VIOLÊNCIA

Força-tarefa vai tentar diminuir assassinatos no Cabo de Santo Agostinho

Nos dois primeiros meses deste ano, 45 pessoas foram mortas no município. Aumento de 125% em relação a 2021

Raphael Guerra
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Raphael Guerra
Publicado em 17/03/2022 às 7:00
BETO DLC/TV JORNAL
Cabo de Santo Agostinho tem aumento no número de homicídios em 2022 - FOTO: BETO DLC/TV JORNAL
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O município do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, continua preocupando as autoridades do Estado por causa do aumento desenfreado da violência. Nos dois primeiros meses deste ano, 45 pessoas foram assassinadas. Um aumento de 125% em relação ao mesmo período de 2021, quando 20 vítimas foram contabilizadas pela Secretaria Estadual de Defesa Social (SDS).

Por causa disso, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) convocou, na última semana, reunião com prefeitura e polícias Civil e Militar para reforçar ações de combate à criminalidade. Uma verdadeira força-tarefa foi criada para agilizar investigações e prender integrantes de facções que atuam no município.

"Os casos de Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) na cidade mostram uma tendência de aumento desde setembro de 2021 e eclodiram em maior número em janeiro e fevereiro deste ano. A maioria das vítimas e dos autores até agora identificados são adolescentes e jovens", apontou o coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa Social e Controle Externo da Atividade Policial (CAO Defesa Social) do MPPE, o promotor de Justiça Rinaldo Jorge.

Somente em janeiro, 30 pessoas foram mortas no Cabo. Foi o mês mais violento dos últimos 18 anos, como revelou a coluna Ronda JC

A polícia alega que a guerra entre grupos criminosos rivais, por causa do tráfico de drogas, tem relação com a maioria dos assassinatos no Cabo. 

Com as discussões, a partir da audiência convocada pelo MPPE, foi deliberado que a Polícia Militar reforçará o policiamento preventivo no município e a Polícia Civil intensificará a conclusão das investigações dos homicídios.

Já o Ministério Público priorizará a análise dos pedidos de medidas cautelares e dos Inquéritos de CVLIs enviados pelos delegados, além de promover uma melhor articulação com o Poder Judiciário e as polícias.

ARTES/JC
Raio-x do Cabo de Santo Agostinho_wEB - ARTES/JC

AÇÕES DE PREVENÇÃO

O MPPE também promete estimular a destinação das verbas provenientes dos acordos de não persecução penal (ANPPs) para projetos de melhorias das polícias.

À Secretaria de Defesa Social Municipal coube apresentar, em três semanas, um plano de ação municipal de segurança pública e um projeto de lei para criação do Conselho Municipal de Defesa Social e Segurança Pública, além de convênio com a Guarda Municipal de Ipojuca para compartilhamento de ações.

As Secretarias municipais de Cultura, Juventude e Esportes e Programas Sociais irão deflagrar, no dia 26 deste mês, ações voltadas à juventude e à adolescência.

VIOLÊNCIA EM PERNAMBUCO

Pernambuco voltou a acender o alerta para o aumento da violência. Apenas nos dois primeiros meses do ano, 617 pessoas foram assassinadas. Um aumento de 11,2% em comparação com o mesmo período de 2021, quando houve 555 homicídios.

Preocupação maior está na Região Metropolitana e no Agreste, porque ambas apresentaram uma porcentagem muito elevada de mortes violentas.

Na Região Metropolitana (sem incluir o Recife), houve 188 assassinatos nos dois primeiros meses deste ano. Foram 34 vítimas a mais do que no mesmo período de 2021. O aumento de 22,8% foi puxado por alguns municípios onde a disputa pelo domínio do tráfico de drogas resulta em guerra entre facções.

Já no Agreste do Estado, houve um aumento de homicídios mais preocupante. De 112 casos entre janeiro e fevereiro de 2021, a região saltou para 152 no primeiro bimestre deste ano. A taxa de crescimento foi de 36,61%. O avanço das organizações criminosas - cada vez mais articuladas - tem desafiado o trabalho da polícia.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que, em conjunto com as demais forças de segurança, vem trabalhando para garantir o combate aos crimes no Estado.

"Ações cotidianas, Operações de Intervenção Tática e Operações de Repressão Qualificada vem contribuindo para reduzir os números da criminalidade. Tanto que houve uma redução nos números de latrocínio (roubo seguido de morte) que apresentaram um recuo de 16,67% em fevereiro."

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