Médico suspeito de estupros no Recife está numa cela isolada no Cotel

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 05/03/2018 às 7:15
O médico ortopedista Kid Nélio está preso no Cotel. Foto: Cremepe/Divulgação
FOTO: O médico ortopedista Kid Nélio está preso no Cotel. Foto: Cremepe/Divulgação
Leitura:
[caption id="attachment_4162" align="alignnone" width="700"]"" O médico ortopedista Kid Nélio está preso no Cotel. Foto: Cremepe/Divulgação[/caption]O médico ortopedista e traumatologista Kid Nélio Souza de Melo, de 35 anos, preso na última sexta-feira (2), está isolado numa cela do Centro de Observação e Triagem (Cotel), em Abreu e Lima. A medida foi tomada pela direção da unidade prisional para garantir a segurança do suspeito, já que há risco para a integridade física dele. Segundo a polícia, o médico teria praticado estupros de pacientes na Unidade de de Pronto Atendimento (UPA) da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife, e também em hospitais particulares. Até a manhã do sábado, pelo menos 11 mulheres prestaram queixa na delegacia.Kid Nélio cumpre mandado de prisão temporária de 30 dias. Na área onde ele está, há 24 celas - cada uma só cabe uma pessoa. No pequeno espaço há cama, colchão, travesseiro e um banheiro com chuveiro e pia. O ortopedista também está sendo acompanhado por uma equipe multidisciplinar, que conta com médicos e psicólogos.O médico foi preso após se apresentar à polícia para prestar depoimento. Segundo as investigações, as mulheres que teriam sido abusadas por ele têm idades entre 18 e 39 anos. O crime mais antigo teria ocorrido em 2016. Em alguns dos casos, não houve conjunção carnal. Mesmo assim, pela lei mais recente, os atos podem ser enquadrados como estupro - a depender da interpretação final da Polícia Civil.Os inquéritos estão sob o comando da delegada Ana Elisa Sobreira. A expectativa da polícia é de que outras mulheres procurem a delegacia nesta semana, já que a foto e o nome do médico foram divulgados oficialmente.O CASOA primeira vítima a procurar a Delegacia da Mulher foi uma jovem de 18 anos, que teria sido estuprada durante atendimento na UPA da Imbiribeira no dia 21 de fevereiro. No dia seguinte, após a repercussão do caso, uma universitária de 32 anos tomou coragem e procurou a polícia para denunciar que também teria sido vítima de abuso.O homem suspeito de estupro na UPA da Imbiribeira é médico há nove anos. Ele se formou pela Universidade do Rio Grande do Norte e especializou-se na área de ortopedia e traumatologia, com ênfase em cirurgias. Além da UPA, ele também trabalha em clínicas particulares.O médico foi afastado das funções, por determinação da direção da UPA da Imbiribeira. O Conselho Regional de Medicina (Cremepe) também confirmou que abriu sindicância para investigar a conduta do profissional, que pode perder o direito de exercer a profissão.PROCESSOS POR ERROS MÉDICOSO Ronda JC revelou no último dia 27 que o suspeito também responde a processos na Justiça por supostos erros médicos. Um dos casos ocorreu em 2016. Um policial militar afirma que um procedimento no punho direito dele foi realizado de maneira incorreta. Foi necessária uma segunda cirurgia - feita por outro profissional - para consertar o erro. O processo tramita na 4ª Vara Cível da Capital. Segundo o advogado, o caso está na fase de perícias que devem confirmar se realmente houve erro médico no primeiro procedimento.Outro processo que tem o médico como réu também tramita na 31ª Vara Cível da Capital. A assessoria do Tribunal de Justiça de Pernambuco afirmou que esse segundo processo foi concluído em primeiro grau e que o recurso ainda está sendo julgado. A assessoria não informou detalhes do caso.ACOMPANHE A COBERTURA SOBRE O CASOFamiliares de médico suspeito de estupros já prestaram depoimentoSuspeito de estupros em UPA é médico ortopedista há nove anosDez cidades concentram mais da metade dos estupros em PernambucoDelegacias da Mulher fechadas nos horários em que elas mais precisam

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias