TURISMO DE EVENTOS

Com principais eventos cancelados, Pernambuco espera lockdown surtir efeito

Além do tradicional São João de Caruaru, Estado deixará de realizar pelo menos outros 25 eventos, entre feiras, congressos e shows que ocorreriam no Centro de Convenções. Retomada depende de respeito ao isolamento social

Mona Lisa Dourado
Mona Lisa Dourado
Publicado em 19/05/2020 às 9:00
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Foto: Ricardo Almoêdo
São João de Caruaru pode ganhar versão online - FOTO: Foto: Ricardo Almoêdo
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Como manda o bom senso, o São João de Caruaru foi cancelado. Ao menos a versão presencial, para evitar aglomerações. Há esperança de que um arraial online possa levar um mínimo de consolo a quem espera o ano inteiro pela festa. Seja como for, deixarão de circular na economia local os cerca de R$ 200 milhões que o evento costuma movimentar durante todo o mês de junho.

O Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), que ocorre tradicionalmente em julho, trilha o mesmo caminho. Falta apenas a confirmação oficial de governo e município, que não sabem informar a receita gerada pelo evento.

A Fenearte também deve adotar um novo formato, a ser anunciado nos próximos dias, para não deixar os artesãos ainda mais desamparados e sem alternativa de sobrevivência em meio à pandemia do novo coronavírus. No ano passado, a feira resultou em negócios da ordem de R$ 45 milhões.

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JC IMAGEM
Fenearte deve ter formato modificado para não deixar artesãos desamparados - JC IMAGEM

No Centro de Convenções de Pernambuco (Cecon-PE), entre os eventos programados (feiras, congressos, shows – no teatro e na área externa), 23 ficaram para o segundo semestre, 16 foram reagendados para 2021, incluindo a Hotel & Food Nordeste, e outros 25 foram cancelados, caso da Cúpula Hemisférica dos Prefeitos e Governos Locais. Uma frustração de faturamento de R$ 700 mil apenas para o equipamento, sem considerar toda a cadeia de serviços ativada.

ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Hotel &Food Nordeste foi uma das feiras adiadas para 2021 - ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM

O sacrifício é geral e o prejuízo, sem precedentes, em qualquer lugar do mundo. Até o dia 10 de maio, as perdas do turismo já somavam R$ 1,78 bilhão em Pernambuco, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que contabiliza principalmente o impacto econômico da redução drástica (superior a 90%) do número de voos. No Brasil, o prejuízo é estimado em R$ 62,56 bilhões.

Foto: Centro de Convenções / Divulgação
Centro de Convenções de Pernambuco adiou 23 eventos para o segundo semestre, reagendou 16 para 2021 e canelou outros 25 - Foto: Centro de Convenções / Divulgação

Sem falar nos 300 mil empregos no setor que podem ser perdidos no País, também segundo a CNC. No Estado, não há projeção semelhante. No entanto, pesquisa do Departamento de Hotelaria e Turismo da UFPE junto ao trade de Porto de Galinhas apontou que pelo menos 40% dos trabalhadores dos hotéis já foram demitidos.

Poderia ter sido diferente? E se tivéssemos respeitado com mais rigor o isolamento social desde o início? Poderíamos estar começando a executar protocolos de retomada com segurança, em vez de endurecer medidas para não colapsar de vez? A experiência no ambiente controlado de Fernando de Noronha, que conseguiu barrar a transmissão vírus, parece apontar uma direção.

 

ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Fernando de Noronha conseguiu barrar transmissão do novo coronavírus - ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM

Mas enquanto disputas políticas trataram de esticar ao limite uma falsa dicotomia entre economia e saúde, perdemos tempo. Em vez de negar o óbvio, mais fácil, e rápido, teria sido fazer o que era preciso para combater o inimigo comum, que é um só: a covid-19.

Foi nela que países com forte crescimento da atividade turística, como é o caso de Portugal, focaram. É lá que as portas dos hotéis já vão começar a reabrir em junho, a tempo de aproveitar o verão europeu, para atenuar as perdas.

E nós? Seguimos, esgarçados, à espera de um porvir que ainda não se tem ideia de como será.

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Fenearte deve ter formato modificado para não deixar artesãos desamparados - FOTO:JC IMAGEM
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Hotel & Food Nordeste foi uma das feiras adiadas para 2021 - FOTO:ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
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Fernando de Noronha conseguiu barrar transmissão do novo coronavírus - FOTO:ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM

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