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Poliomielite: queda em taxa de vacinação em Pernambuco preocupa e acende perigo de reintrodução de vírus que causa paralisia infantil

Vírus da poliomielite tem o potencial de causar paralisia e morte

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 24/10/2021 às 19:11
IKAMAHÃ/SESAU
Na rotina de vacinação infantil nas Unidades Básicas de Saúde, a gotinha é aplicada nas doses de reforço dos 15 meses e dos 4 anos de idade e em campanhas de vacinação para crianças de 1 a 4 anos - FOTO: IKAMAHÃ/SESAU
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Neste Dia Mundial de Combate à Poliomielite (24 de outubro), autoridades e profissionais de saúde se mostram preocupados com a doença, responsável pela paralisia infantil. Erradicada há anos no Brasil devido a campanhas anuais de vacinação e a medidas de vigilância epidemiológica, a poliomielite (também chamada de pólio) passa a preocupar pela volta de registros da doença ao redor do mundo e pelo aumento de famílias que escolhem não vacinar seus filhos.

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Atualmente, em Pernambuco, o alerta é para a baixa vacinação contra a pólio: a cobertura vacinal está em 66,63% para menores de 1 ano, em 51,98% no 1º reforço (15 meses a 18 meses) e em 40,10% no 2º reforço (5 anos). O recomendado é que a cobertura vacinal contra a doença esteja em 95%. Afinal, a poliomielite se espalha em populações com baixa cobertura vacinal, e o vírus tem o potencial de causar paralisia.

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Neste mês em que ocorre a Campanha de Multivacinação para Atualização da Caderneta de Vacinação, voltada para crianças e adolescentes até os 14 anos, o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, fez um alerta. "Estamos preocupados com a baixíssima cobertura das vacinas para esse público. Muitas das doenças que são evitáveis por esses imunizantes são ainda mais graves para as crianças do que a covid-19. Com as atuais coberturas, todos, mas especialmente as crianças, estão correndo perigo. É cada vez mais latente o risco do retorno de doenças que estavam erradicadas ou com baixa ocorrência, até porque não atingimos meta para nenhuma das vacinas indicadas para o público infantil em 2021”, destacou André Longo.

Baixas coberturas

Atualmente, a cobertura vacinal em Pernambuco para os imunobiológicos indicados às crianças menores de 1 ano se configura da seguinte forma: BCG (71,95%), pneumocócica (68,63%), pentavalente (66,87%), poliomielite (66,63%), meningocócica (65,43%) e rotavírus humano (65,03%). A situação se repete quando observado o público maior de um ano de idade: hepatite A (62,89%), tríplice viral – doses 1 e 2 (72,19% e 44,02%), meningococo C (66,30%), pneumocócica (66,08%), poliomielite – 1º reforço (51,98%) e 2ª reforço (40,10%), dTp – 1º reforço (57,57%) e 2ª reforço (47,26%) e varicela (63,86%).

“Os municípios devem elaborar estratégias que possibilitem o acesso desse público-alvo de maneira efetiva e rápida. Alternativas podem ser criadas, como a abertura de postos de saúde ou pontos de vacinação nos fins de semana, e até mesmo ir às escolas realizar a imunização no local”, afirmou a superintendente de Imunizações do Estado, Ana Catarina de Melo.

A campanha de multivacinação segue até o dia 29 deste mês. Durante esse período, estarão disponíveis 18 vacinas. Para as crianças com menos de 7 anos, serão disponibilizadas vacinas de BCG, hepatite B, pentavalente, poliomielite, rotavírus, pneumocócica 10, meningocócica C, febre amarela, tríplice viral, varicela, hepatite A e DTP. Quem tem entre 7 e 14 anos pode receber vacina de hepatite B, tríplice viral, febre amarela, varicela, difteria e tétano adulto, meningocócica ACWY, HPV, e dTpa, por exemplo.

Esquemas de doses contra poliomielite: 

  • Injetável – Na rotina de vacinação infantil: aos 2, 4 e 6 meses, com reforços entre 15 e 18 meses e entre 4 e 5 anos de idade. Na rede pública, as doses, a partir de um ano de idade, são feitas com a vacina oral
  • Oral – Na rotina de vacinação infantil nas Unidades Básicas de Saúde, é aplicada nas doses de reforço dos 15 meses e dos 4 anos e em campanhas de vacinação para crianças de 1 a 4 anos

A doença permanece endêmica em três países: Afeganistão, Nigéria e Paquistão. Como resultado da intensificação da vacinação, no Brasil não há circulação de poliovírus selvagem (da poliomielite) desde 1990. Em 1994, a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) declarou a erradicação nas Américas do vírus selvagem da poliomielite.

Quais são os sintomas da poliomielite?

Os sinais e sintomas da poliomielite variam conforme as formas clínicas, desde ausência de sintomas até manifestações neurológicas mais graves. A poliomielite pode causar paralisia e até mesmo a morte.

Os sintomas mais frequentes são:

  • febre
  • mal-estar
  • dor de cabeça
  • dor de garganta e no corpo
  • vômitos
  • diarreia
  • constipação (prisão de ventre)
  • espasmos
  • rigidez na nuca
  • meningite

Na forma paralítica ocorre:

  • Instalação súbita de deficiência motora, acompanhada de febre
  • Assimetria acometendo, sobretudo a musculatura dos membros, com mais frequência os inferiores
  • Flacidez muscular, com diminuição ou abolição de reflexos profundos na área paralisada
  • Sensibilidade conservada
  • Persistência de paralisia residual (sequela) após 60 dias do início da doença

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