REABERTURA

Retomada dos passeios de jangada em Porto de Galinhas, no Litoral Sul de Pernambuco, anima o turismo

Apesar de o movimento ainda não ser o mesmo do pré-pandemia, trabalhadores e entidades do balneário comemoram a flexibilização do isolamento social e chamam a atenção para a necessidade de cumprimento dos protocolos de segurança

Mona Lisa Dourado Marcelo Aprígio
Mona Lisa Dourado
Marcelo Aprígio
Publicado em 04/08/2020 às 9:54
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RESTRIÇÃO Capacidade das jangadas agora é de quatro passageiros - FOTO: WILDERSON PIMENTEL/DIVULGAÇÃO
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Com o retorno dos passeios de jangada para as piscinas naturais, a praia de Porto de Galinhas, no Litoral Sul de Pernambuco, já sente os efeitos da retomada do atrativo turístico mais conhecido do balneário. Apesar de o movimento ainda não ser o mesmo do período pré-pandemia, trabalhadores e entidades do principal destino turístico do Estado comemoram a flexibilização do isolamento social e se dizem preparados para o "novo normal" da praia. A alta procura pelas jangadas no primeiro fim de semana após a liberação do serviço evidenciou a necessidade de seguir protocolos para evitar a disseminação do novo coronavírus, como o uso obrigatório de máscaras e álcool em gel.

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Segundo o presidente da Associação de Jangadeiros de Porto, Sávio Accioly, a capacidade máxima das embarcações foi limitada a quatro passageiros, quando antes eram seis. Além disso, as jangadas são higienizadas ao fim de cada passeio, cujo tempo foi reduzido. "Em vez de uma hora, a gente só está fazendo passeio de 45 minutos. Com isso, evitamos aglomeração nos arrecifes", explica. "Mesmo com as limitações, pra gente foi muito bom, porque várias pessoas procuravam pelos passeios", comemora o jangadeiro, contabilizando pelo menos 250 clientes no fim de semana.

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Porto de Galinhas - WILDERSON PIMENTEL/SECOM

Sávio acredita em dias melhores com o retorno de voos nacionais e internacionais nos próximos meses. Para ele, a retomada, após pouco mais de quatro meses com a atividade suspensa, é um sopro de esperança. "A situação já estava ficando desesperadora. Ficamos com a renda zerada e, por pouco, não chegamos ao limite", diz Sávio, afirmando que nesse período acumulou dívidas para sobreviver.

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Dificuldades semelhantes foram enfrentadas pelos cerca de 400 bugueiros que trabalham diariamente na praia. "As coisas ficaram muito complicadas. Como tudo tava parado, não tínhamos o que fazer", conta Eron Oliveira, presidente da CooperBuggy. De acordo com ele, desde a reabertura da praia no mês passado, o quadro já vinha mudando.

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Porto de Galinhas - DIVULGAÇÃO

Com a volta das jangadas na última sexta-feira (31), o faturamento cresceu, e a expectativa para agosto é positiva. "Nós fazemos passeios de ponta a ponta pelo litoral ipojucano, mas as piscinas de Porto são uma atração à parte, que atrai muita gente. Se tudo der certo, podemos crescer uns 40% ou 50% neste mês", afirma Eron, ressaltando a importância do cumprimento do protocolos de convivência com a covid-19. "Nós temos conversado com os turistas para só subirem nos veículos de máscara, para evitar o crescimento da contaminação e, consequentemente, o fechamento das praias", diz ele.

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Apesar do trabalho de conscientização, nem todos cumprem as normas. Nesse fim de semana, a reportagem do JC flagrou pessoas sem máscaras, entre turistas e até profissionais dos quiosques onde são vendidos ingressos para os passeios. "Nós temos orientado todos os trabalhadores a cumprirem estritamente os protocolos", afirma Eron, ressaltando que os profissionais podem ser punidos pela desobediência às regras impostas pelas autoridades de saúde.

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Porto de Galinhas - DIVULGAÇÃO

Questionada sobre o monitoramento, a prefeitura do Ipojuca, onde está localizada a praia, respondeu que, diariamente, equipes de Controle Urbano e Meio Ambiente e da Autarquia Municipal de Trânsito e Transportes (Amttrans) realizam fiscalizações no balneário, abordando veículos e pedestres para orientar as pessoas quanto ao uso de máscara e distanciamento social. A reportagem chegou a conferiu uma dessas abordagens na praia de Muro Alto, no sábado (1º). A gestão municipal também diz que 100 câmeras da Central de Monitoramento da cidade cobrem a orla e as vias e ajudam os agentes a fazerem a abordagem imediata.

