Violência

Chacina em Sanharó: polícia conclui investigação e descobre motivação do crime

Cinco pessoas foram mortas durante o evento beneficente. Quatro mandados de prisão preventiva foram solicitados à Justiça

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 21/12/2020 às 17:14
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Alex Oliveira/JC Imagem
Cinco pessoas foram mortas durante o evento beneficente em Sanharó, Agreste do Estado - FOTO: Alex Oliveira/JC Imagem
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As investigações sobre a chacina ocorrida no mês passado no município de Sanharó, no Agreste de Pernambuco, foram concluídas pela polícia. De acordo com o inquérito, quatro homens participaram da ação, que deixou cinco pessoas mortas durante um evento beneficente que estava sendo realizado para ajudar desalojados das chuvas na cidade. O motivo do crime seria um acerto de contas, relacionado ao tráfico de drogas. 

As investigações apontaram que o alvo dos criminosos era apenas uma das vítimas. As outras acabaram mortas por bala perdida, pois o grupo já chegou atirando no meio do evento, realizado no dia 07 de novembro. Os suspeitos foram identificados por meio de depoimentos de testemunhas. Além dos mortos, várias pessoas também ficaram feridas no local. No último dia 10 de dezembro, a Polícia Civil encaminhou à Justiça um pedido de prisão preventiva dos suspeitos. 

Sem justificativa, a assessoria da Polícia Civil não quis informar quem foi o delegado responsável pelas investigações. A coluna Ronda JC entrou em contato com o promotor de Justiça de Sanharó, Jefson Romaniuc, que informou que ainda não recebeu a conclusão do inquérito. Somente após analisar, ele vai decidir se concorda com a tese da polícia e denuncia os suspeitos à Justiça ou se devolve o inquérito e pede novas diligências. 

EVENTO NÃO TINHA AUTORIZAÇÃO

O evento beneficente não tinha autorização para ser realizado, segundo o Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Um dos motivos, segundo o promotor, é que não haveria segurança para evitar aglomerações e garantir que as pessoas que participassem do evento não iriam pegar a covid-19.

"Os responsáveis assumiram a posição de garantidor, ou seja, assumiram o risco do resultado, que infelizmente acabou em tragédia, por isso podem vir a ser responsabilizados por homicídio doloso", disse o promotor, em entrevista à coluna no mês passado.

Na justificativa sobre a possível punição aos organizadores pelo evento, o promotor cita o incêndio na Boate Kiss, que deixou 242 pessoas mortas em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 27 de janeiro de 2013. Na ocasião, os sócios da casa de shows foram denunciados por homicídio doloso pelo Ministério Público daquele estado porque o local estava com uma quantidade de pessoas acima da permitida, com documentação irregular e com materiais inapropriados que contribuíram para o incêndio.

No evento beneficente em Sanharó, segundo a Polícia Militar, havia cerca de 300 pessoas. "A responsável pelo evento foi conduzida até a delegacia da Polícia Civil, onde foi confeccionado um TCO em desfavor da mesma pelo descumprimento do Decreto Estadual por organizar evento que gere aglomerações", informou nota da PM. 

 


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