RETOMADA

Praia de Porto de Galinhas, no Litoral Sul de Pernambuco, liberada para banho de mar a partir deste sábado

Após 3 meses de interdição, principal destino turístico do Estado reabre faixa litorânea

Katarina Moraes Mona Lisa Dourado
Katarina Moraes
Mona Lisa Dourado
Publicado em 19/06/2020 às 15:57
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TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
Praias de Ipojuca estão interditadas desde 22 de março de 2020 como medida para conter contaminação pelo coronavírus - FOTO: TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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A praia de Porto de Galinhas, localizada no município de Ipojuca, Região Metropolitana do Recife, estará liberada a partir deste sábado (20) exclusivamente para as práticas esportivas individuais, incluindo o banho de mar, com restrição de horário das 4h da manhã às 12h. A medida se estende a toda a faixa litorânea da cidade, que contempla outros redutos famosos, como Muro Alto, Cupe, Maracaípe e Serrambi. Com exceção das práticas esportivas dentro do mar, o uso da máscara é obrigatório.

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O anúncio da Prefeitura de Ipojuca ocorreu na tarde desta sexta-feira (19), dentro da primeira fase de reabertura das praias do município, que vai até a próxima sexta-feira (26), quando novas medidas serão avaliadas. Com a abertura por etapas, a gestão municipal diz seguir orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Neste primeiro estágio, permanece proibido todo o comércio de barracas e ambulantes nas praias, bem como a colocação ou fixação de cadeiras e guarda-sóis, conforme determinação do decreto municipal n° 693/20, que trata do assunto.

Já as praças da cidade ainda permanecerão proibidas para o uso da população. A prefeitura esclarece que as demais liberações serão anunciadas ao final de cada etapa, à medida em que a administração verificar o comportamento da curva de contaminação no município, considerando os dados dos boletins epidemiológicos da Secretaria Municipal de Saúde.

Desde o dia 22 de março, o Comitê Contra o Coronavírus do Ipojuca determinou a interdição de todas as praias do litoral, rios e mangues do município, proibindo, inclusive, as práticas esportivas e recreativas. A revogação da medida foi anunciada logo após o Governo do Estado determinar que a data de reabertura de praias, parques e calçadão do Grande Recife estaria sob responsabilidade dos municípios, desde que fosse feita a partir deste sábado, dia 20. 

O desafio, agora, é manter o distanciamento social nas faixas de areia de Porto de Galinhas. Na última sexta-feira (12), a gestão municipal fez o primeiro ensaio da reabertura, com um pedido para que o governo do Estado permitisse o relaxamento do decreto estadual que prevê a proibição de circulação nas faixas de areia e calçadões. A liberação proposta inicialmente pela prefeitura ocorreria das 4h às 11h, para que as pessoas tivessem acesso a atividades físicas, como caminhada e o providencial mergulho no mar.

Para além do relaxamento inicial nas medidas de isolamento, a gestão diz ter pronto um planejamento para uma possível reabertura total da praia. O ponto que chama mais atenção é o limite para as barracas na faixa de areia. De acordo com a administração, por motivos de segurança sanitária, não haverá mais o amontoado de toldos e cadeiras nas praias. Quem conhece Porto de Galinhas sabe: em alguns estabelecimentos os ocupantes de mesas distintas chegam a se esbarrar em uma virada mais desatenciosa. A prefeitura garante que o distanciamento também será aplicado aos comerciantes da faixa de areia. A grande dúvida é como será essa fiscalização. Praias, uma vez abertas ao público, não são ambientes facilmente controláveis. Principalmente uma das mais famosas do País.

“Vamos contar com o apoio da Guarda Municipal para fazer cumprir essa e outras determinações. A ocupação da orla vai ser determinada por esse novo normal”, explicou, em entrevista ao programa Balanço de Notícias, da Rádio Jornal, na última sexta-feira (13), o chefe de gabinete da prefeitura, Cícero Moraes.

A secretária de Turismo de Ipojuca, Carol Vasconcelos, afirmou ao editor executivo Filipe Vieira que outras mudanças aguardam os frequentadores da praia. “Nas piscinas naturais, vai diminuir a quantidade de visitantes. O total de pessoas permitidas em cada embarcação vai diminuir, assim como a passarela que leva às piscinas. Tudo isso será fiscalizado. Sem autorização, ninguém poderá mais subir na área das piscinas.”

