Processo

Acusados do latrocínio de PM em Porto de Galinhas viram réus

A justiça aceitou denúncia do MPPE contra os dois homens acusados pelo assalto seguido de morte do PM Johnson Bulhões da Rosa Silva

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 12/02/2021 às 19:49
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Arquivo Pessoal
O PM alagoano Johnson levou um tiro na cabeça - FOTO: Arquivo Pessoal
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A Vara Criminal da Comarca de Ipojuca aceitou denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) em desfavor dos dois homens acusados pelo latrocínio (roubo seguido de morte) do policial militar alagoano Johnson Bulhões da Rosa Silva, de 27 anos. A vítima foi morta na frente de familiares na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, em 20 de novembro de 2020. A juíza Idiara Buenos Aires Cavalcanti deu dez dias para que os advogados dos réus apresentem a defesa prévia.

Israel Venerando Correia da Silva, que foi identificado pela polícia como o suspeito que aparece nas imagens de câmeras abordando e atirando no policial, e o mototaxista Adeilton Antônio Cordeiro da Silva, que teria ajudado na fuga, respondem pelo latrocínio com dois agravantes - o crime ocorreu sem chance de defesa da vítima e com disparo de arma de fogo no meio da rua, com risco de atingir terceiros.

A juíza, ao aceitar a denúncia do MPPE, citou na decisão que estão "presentes a prova da materialidade e os indícios de autoria, notadamente pela prova testemunhal colhida pela autoridade policial". A decisão foi publicada nesta semana. 

RELEMBRE O CASO

Johnson Bulhões era soldado do Batalhão de Polícia Rodoviária de Alagoas desde 2018. Ele passava uns dias de folga com a esposa grávida de três meses e familiares em Porto de Galinhas. Estava na praia pela primeira vez. Horas antes do crime, ele postou várias fotos. No final da noite do dia 20 de novembro, enquanto caminhava com a esposa grávida e outros familiares, ele foi abordado próximo a um posto de combustíveis, no centro de Porto.

O criminoso já chegou pedindo a arma que estava na cintura do policial. "Passa, passa, você está armado né boy?", teria dito. Logo depois, como mostram as imagens das câmeras de segurança, o policial é atingido por um tiro e cai no chão. Nesse momento, o criminoso pega a arma da vítima e foge.

Israel Venerando foi preso um dia após o latrocínio do PM. Ele negou participação no crime. Já Adeilton Antônio alegou em depoimento que teria sido coagido a transportar Israel após o latrocínio. A polícia e o MPPE não acreditaram na versão dos dois.

PROVAS

Câmeras de segurança foram fundamentais para desvendar a ação da dupla. "Adeilton fica escondido até que o denunciado Israel apareça na cena do crime. Quando o vê, posiciona sua motocicleta, com motor acionado, em local estratégico para a fuga. Após o disparo da arma de fogo, percebe-se claramente que Israel sai correndo para a esquerda e muda o sentido de sua corrida para a direita, quando ali vê Adeilton. Além disso, também após o disparo, é possível perceber que Adeilton teve a oportunidade – inclusive chega a fazer um pequeno movimento com a moto – para sair do local, mas aguarda e apenas o faz, arrancando em alta velocidade, quando Israel sobe na garupa. Assim, os indícios de autoria são veementes e irrefutáveis", afirma o promotor de Justiça Rodrigo Altobello, na denúncia enviada à Justiça.

Israel já está preso preventivamente no Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima. Adeilton está em liberdade.

 

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