COLUNA RONDA JC

Sobe para 16 o número de policiais militares afastados após ação violenta contra protesto no Recife

A informação foi divulgada pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS), na tarde desta segunda-feira (7)

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 07/06/2021 às 18:37
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FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
PM usou da força para dispersar protesto contra Bolsonaro no Recife, no fim de maio - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Aumentou para 16 o número de policiais militares afastados das atividades após a ação violenta durante um protesto contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no Centro do Recife, no dia 29 de maio. A informação foi divulgada pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS), na noite desta segunda-feira (7), em entrevista coletiva.

"Já temos 16 policiais afastados. Doze já foram ouvidos. Durante toda essa semana diversos outros depoimentos estão programados, tanto na Corregedoria (da SDS), como no âmbito das outras investigações, que fazem parte do inquérito policial e inquérito policial militar", afirmou o novo secretário de Defesa Social, Humberto Freire. Dos dezesseis, três são oficiais da PM e 13 são praças. 

Sobre as perícias do caso, Freire afirmou que nenhuma foi solicitada pela Corregedoria. Mas poderá ser no âmbito da investigação criminal da Polícia Civil. Ele lembrou, no entanto, que se tratam de inquéritos que estão sob sigilo. 

ORDEM PARA ATIRAR

"A ordem para atirar não aconteceu. A ordem, ou as ordens que se sucederam, foi de reforço no policiamento e de emprego daquele planejamento daquele efetivo", alegou Humberto Freire.

"O efetivo do Batalhão de Choque, pré-posicionado, ele tem como ser empregado ou por uma determinação expressa, que neste caso não foi emitida, ou por um fato que desencadeia a ação de dispersão. Que neste caso foi a prisão e o deslocamento de uma parte dos manifestantes em direção à linha."

Questionado se o PM atirou por conta própria, Freire argumentou que "havendo o critério emergencial de ação, ele tem essa liberalidade para que desencadeie a ação. E foi isso que aconteceu naquele dia". 

Sobre o tiro que atingiu o olho de Jonas Correia de França, que passava de bicicleta no momento da ação da PM, o secretário declarou que "há protocolos rígidos e aquela ação está sendo apurada, pois foi um fato lamentável e que teve consequências gravíssimas". 

"A princípio, o que parece é que o protocolo estabelecido para esse tipo de ação não foi respeitado. Mas isso tem que ser revelado não por achismo, não por acredito. Tem que ser revelado com provas e colocado em investigações. Esse policial já foi afastado."

Sobre o caso do adesivador Daniel Campelo, 51, também atingido no olho, mesmo sem participar do ato, o secretário disse que está sendo apurado ainda quem teria atingido a vítima. "Naquele caso, é um pouco diferente. Nós temos aquela ação, na Rua do Sol, e os manifestantes foram mostrados na ponte. Ali pode ter sido um fragmento de granada, pode ter sido um disparo de elastômero (bala de borracha). Isso está sendo verificado. Primeiro se define isso e, a partir do que causou aquela lesão, se fazer a dinâmica reversa e entender ou identificar de onde partiu aquele fato específico, ou munição que causou aquele dano."

MONITORAMENTO DA AÇÃO

ARTES JC
Linha do Tempo da ação policial VERSÃO web - ARTES JC

O secretário relatou que às 10h da manhã começou a reunião no Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR) para monitoramento das ações do dia - entre elas o primeiro fim de semana com medidas mais rígidas contra a covid-19 no Grande Recife e Zona da Mata do Estado.

Sobre o acompanhamento da ação violenta da PM, Humberto Freire afirmou que no começo, antes das 11h, quando os manifestantes passavam pela Rua do Sol, não foi possível assistir na CICCR. Isso porque, segundo ele, aquelas câmeras são da CTTU. "Nós temos convênio com a CTTU, mas só pela central de videomonitoramento é possível ver. Mas a nossa sala de crise não."

Por volta das 11h40, o secretário disse que chegaram as primeiras imagens sobre a ação da PM para dispersar a manifestação. "A gente passa a monitorar, recebendo informações. Determina que as imagens sejam extraídas das câmeras da CTTU para que a gente pudesse preservar e analisar. Chega a fotografia de que está havendo negociação com advogados, começam a chegar imagens das mídias, lançamento de pedras, disparos do efetivo, com todas as informações que vão chegando."

ONDE ESTAVA O COMANDANTE-GERAL DA PM?

Freire confirmou que o coronel Vanildo Maranhão não estava no CICCR. "Ele estava remoto, atuando através de telefone celular. Na central estávamos eu, o secretário Pádua (ex-secretário Antônio de Pádua), o oficial responsável pelo Copom, o coordenador do Ciods."

Sobre a ordem de o Batalhão de Choque ser escalado para a manifestação, Freire afirmou que se trata de um protocolo. "Sempre é previsto, porque, em havendo necessidade de emprego desse tipo, o efetivo pode ser mobilizado."

 

 

 

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Linha do Tempo da ação policial VERSÃO web - FOTO:ARTES JC

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