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Pernambuco volta a ter aumento de casos e registra maior número de mortes por coronavírus em 24 horas

Segundo a SES-PE, o expressivo aumento no número de mortes no boletim desta quarta está relacionado ao atraso na informação sobre a ocorrência dos óbitos pela rede hospitalar

Katarina Moraes Bruna Oliveira
Katarina Moraes
Bruna Oliveira
Publicado em 27/05/2020 às 11:55
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AMAZÔNIA REAL
Funcionários usam equipamento de proteção individual (EPI) da cabeça aos pés ao enterrar vítima do coronavírus - FOTO: AMAZÔNIA REAL
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Após apresentar queda novos casos de coronavírus confirmados nos últimos quatro dias, Pernambuco voltou a apresentar números altos da covid-19. Nesta quarta-feira (27), a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informou que foram confirmadas mais 1.065 casos de pessoas infectadas pelo vírus. Além disso, também foram confirmadas mais 140 mortes, recorde diário, que ocorreram desde o dia 19 de abril. O número mais alto de mortes, 132, havia sido registrado na sexta-feira (22). Segundo a SES-PE, o expressivo aumento no número de mortes no boletim desta quarta está relacionado ao atraso na informação sobre a ocorrência dos óbitos pela rede hospitalar. No total, Pernambuco agora tem 29.919 casos e 2.468 mortes.

Pernambuco vinha apresentando queda nos números de casos diários divulgados pela SES-PE desde o último sábado (23), quando Estado confirmou 1.026 novos casos e 87 mortes. Já no domingo (24), foram 973 casos e 56 óbitos. Na segunda-feira (25), a Secretaria divulgou 607 novos casos e 48 novas mortes e na terça-feira (26), 488 novos casos e 80 óbitos.

Dos 1.065 novos casos divulgados nesta quarta, 247 se enquadram como Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), que é quando os pacientes foram internados e/ou tiveram quadros mais graves da doença; e 818 se enquadram como casos leves. Já com relação ao total de casos, 13.086 se enquadram como graves e 16.833 como leves.

Isolamento social

Para impedir uma disseminação ainda maior do novo coronavírus, Pernambuco resolveu apostar no isolamento social. No dia 16 de maio, o Estado implantou um regime de lockdown, que proíbe a circulação de pessoas pelas ruas sem que haja necessidade, além de realizar rodízio de veículos. A medida é válida para os municípios do Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Camaragibe e São Lourenço da Mata até o dia 31 do mesmo mês.

Nessa terça-feira, Recife e Olinda foram as únicas entre as cinco cidades a figurarem no ranking dos 10 municípios de Pernambuco que obtiveram maior isolamento social, segundo o índice feito pelo Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE) em parceria com o Porto Digital e a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE). As cidades-irmãs ocuparam o 5º e 6º lugar da lista, enquanto São Lourenço da Mata, Jaboatão dos Guararapes e Camaragibe ficaram em 14º, 20º e 22º, respectivamente.

Mais uma vez, nenhuma cidade do Estado atingiu a taxa de 70%, ideal, segundo Governo de Pernambuco, para frear a disseminação do novo coronavírus. Recife, com população de 1.6 milhão de pessoas, de acordo com estimativa de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atingiu 50,9% de reclusão nessa terça. No mesmo dia útil da última semana, dia 19, a capital bateu 54%.

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No mesmo recorte de tempo, também houve queda em todas as outras quatro cidades em isolamento. Com população de 392 mil, Olinda, que estava com índice em 54% no dia 19, chegou a 50,4% nesta terça. São Lourenço da Mata, que tem 113 mil habitantes, caiu de 50% para 47,9% no índice de reclusão, no mesmo período. Jaboatão dos Guararapes tem população de 702 mil e foi de 51% de reclusão para 47,1%. Já Camaragibe, com 157 mil, estava com taxa de 51% e foi para 47% nessa terça.

"Muitos dizem que a pandemia termina em junho ou julho; ledo engano"

Enquanto ainda não se tem vacina contra covid-19 nem mesmo um tratamento específico para evitar complicações da doença, o isolamento social é considerado alternativa eficaz para combater a pandemia. No entanto, a forma como ele tem sido aferido tem sido questionada por especialistas. Professor do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Gauss Cordeiro acredita que se trata de uma medida sujeita a erros.

“O índice de isolamento social é difícil de ser avaliado. Vamos exemplificar o caso em que uma pessoa, com quatro celulares, passa quatro dias em casa. Ela aumenta assustadoramente essa taxa. Por outro lado, aglomerações que vemos no fim de semana, feitas por pessoas sem celular, não causarão impacto sobre o isolamento. Com base na telefonia móvel, esse índice é extremamente falho. Poderiam existir outras taxas medidas através de radar ou de drones”, destacou o professor nessa terça-feira em entrevista à reportagem do JC.

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Ex-presidente da Associação Brasileira de Estatística e pós-doutor pela Universidade de Londres, Gauss reconhece o quanto é difícil fazer predições nesta pandemia, porque qualquer previsão para um período superior a 15 dias leva a erros graves. “Muitos dizem que essa pandemia chega ao fim em junho ou julho. Eu gostaria era que terminasse amanhã; ledo engano. Ela vai se estender por 2021. Claro que vamos ter que voltar (às atividades) no segundo semestre com medidas rígidas, usando máscaras e fazendo o distanciamento social.”

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O professor ainda destaca que as escolas certamente não devem retomar as aulas este ano ainda. “Se voltarem, surgirão novos infectados e mortes. Mesmo os jovens, com imunidade maior, chegarão em casa e contaminarão pai, tio, avô e assim por diante. É um jogo difícil de se vencer.”

As projeções de Gauss apontam que, até 1º de junho, Pernambuco deve alcançar 2,8 mil a 3 mil óbitos por covid-19. “Para evitar aglomerações, sou a favor do Exército atuando, nos fins de semana, nas capitais mais atingidas pelo vírus, como o Recife. Se houver um só infectado nas ruas, mesmo sem sintomas, ele passa (o vírus) para os outros, que poderão entrar nas tristes estatísticas”, disse o professor.


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