SAÚDE

Recife tem primeiro dia sem confirmação de morte por covid-19 desde abril

Até o momento, o Recife soma 32.029 pessoas oficialmente notificadas como infectadas pelo novo coronavírus, sendo 23.088 casos leves e 8.941 casos de SRAG

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 08/09/2020 às 8:01
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TIZIANA FABI / AFP
Em Pernambuco, por outro lado, foram confirmados laboratorialmente 19 óbitos em 15 diferentes cidades - FOTO: TIZIANA FABI / AFP
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*Errata: A reportagem trazia que o primeiro dia sem confirmação de mortes pela covid-19 no Recife aconteceu nessa segunda (7) desde março. A informação foi corrigida às 9h52, porque no dia 3 de abril o boletim diário também não trouxe novos óbitos.

No dia 25 de março de 2020, Recife confirmava o primeiro óbito pela covid-19. Um idoso de 85 anos com histórico de diabetes e hipertensão, além de cardiopatia isquêmica, faleceu no Hospital Oswaldo Cruz, centro da cidade, onde estava internado desde o dia 20 de março. Desde então, foram notificadas novas mortes pela doença todos os dias. Além do dia 3 de abril, só nessa segunda-feira, 7 de setembro, a capital pernambucana não teve registro diário de mortes pelo novo coronavírus, apenas de 15 novos casos. Não ter tido notificação de óbitos, entretanto, não significa dizer que estes não existiram, já que, em muitos casos, as confirmações da doença são feitas dias após a morte do paciente.

Para o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, a nulidade não foi uma surpresa. "É uma certa sintonia com o que se observa nos noticiários e dados epidemiológicos. Ontem foi zero, mas já tivemos, recentemente, dias com apenas uma morte confirmada. Não é um caso isolado, é um dado que representa uma tendência de estabilidade em baixa do número de casos graves e do número de óbitos do Recife", disse.

Para a infectologista Vera Magalhães, o indicativo é positivo, mas não representa motivo para relaxamento. "É óbvio que é uma boa notícia de que não houve registro [de mortes], mas ainda não é momento de relaxar, porque estamos olhando apenas para o número de óbitos, que são casos graves, que vão para a UTI e morrem da covid. Isso é um dado bom, mas é insuficiente para garantir que não haja circulação viral, porque ainda estão sendo registrados novos casos da covid", afirmou. "Pelo comportamento das últimas semanas, está havendo, realmente, um controle desses óbitos, mas não sabemos em que nível está a infecção, porque não testamos de forma ampla", explicou.

A infectologista alerta, ainda, que medidas sanitárias de prevenção ao coronavírus devem ser mantidas, visando prevenir uma segunda onda da doença em Pernambuco. "Acho que tem que haver a flexibilização para a retomada de algumas atividades, mas deve haver o uso amplo de máscara para sintomáticos e assintomáticos, quem teve e quem não teve, deve haver o distanciamento social e a higienização das mãos, e deve-se evitar ambientes fechados. Ainda devem se manter em restrição as pessoas do grupo de risco e com complicações", orientou.

 

Os cuidados recomendados, no entanto, estão sendo deixados de lado por grande parte dos pernambucanos, como se pode observar no mesmo dia, feriado de 7 de setembro, nas praias do Estado. De Boa Viagem, no Recife, a Porto de Galinhas, em Ipojuca, as areias foram tomadas por milhares de pessoas, muitas descumprindo as recomendações sanitárias, que não foram inibidas pela tímida fiscalização do poder público. Em alguns locais das praias, clientes e comerciantes não se importaram em medir a distância mínima recomendada entre 1,5 metro entre as barracas.

BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Em dia de muito sol, o feriadão de Sete de Setembro, lota a Praia de Boa Viagem de banhistas. - BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Fiscalização tímida não inibiu areias lotadas de gente em Pernambuco e descumprimento de normas sanitárias - BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
Com o feriado de 7 de Setembro muita gente decidiu curtir a folga na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife - TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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Com o feriado de 7 de Setembro muita gente decidiu curtir a folga na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife - TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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Com o feriado de 7 de Setembro muita gente decidiu curtir a folga na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife - TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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No Feriadão prolongado de 7 de Setembro, a Praia de Porto de Galinhas fica lotada de banhistas. Mesmo com o coronavírus circulando, muita gente não usava máscara e havia muita aglomeração. Com o fim da proibição das barracas e ambulantes, os comerciantes estavam satisfeitos com as vendas e com retrno dos turistas. - BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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No Feriadão prolongado de 7 de Setembro, a Praia de Porto de Galinhas fica lotada de banhistas. Mesmo com o coronavírus circulando, muita gente não usava máscara e havia muita aglomeração. Com o fim da proibição das barracas e ambulantes, os comerciantes estavam satisfeitos com as vendas e com retrno dos turistas. - BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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No Feriadão prolongado de 7 de Setembro, a Praia de Porto de Galinhas fica lotada de banhistas. Mesmo com o coronavírus circulando, muita gente não usava máscara e havia muita aglomeração. Com o fim da proibição das barracas e ambulantes, os comerciantes estavam satisfeitos com as vendas e com retrno dos turistas. - BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Porto de Galinhas foi destino de muitos turistas neste feriadão da Independência - BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Bruno Campos/JC Imagem
Praia de Boa Viagem no domingo, 06 de setembro - Bruno Campos/JC Imagem

