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Missão é deitar curva epidêmica do coronavírus para salvar vidas em Pernambuco na segunda semana de quarentena

Índice de isolamento social, nas cinco cidades do Grande Recife onde as recomendações estão mais duras, caiu três pontos percentuais desde o início das medidas de restrição mais rigorosas

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 24/05/2020 às 22:54
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JAILTON JR./JC IMAGEM
Circulação de pessoas neste domingo, no Grande Recife, mostra por que as taxas de isolamento social se mantêm muito abaixo do ideal - FOTO: JAILTON JR./JC IMAGEM
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Com índice de isolamento social bem abaixo dos 70% preconizados para se conter a transmissão do novo coronavírus, Pernambuco chega à segunda semana de quarentena rigorosa com aumento na fiscalização de estabelecimentos comerciais, abordagens a veículos e orientação à população sobre a importância dar continuidade ao cumprimento de medidas mais rígidas para circulação de pessoas. Nas cinco cidades do Grande Recife onde as recomendações estão mais duras, a taxa média de isolamento social chegou a 57,1% no sábado (23), contra 60,1% no sábado anterior (16), primeiro dia em que foi iniciada a quarentena rígida.

Entre os cinco municípios onde está em vigor o isolamento social mais intenso estabelecido pelo decreto estadual, Olinda foi o que teve um índice mais alto: 60,6%. Em seguida, vêm Recife (58,7%), Camaragibe (56,2%), Jaboatão dos Guararapes (55,4%) e São Lourenço da Mata (54,9%). A partir de hoje, primeiro dia útil da última semana da quarentena rigorosa, a missão é não afrouxar a vigilância. Para isso, foram adicionadas mais barreiras para fiscalizar o rodízio de veículos: passaram de 43 para 50 pontos de bloqueio.

É uma estratégia para manter em casa a população, que só deve circular a pé ou no trânsito em caso de necessidade absoluta. Essa é atualmente a única ação, reconhecida cientificamente e que está ao alcance das autoridades de saúde, capaz de deitar a curva epidêmica e salvar vidas. O atual índice de isolamento social de 57,1% é mediano, o que nos leva a perceber o quanto pouco avançamos, mesmo vivendo uma quarenta dura desde o último dia 16. A mensagem que agora fica é que uma parte da população pode se esforçar ainda mais esta semana para ajudar o Estado adiar a chegada ao pico do novo coronavírus.

Em reportagem publicada no sábado (23), nesta coluna, a médica sanitarista Bernadete Perez, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), frisou que as taxas atuais de isolamento social no Recife, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe, São Lourenço da Mata e Olinda não estão suficientes para conter o crescimento dos casos e das mortes, como também para permitir que a rede de saúde consiga atender os pacientes de forma adequada.

“Não adianta só termos um decreto para instituir uma quarentena se não existe uma política de proteção social para os mais vulneráveis. É muito difícil, por exemplo, fazer isolamento em palafitas do Recife. As pessoas que vivem nessas condições, aliadas ao calor da cidade, não conseguem sobreviver sem circular. São medidas delicadas para uma região com muita desigualdade social como a nossa”, salientou Bernadete. A partir do depoimento dela, percebe-se o quanto a quarentena é realmente valiosa para salvar vidas. As medidas restritivas, no entanto, precisam vir acompanhadas de soluções que garantam o bem-estar e a sobrevivências das pessoas socioeconomicamente vulneráveis.

O boletim deste domingo (24) da Secretaria Estadual de Saúde mostrou que subiu para 2.200 o número de mortes e para 27.759 o volume de pessoas já infectadas pelo novo coronavírus em Pernambuco. Dos 12.391 casos graves, 1.616 evoluíram bem, receberam alta hospitalar e estão em isolamento domiciliar. Outros 4.731 estão internados, sendo 232 em leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) e 4.499 em vagas de enfermaria das redes pública e privada. As taxas de ocupação dos leitos revelam que a covid-19 continua a fazer pressão na assistência hospitalar: 97% das 614 vagas da rede estadual estão com pacientes sendo assistidos.

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