Opinião

Episódio com a The Economist mostrou que a Secom do governo federal entende pouco de comunicação com a sociedade

A revista britânica "The Economist" publicou reportagem com uma montagem na capa, em que aparece o Cristo Redentor respirando com auxílio de um cilindro de oxigênio e dentro, a publicação faz uma análise dos reflexos econômicos e sociais no Brasil, Leia a opinião de Romoaldo de Souza

Romoaldo de Souza
Romoaldo de Souza
Publicado em 08/06/2021 às 7:18
Análise
ISAC NOBREGA/PR
Presidente Jair Bolsonaro - FOTO: ISAC NOBREGA/PR
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“The books on the table!” Todo adolescente quando ensaia as primeiras palavras em inglês escuta esse comentário que quer dizer que o idioma de William Shakespeare (1564 — 1616) não é para qualquer principiante, não, e que aprender inglês vai além da expressão: “The books on the table!”.

No fim de semana, a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República revelou que entende pouco de comunicação com a sociedade e quase nada de inglês.

A revista britânica “The Economist” publicou reportagem com uma montagem na capa, em que aparece o Cristo Redentor respirando com auxílio de um cilindro de oxigênio e dentro, a publicação faz uma análise dos reflexos econômicos e sociais no Brasil, o descontrole da Covid-19 e trata de alguns motivos para que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não seja reeleito.

Imediatamente, a Secom passou a divulgar comentários nas redes sociais desqualificando a revista. Lá pelas tantas, os assessores do Planalto dizem que a publicação teria sugerido que Bolsonaro fosse morto.

“Vejam bem: não falam apenas em vencer nas urnas, superar, destituir. Falam em ELIMINAR. Estaria o artigo fazendo uma assustadora apologia ao homicídio do Presidente?”, questiona a Secom.

Acontece que a revista inglesa escreveu “The most urgent priority is to vote him out”, ou seja, “A prioridade é derrotá-lo nas urnas”. Só que os assessores do Planalto na melhor tradução “The books on the table!” espalharam, para a ira dos bolsonaristas, que a revista teria dito que “a prioridade mais urgente é eliminá-lo”, se referindo ao presidente da República.

E pensar que essa turma que eu desconfio que nunca colocou um pé num cursinho de inglês recebe salários e benefícios à custa do contribuinte.

Think about it!

Quer dizer: pense nisso!

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