Ainda que as aulas remotas sejam importantes, nenhuma tecnologia está preparada para substituir o ensino presencial
Algumas autoridades têm se gabado da educação a distância, como se fosse a derradeira das invenções, e acreditam que em breve a sala de aula será um mero acessório. Mas não é bem assim. Leia a opinião de Romoaldo de Souza
Era de se esperar que assim como o país está se preparando para a retomada da economia, para a volta dos turistas, para a retorno do pleno emprego, que houvesse um grupo, um comitê, uma secretaria de governo pensando na volta às aulas e na reabertura das escolas, das bibliotecas, dos encontros presenciais.
Tenho escutado de algumas autoridades que têm se gabado da educação a distância, como se fosse a derradeira das invenções, e que em breve a sala de aula será um mero acessório. Mas não é.
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Ainda que considere importantíssima a interação das aulas remotas com a presença do educador e os estudantes dialogando conteúdos nas plataformas digitais, nada, nenhuma tecnologia, está adequadamente preparada para substituir o aprendizado da troca de conhecimento, do encontro do recreio, do tira-dúvidas.
O país não está conseguindo tirar lições de dois problemas que se revelaram marcantes durante a pandemia. O primeiro deles é que milhões de estudantes não têm acesso a serviços de internet nem a equipamentos para usá-los no aprendizado remoto. O outro é a estrutura educacional do Brasil que não preparou os educadores para esse momento. O que se viu - em diferentes ocasiões - foi que o professor trocou a sala de aula pela plataforma de aulas virtuais, mas a linguagem empregada não é a mais adequada, porque ficou preso no passado do quadro de giz.
Seria muito bom que amanhã as autoridades municipais, os governos estaduais e o Ministério da Educação apresentassem um plano para atenuar esses problemas. Para que o país não seja apanhado de surpresa com o desastre educacional que está vivendo, com o atraso nos conteúdos, no ensinamento.
Pense nisso!