Imunização

Pernambuco discutirá aplicação de terceira dose da vacina contra a covid-19 em grupos específicos; entenda

A presença da variante Delta no Estado e a queda da resposta de imunidade de algumas vacinas são questões que serão consideradas para analisar necessidade de aplicação da terceira dose em alguns grupos

Cinthya Leite Ana Maria Miranda
Cinthya Leite
Ana Maria Miranda
Publicado em 13/08/2021 às 7:48
BRUNO CAMPOS / JC IMAGEM
Vacinação contra covid-19 no Recife - FOTO: BRUNO CAMPOS / JC IMAGEM
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A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) deverá iniciar em breve uma discussão sobre a aplicação de uma terceira dose da vacina contra a covid-19 em grupos específicos, de pessoas com maior risco de desenvolver a forma grave da doença e levar ao óbito do paciente. Durante coletiva de imprensa realizada pelo governo estadual nessa quinta-feira (12), o médico e representante da Sociedade Brasileira de Imunizações, Eduardo Jorge da Fonseca Lima, afirmou que a questão, considerada polêmica, ainda está sendo estudada em todo o mundo.

"Nós temos a certeza que a imunidade de algumas vacinas cai com o passar do tempo. Precisamos acompanhar e ter a certeza absoluta da queda desses anticorpos e da relação de perda de anticorpos com risco de adoecimento. Isso é ainda um conhecimento que está sendo construído", destacou Lima, que é  integrante dos comitês de vacinação contra o coronavírus no Recife e em Pernambuco.

Segundo o médico, outro fator que precisa ser levado em consideração é a presença da variante Delta em Pernambuco. Durante a coletiva, o secretário estadual de Saúde, André Longo, anunciou que os dois primeiros casos da variante em pernambucanos foram confirmados: um homem de 49 anos que mora em Olinda e outro de 24, residente em Abreu e Lima. O resultado veio de mais uma rodada de sequenciamento genético de amostras de pacientes positivos para a covid-19, feita pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM), unidade da Fiocruz em Pernambuco. Das 52 amostras, duas apresentaram a variante Delta, detectada inicialmente na Índia.

Antes, o IAM havia identificado cinco casos da variante, em tripulantes filipinos de navio que precisou atracar no Estado para que eles recebessem atendimento médico. "Sabemos que para esta variante, o escape da resposta da vacina é um pouco maior do que das variantes anteriores e que é importantíssimo ter as duas doses primeiro", disse Eduardo Jorge.

Para o médico, o debate sobre a terceira dose deve ser iniciado ainda este ano, mas a prioridade atualmente é garantir a imunização de toda a população acima de 18 anos com duas doses. "Há alguns grupos especiais: os idosos, os pacientes que têm imunodeficiência, que em um cenário epidemiológico que aponte para diminuição da proteção e maior risco de circulação da variante Delta, precisaremos sim, começar, em breve, a discussão com a revacinação com a terceira dose", explicou.

O médico esclareceu que uma eventual terceira dose dependeria ainda "do tipo de vacina que a pessoa tomou anteriormente, do cenário epidemiológico e da certeza que toda a população já tomou as suas duas doses".

Casos da variante Delta em pernambucanos

Os dois pernambucanos apresentaram os primeiros sintomas da infecção pelo coronavírus em 15 de julho, de acordo com a SES-PE. Eles foram notificados no sistema e-SUS, voltado para os casos leves da doença, e já se recuperaram, sem necessidade de hospitalização.

O secretário informou ainda que, a partir desses dois casos em pernambucanos, já foi dado início ao processo de vigilância epidemiológica, a fim de analisar se já existe transmissão local da delta no Estado. "Mas estamos falando de uma variante mais transmissível do que as demais. Então, é provável que haja transmissão comunitária - aquela em que não é possível identificar a origem da infecção."

Na análise preliminar, a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES) já identificou que os homens tomaram a vacina contra a covid-19, o que pode ter auxiliado para que os quadros fossem leves. De acordo com o sistema de informação do Ministério da Saúde, o homem de 24 anos completou o esquema vacinal em março com a Coronavac. Já o de 49 anos tomou a primeira dose da Pfizer em maio.

Com a detecção da delta nesses dois moradores de cidades pernambucanas, André Longo frisou que a variante desponta como mais uma questão que exige reforço nos cuidados para se evitar a infecção pelo coronavírus. Ele também reforçou a importância da vacinação. "É uma estratégia de saúde coletiva, e nenhum imunizante tem 100% de eficácia. Por isso, precisamos do maior número de pessoas vacinadas, bem como a manutenção do cuidado, para diminuir a circulação do vírus e garantir proteção a todos. As vacinas comprovadamente protegem e podem salvar vidas", destacou.

O secretário ainda convocou os pernambucanos a completarem os esquemas vacinais. "Quem está em atraso com sua segunda dose em Pernambuco, esse (achado da delta) é mais um motivo para buscar agendar a segunda dose ou buscar o posto de saúde naqueles casos que não exigem agendamento." 

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