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Com repique de casos de covid-19 e 84% na ocupação de UTIs, Pernambuco apela para prorrogação do custeio de leitos

Pernambuco solicitou, ao governo federal, prorrogação de custeio da manutenção de 317 leitos de UTI voltados a pacientes que apresentam suspeita ou confirmação da infecção pelo novo coronavírus

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 30/11/2020 às 23:26
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FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
ÓBITOS Estado teve em novembro 410 mortes, 34 a mais que no mês anterior, rompendo a queda desde junho - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Em paralelo ao repique da covid-19 em Pernambuco, com um mês de novembro que teve 410 mortes confirmadas laboratorialmente (34 a mais do que outubro, rompendo a tendência de queda mantida desde junho), Pernambuco solicitou ao governo federal prorrogação de custeio da manutenção de 317 leitos de terapia intensiva (UTI) voltados a pacientes que apresentam suspeita ou confirmação da infecção pelo novo coronavírus. O anúncio, feito nesta noite pelo Ministério da Saúde, destaca que a continuidade no financiamento dessas vagas conta com investimentos de R$ 15,2 milhões para nove municípios pernambucanos. São eles: Recife; Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão dos Guararapes e Olinda (Região Metropolitana); Caruaru e Garanhus (Agreste); Araripina, Arcoverde e Serra Talhada (Sertão).

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Para prorrogação, a taxa de ocupação dos leitos deve ser superior a 50% das vagas encontradas no plano de contingência para a pandemia. No caso de Pernambuco, os índices se mantêm maiores do que 80% desde a primeira quinzena de novembro. O Estado chegou a reativar 184 leitos nos últimos dias, incluindo UTI e enfermaria. Contudo, mesmo após a reabertura das vagas, as taxas permanecem altas: nesta segunda-feira (30), 84% dos 829 leitos de UTI estavam com pacientes, e 66% dos 806 de enfermaria permaneciam ocupados. O Ministério da Saúde informou ainda que tem investido o dobro do valor habitual destinado à habilitação das vagas de UTI, saindo de R$ 800 para R$ 1,6 mil em parcela única. "Os gestores dos Estados e municípios recebem o valor antes mesmo da ocupação do leito", destaca, em nota, a pasta.

O gestor local de saúde pode solicitar, de acordo com o governo federal, a prorrogação quantas vezes avaliar necessário, desde que atenda as orientações. Em Pernambuco, segundo divulgou o ministério, desde o início da pandemia, foi custeada a manutenção de 897 leitos de terapia intensiva. O valor investido, pelo governo federal, é de R$ 129,1 milhões, pago em parcela única para o custeio desse tipo de assistência pelos próximos 90 dias - ou enquanto houver necessidade em decorrência da pandemia. "O quantitativo de leitos a serem habilitados estão relacionados à taxa de ocupação na data da análise", esclarece a pasta. Em todo o Brasil, o Ministério da Saúde já prorrogou 12.429 leitos de UTI adulto e pediátrico, com investimentos de R$ 595,1 milhões, para 24 Estados e o Distrito Federal.

A reportagem do JC tentou apurar, com a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES), mais detalhes sobre a solicitação da prorrogação do custeio dos 317 leitos de UTI ao Ministério da Saúde. A assessoria de comunicação da SES confirmou apenas que se trata da continuidade do financiamento dos leitos, mas que não tinha como dar mais informações sobre o adiamento na noite desta segunda-feira (30).

Casos de srag

A última semana epidemiológica, a de número 48 (de 22 a 28 de novembro), contabiliza 645 casos de síndrome respiratória aguda grave (srag) - 67 a mais, em comparação com a semana anterior, a 47ª. Os dados ainda estão sujeitos à atualização, já que muitas das notificações entram tardiamente no sistema. Com isso, o número da 48ª semana ainda tende a aumentar. Das 645 pessoas com quadros respiratórios graves, suspeitos de covid-19, naquela semana, 101 já tiveram o resultado laboratorial confirmado para a infecção.

"Temos adotado os mais rígidos parâmetros científicos em nossas análises sobre o cenário da doença. Reforço que a pandemia ainda não acabou. Neste momento, só a prevenção nos protege efetivamente contra o vírus", disse, em coletiva de imprensa na última semana, o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo. O chefe do Setor de Infectologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, Demetrius Montenegro, também faz alerta. "O que me preocupa é que as pessoas não respeitam as regras das autoridades sanitárias e fazem, por exemplo, encontros e festas sem distanciamento social e outros cuidados essenciais", acrescenta.

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