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Summerville Beach Resort operou com 100% de ocupação dos 60% de quartos disponibilizados neste momento de flexibilização - DIVULGAÇÃO

O final de semana também foi positivo para os hotéis da região, caso do Summerville Beach Resort, que operou com 100% de ocupação dos 60% de quartos disponibilizados neste momento de flexibilização. "A demanda tem nos surpreendido", diz a gestora executiva de Vendas e Marketing, Carolina Pontes, destacando que a maior parte dos hóspedes é regional.

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Nas pousadas, o movimento também foi considerado bom. No entanto, a conselheira da Associação Pousada Charmosa, Isabel Albuquerque, diz que o número médio de diárias ainda é baixo. "Se isso não mudar até setembro, muitas pousadas podem fechar as portas. Apenas a ocupação nos fins de semana não é suficiente para manter os negócios de pé."

Com horário de funcionamento reduzido, bares e restaurantes vivem situação parecida. "O turista voltou e a gente já sentiu os impactos positivos, mas precisamos que o governo estenda nosso funcionamento para melhorar no faturamento", argumenta o presidente da Associação Porto da Boa Mesa (APBM), João Adauto. Por determinação do Estado, os estabelecimentos devem encerrar as atividades às 20h. "O cliente passa o dia na praia, no fim da tarde volta para a pousada e à noite quer jantar em um restaurante, mas quando vai em busca de um, todos já fecharam", queixa-se.

Com a reabertura dos hotéis, restaurantes e passeios, os turistas, aos poucos, voltam a Porto de Galinhas durante o fim de semana, mas ainda são os regionais, que não compram muito. "De segunda a quinta, quase não há movimento. Por isso, o faturamento ainda é indefinido”, diz Alan Donato, 35 anos, proprietário da loja Vibe Praia. O empresário precisou fazer delivery e promoção para tentar manter algum faturamento durante a pandemia.

Barraqueiros e ambulantes à espera de retorno

Quem pede mais flexibilização são os ambulantes e barraqueiros. A categoria tinha a expectativa de voltar ao trabalho no dia 20/7, mas o governo estadual não liberou a retomada do comércio de praia, o que motivou a realização de um protesto no sábado (1º). "Precisamos voltar e estamos prontos para isso, seguindo todas as recomendações das autoridades. Nossa situação é delicada. Somos mais de 700 ambulantes na orla, parados há mais de quatro meses", diz a vendedora de ensopado Margarida Silva, 52 anos.

Por meio de nota, a administração municipal explicou que protocolou um ofício ao governo do Estado em 15 de julho, solicitando a liberação das atividades comerciais no litoral do município para o dia 20 do mesmo mês, mas afirmou que não recebeu resposta. "Mais de 25 mil pessoas vivem do turismo no balneário de Porto de Galinhas, além da praia de Serrambi. A Prefeitura do Ipojuca pede novamente a sensibilidade do governo do Estado para abertura do comércio nas praias, uma vez que os índices de contaminação da covid-19 estão estabilizados no município e foi zerada a ocupação no hospital de campanha do Ipojuca", frisa o texto.

Também via nota, o governo de Pernambuco disse que "por meio do Gabinete de Enfrentamento ao Coronavírus, segue avaliando os indicadores de Saúde, para análise e deliberação sobre eventuais datas de retomada das diversas atividades, incluindo o comércio nas praias do Estado".

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Porto de Galinhas - FOTO:WILDERSON PIMENTEL/SECOM
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Com a reabertura dos hotéis, restaurantes e passeios, os turistas chegam gradativamente, mas ainda são os regionais, que não compram muito. De segunda a quinta, quase não há movimento. Por isso, o faturamento ainda é indefinido", diz Alan Donato, da loja Vibe Praia. - FOTO:DIVULGAÇÃO
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Summerville Beach Resort operou com 100% de ocupação dos 60% de quartos disponibilizados neste momento de flexibilização - FOTO:DIVULGAÇÃO

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