, lojas, bares, salas de reunião, piscina, academia de ginástica e garagem. A intenção é consolidar a área como polo de turismo no Centro. Até uma ligação entre o hotel e o Mercado de São José será feita.

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Novo hotel marina no Cais de Santa Rita - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Armazéns 16 e 17, no Cais de Santa Rita, estão sendo reformados e transformados em um complexo de turismo e negócios, com Centro de Convenções e lojas - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

O centro de convenções terá uma área de 15 mil m² e estacionamento de 230 vagas. O armazém 16, que atualmente está no acesso ao Terminal de Santa Rita, será demolido e construída uma avenida no local, onde vão funcionar os serviços de apoio do cecon. O projeto do hotel, que será quatro estrelas, prevê 240 leitos. Já a marina vai comportar 180 barcos, com capacidade de veleiros de até 70 pés. O orçamento de todo complexo é de R$ 150 milhões. A previsão de conclusão é setembro de 2023.

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Já o Projeto Novo Recife prevê a construção de 13 edifícios residenciais e comerciais. Entre o que já foi divulgado sobre o projeto e que tem relação com a mobilidade urbana da cidade estão a implantação de um parque linear valorizando a borda d'água, outro parque na área da antiga ferrovia e espaços públicos de convivência, esportes, cultura e lazer; eliminação de grades e muros em todas as edificações; ciclovia em toda a extensão da linha d'água; eliminação do viaduto das Cinco Pontas devolvendo a relação que o Forte tem com a frente d'água; calçadas com aproximadamente cinco metros de largura; e conexão da Avenida Dantas Barreto com o Cais José Estelita.

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Ciclovia que será construída no Cais José Estelita - REPRODUÇÃO

CAIS JOSÉ ESTELITA

Embora não conste na proposta, o Cais José Estelita também foi abordado pelo vereador do Recife Fabiano Ferraz. Nenhuma solução diferente do que já foi definido no projeto Novo Recife desde que começou a ser discutido na capital, há mais de dez anos. O vereador defendeu o lógico: que a ciclovia permanente prevista para o Cais José Estelita, como consta no projeto, se conecte com o Cais de Santa Rita e siga por toda a avenida até o Bairro do Recife.

Essa conexão entre os dois cais seria feita independentemente da demolição do Viaduto das Cinco Pontas, também prevista no pacote de ações mitigadoras do Projeto Novo Recife. “Não há necessidade de esperar a demolição, que deverá levar, pelo menos, uns dois anos para acontecer. A conexão seria ao lado do Catamarã e das Torres Gêmeas. Seria necessário apenas um tratamento da área da antiga RFFSA, semelhante ao que a CTTU já fez para criar o corredor exclusivo dos ônibus do Expresso da Folia”, sugere.

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A Rota José Estelita deverá ter 4,8 quilômetros de extensão e comporá a reurbanização promovida no Cais, prevista no Projeto Novo Recife, que prevê, inclusive, a derrubada do Viaduto das Cinco Pontas - BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Projeto Novo Recife está construindo 3 torres no Cais José Estelita - BOBBY FABISAK/JC IMAGEM

 

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