Esse cenário inquietou autoridades sanitárias, sanitaristas, epidemiologistas e parte da população que tem consciência de que o novo coronavírus ainda está entre nós. Para a médica epidemiologista Ana Brito, pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, a consequência do comportamento adotado nas praias no feriadão será refletida nos próximos dias. "A expectativa é que, daqui a 5 dias, volte a aumentar o número de casos. De 10 a 14 dias, podem aparecer as formas moderadas e graves da covid-19. O vírus ainda circula", destaca Ana Brito.

Já o secretário Jailson Correia afirmou à reportagem que se preocupa com a exposição que aconteceu nas praias, principalmente com grupos vulneráveis. "Foi um fenômeno nacional, talvez de uma fadiga do confinamento. Naturalmente, nos preocupamos com a exposição que aconteceu, [porque] ela pode representar novos casos daqui a uma ou duas semanas, e é por isso que vamos monitorar cautelosamente, como já fazemos. É importante lembrar que as exposições ao vírus acontecem de forma diferenciada para diversos públicos da nossa população. Crianças e adolescentes, por exemplo, nos preocupam mais ainda por estarem nessa aglomeração. E, naturalmente, a população de maior vulnerabilidade, a dos idosos; porque mesmo que não tenham ido à praia, podem, no convívio familiar, ter um retorno da circulação e haver uma nova onda de casos", alerta.

Até o momento, o Recife soma 32.029 pessoas oficialmente notificadas como infectadas pelo novo coronavírus, sendo 23.088 casos leves e 8.941 casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG). Destes últimos, 2.309 evoluíram para o óbito.

Primeira morte

A primeira vítima fatal da covid-19 no Recife foi um idoso de 85 anos, que estava internado no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), em Santo Amaro, área central do Recife, no dia 25 de março. O paciente, morador do Recife, tinha histórico de diabetes e hipertensão, além de cardiopatia isquêmica. Ele apresentou os primeiros sintomas no dia 18 de março e foi internado no Huoc no dia 20 de março.

Antes de ir ao Huoc, o idoso foi atendido, no dia 19, em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), com um quadro de febre, tosse seca, dispneia (dificuldade de respirar) e dor toráxica. O paciente recebeu assistência na UPA, onde foi entubado e, em seguida, transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Huoc. No hospital, foi iniciado tratamento medicamentoso, com antibiótico e com o antiviral oseltamivir (tamiflu), indicado para tratar influenza em pessoas com quadro de síndrome respiratória aguda grave (srag).

Apesar de o idoso ter apresentado melhora no quadro respiratório e infeccioso, ele teve uma piora na função renal, pelo histórico de comorbidade, sendo necessário iniciar, no dia 24 de março, diálise, considerada um procedimento de risco para pessoas acima dos 80 anos. Na manhã da quarta-feira (25), durante a sessão de diálise, o homem teve uma parada cardiorrespiratória. Apesar das tentativas de reanimação pela equipe médica, o senhor faleceu durante a manhã.

Covid-19 em Pernambuco

Em Pernambuco, por outro lado, foram confirmados laboratorialmente 19 óbitos em 15 diferentes cidades nessa segunda-feira (7), ocorridos desde 30 de maio. Com isso, o Estado totaliza 7.721 mortes pela doença. Do total de mortes do informe, seis (32%) ocorreram nos últimos três dias: dois domingo (06), dois sábado (05) e dois na sexta-feira (04). Os outros 13 registros (68%) ocorreram entre 30 de maio e 24 de agosto.

Novos 268 casos de covid-19 foram confirmados. Entre esses, 38 (14%) são registros de pessoas com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Os outros 230 (86%) são leves, ou seja, pacientes que não precisaram ser internados em hospitais. Agora, o Estado totaliza 132.420 casos confirmados, sendo 25.589 graves e 106.831 leves.


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