A secretária explica que a preocupação da gestão é tornar Porto um destino sanitariamente seguro. “O turista tem que saber que o local é seguro. Ver limpeza, higienização, uso de máscaras. Isso está sendo trabalhado em conjunto com todos os comerciantes.”

Para promover a reabertura de seu mais famoso destino turístico, a cidade aposta no que chama de rede de saúde “desafogada”. “Dos 33 leitos de UTI para covid-19 que temos, apenas sete estão ocupados. Temos 16 respiradores disponíveis e apenas dois estão em utilização. A ocupação dos leitos de retaguarda é de quase 7%. Não há qualquer segurança que a pandemia não volte em uma segunda onda. O que há é uma segurança de que nossa rede de assistência pronta e desafogada”, afirma Cícero Moraes.

O secretário explica que a reabertura ainda não é para o comércio. “Trata-se de uma segunda fase que pode ser antecipada ou retardada, a depender dos índices. Tudo será ordenado, desde a quantidade de mesas e cadeiras nos estabelecimentos à quantidade de ambulantes nas ruas. Mas cada item em uma etapa específica.”

Reabertura de hotéis

Ainda antes do anúncio da data de liberação das praias, hotéis de Porto de Galinhas decidiram se adiantar e divulgar a reabertura para o público a partir do fim de junho. No dia 26, volta a operar o Marulhos Resort. Em 1º de julho, é a vez do Kembali e do Armação Resort. O Summerville, do Grupo Pontes Hotéis, reabre no dia 9 de julho, enquanto Vivá Porto de Galinhas, Solar Porto de Galinhas e Village retornam no dia 31 de julho. O Serrambi Resort também retomará em julho, mas ainda não divulgou a data. Em agosto, reabrirão o Nannai Resort & Spa, no dia 10, e o Marupiara, ainda sem data. O Porto de Galinhas Praia Hotel voltará no dia 1º de setembro. 

O trade de Porto de Galinhas também lançou nesta semana um Manual de Boas Práticas de Atendimento, Higiene e Segurança, criado pela Associação dos Hotéis de Porto de Galinhas (AHPG) em parceria com o Real Hospital Português (RHP) e o Departamento de Hotelaria e Turismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O documento detalha em 20 páginas as novas medidas de prevenção que serão adotadas pelos dez meios de hospedagem ligados à AHPG . A implantação ocorre em duas fases e inclui procedimentos desde a chegada do hóspede ao hotel até o leiaute dos apartamentos, cuidados em lavanderia, áreas comuns e capacitação de funcionários, entre diversos outros itens. Na primeira etapa, está prevista a retomada parcial das operações, com ocupação de até 50%, para permitir uma melhor distribuição dos quartos ocupados e o revezamento de andares e até de blocos inteiros. A estimativa é que esse estágio se estenda por três meses, entre julho e setembro. Só em um segundo momento, com a autorização dos governos estadual e municipal, o funcionamento voltará à capacidade plena.

Junto com as recomendações, a principal novidade será a linha direta inédita entre os hotéis e o Hospital Português para triagem e socorro em caso de qualquer urgência. "Teremos um concierge no RHP durante 24 horas, para atender não só suspeitas relacionadas à covid-19 quanto de qualquer especialidade médica. Em paralelo, há o treinamento dos gestores para saberem agir em cada tipo de ocorrência e fazerem o encaminhamento de acordo com a gravidade", explica a diretora executiva de Porto de Galinhas Convention & Visitors Bureau (PGCVB), Brenda Silveira.

 

Plano de Convivência

O Plano de Convivência com a covid-19, elaborado pelo Governo do Estado, teve início no dia 1º de junho com a abertura das lojas de material de construção e delivery de comércio não essencial. Além disso, até esta sexta-feira (19), já foi permitido o funcionamento de:

  • Varejo de bairro, exclusivamente por delivery, e shoppings, por delivery e drive-thru
  • Comércio atacadista
  • Construção civil com 50% do seu efetivo e em horário livre
  • Clínicas e consultórios médicos, odontológicos e veterinários, óticas, clínicas de fisioterapia e de psicologia.
  • Lojas de varejo com até 200 m² de espaço aberto para clientes.
  • Serviços de venda, locação e vistoria de veículos com 50% dos funcionários
  • Salões de beleza e serviços de estética, com atendimento de um cliente por vez, por agendamento, sem fila de espera e com higienização de um cliente e outro
  • Treinos de futebol profissional

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