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Coronavírus: com alta de infectados, Pernambuco pede apoio do governo federal para endurecer isolamento

O secretário Estadual de Saúde, André Longo, já vem afirmando, nos últimos dias, que o suporte das Forças Armadas é essencial para implementar o lockdown - ou quarentena absoluta

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 03/05/2020 às 21:07
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BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Filas e desorganização são observadas diariamente, em agências da Caixa Econômica Federal, neste período de isolamento social - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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O fim de semana foi marcado, em Pernambuco, por uma alta na curva de adoecimento pelo coronavírus além da média observada nos últimos dias, que já revelava uma franca aceleração da epidemia de covid-19. Com 811 casos da doença confirmados no sábado (2) e mais 498 neste domingo (3), foram 1.309 mil pessoas que testaram positivo para o vírus, em 48 horas, no Estado. Com isso, Pernambuco totaliza 8.643 infectados, sendo 5.344 pacientes que evoluíram para a forma grave da doença e 3.299 pessoas apresentaram quadros leves de covid-19. Também neste fim de semana, foram registrados 49 óbitos, que se somam aos acumulados desde o dia 25 de março (data da confirmação da primeira morte no Estado) e levam ao número de 652 vítimas fatais, em decorrência da doença até o momento. A expansão veloz da epidemia levou o governo de Pernambuco a solicitar apoio, ao Ministério da Saúde, no último sábado, para implantação de medidas vigorosas e reconhecimento público da necessidade do endurecimento do distanciamento social no Grande Recife.

Questionado pela reportagem do JC sobre a possibilidade de essas medidas mais rigorosas sinalizarem a proximidade de lockdown (fechamento total das atividades ou quarentena absoluta) na região, o secretário Estadual de Saúde, André Longo, disse que o governo de Pernambuco vem tratando dessa questão. Sobre o Estado já ter um plano para implantar quarentena absoluta no Grande Recife, diante de um retorno positivo do governo federal para apoiar as medidas, a assessoria da Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES) informou que “todos os cenários estão sendo discutidos e planejados no Gabinete de Enfrentamento à Pandemia”.

A partir desse cenário de aceleração da curva epidêmica, é observado que Pernambuco só precisou de nove dias para duplicar o número de infectados pelo novo coronavírus. No dia 24 de abril, eram 3.999 casos e 352 mortes. Por sinal, foi naquela data que o Estado, segundo boletim atualizado neste domingo (3), apresentou o maior número de pessoas que morreram por causa da covid-19 num único dia. Ao todo, apenas no dia 24, foram 46 pessoas que perderam a vida para o coronavírus. Considerado o epicentro da epidemia, o Recife concentra a maior fatia de adoecimentos em Pernambuco, com 4.702 casos confirmados da doença (54% de todo o Estado) e 273 mortes. Considerado os municípios da Região Metropolitana do Recife, essa área detém 90% das confirmações de covid-19 de Pernambuco. “Chegamos a um ponto extremamente crítico. Nosso sistema de saúde está sobrecarregado, e não há outra alternativa, a não ser reforçarmos de forma vigorosa o distanciamento social”, destacou o governador Paulo Câmara.

Desde o dia 14 de abril, André Longo levanta a possibilidade de lockdown no Estado, mas sempre deixou clara a necessidade de apoio do governo federal para se tomar essa medida. “Temos analisado os cenários todos os dias, e é certo que estamos na aceleração da curva. O índice isolamento social poderia estar na casa dos 70% (atualmente permanece na média de 50%). Obviamente é muito difícil pensar no lockdown ou na chamada quarentena absoluta sem o apoio do governo federal e das Forças Armadas. Temos avaliado essa situação diuturnamente o governador, secretários e técnicos para que possamos tomar melhores decisões para Pernambuco”, frisou Longo. No sábado (2), a Rede Solidária em Defesa da Vida (grupo formado por pesquisadores e demais profissionais com a missão de contribuir com a resposta à epidemia no Estado) se posiciona a favor de novas medidas coletivas para restringir ainda mais as possibilidades de contágio. “Uma delas é o lockdown”, diz o documento do movimento.

Atualmente, considerando os 435 leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) para casos suspeitos e confirmados de covid-19 da rede estadual, 98% estão ocupados, o que revela uma pressão na assistência hospitalar. Esse é um detalhe que exige um distanciamento social mais duro, assim como a rápida interiorização da epidemia no Estado, que já atinge 127 dos 184 municípios pernambucanos, além de Fernando de Noronha.

Lockdown

Em documento enviado a autoridades de Saúde do Estado, a Rede Solidária em Defesa alerta para que sejam adotadas medidas de isolamento social mais restritivas (lockdown), especialmente nos municípios da Região Metropolitana do Recife, com as seguintes ações adicionais às já adotadas em Pernambuco:

1) Suspensão expressa de todas as atividades não essenciais à manutenção da vida e da saúde, trazendo rol das atividades essenciais que ficariam excepcionadas dessa suspensão

2) Regulamentação do funcionamento dos serviços públicos e atividades essenciais, prescrevendo-se lotação máxima excepcional nesses ambientes e organização de filas

3) Vedação de circulação de veículos particulares, salvo transporte de pessoas no itinerário de serviços considerados como essenciais

4) Adoção de medidas de orientação e de sanção administrativa, quando houver infração às medidas de restrição social

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