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LITORAL NORTE

Itamaracá: Um passeio pelo forte, trilhas e piscinas naturais da "ilha encantada"

No roteiro do Verão de 2022 no Litoral Norte de Pernambuco destaque para a Ilha de Itamaracá que tem muitos atrativos

Leonardo Vasconcelos
Leonardo Vasconcelos
Publicado em 11/01/2022 às 8:00
Leonardo Vasconcelos / Especial para JC Imagem
Um voo de paramotor apresenta do alto as belezas de Itamaracá - FOTO: Leonardo Vasconcelos / Especial para JC Imagem
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“Uma ilha encantada, lugar mais bonito que eu vi”. Assim o saudoso Reginaldo Rossi homenageava em forma de música uma de suas varias paixões: Itamaracá. O próprio significado tupi do seu nome, “pedra que canta”, reforça que este canto (e encanto) é antigo. A ilha já deu nome a uma das capitanias hereditárias do Brasil e foi palco de batalhas entre holandeses e portugueses no século 17.

Atualmente, Itamaracá é disputada apenas pelos turistas que vão até lá em busca do paraíso descrito nas canções. Distante somente 40 quilômetros da capital, a ilha, separada do continente pelo Canal de Santa Cruz, fica localizada no Litoral Norte de Pernambuco. Em décadas passadas já foi um dos principais destinos dos veranistas, antes do boom das praias do Litoral Sul (obs: os vídeos foram gravados antes da pandemia).

“Quando eu era um menino, todos os domingos o meu pai me levava à Ilha de Itamaracá. E na minha inocência de criança eu só podia conceber que ali era o céu”, conta o próprio Rossi, na abertura da música citada acima. Um céu que ainda tem seu brilho e mostra que pode encantar os visitantes sendo a “ilha de sonho, de luz e de cor”, definida pelo Rei do Brega.

Armas para isso não faltam, afinal Itamaracá conta com 11 praias. Uma das mais conhecidas, a do Forte Orange, que leva o nome por abrigar justamente o famoso Forte Orange, principal cartão-postal da ilha e ícone da disputa colonial referida no início da reportagem. Construído pelos holandeses em 1631 e reconstruído pelos portugueses em 1696, ele passou por uma grande requalificação recentemente. 

Depois de conhecer o Forte Orange por dentro que tal conhecê-lo do alto? Isso mesmo! Sempre em busca de experiências radicais, a Coluna Turismo de Valor decidiu fazer um passeio de paramotor para admirar do céu a fortificação e todas as outras belezas da ilha. O voo partiu da mesma praia, perto da área da marina, e foi feito com o instrutor Renê Roque.

Lá de cima é possível apreciar o charme de Itamaracá por um novo ângulo. De fato é de encher os olhos. Sobretudo quando se está sobrevoando o forte e se percebe do alto toda a beleza de sua simetria, como se fosse uma estrela encravada no chão. Com essa visão é fácil dizer que Rossi tinha razão: é uma ilha encantada.

Trilha dos Holandeses

Um passeio pelo início da colonização brasileira. É isto o que faz quem visita Vila Velha, umas das mais antigas vilas do Nordeste com seus 483 anos de muita história para contar. O povoado, localizado no ponto mais alto da ilha, foi elevado à condição de vila em 1535, mas pesquisadores afirmam que ele já servia de moradia há pelo menos sete anos. Um lugar que o que tem de história tem de beleza também. E na mesma proporção.

A vila guarda ainda um charmoso casario colonial (onde moram cerca de 500 pessoas) e um mirante com uma espetacular vista da vegetação e praias ao redor. Mas o principal ponto visitado é a principal testemunha de toda a história da vila: a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, considerada uma das mais antigas do Brasil. Alguns moradores da vila, como o jovem Geraldo Barbosa, atuam como guias para os turistas. “Boa parte da história do Brasil começou aqui em Vila Velha. Na época aqui tinha Casa de Câmara, cadeia, entre outras coisas. A própria Igreja de Nossa Senhora foi erguida sob os restos de um forte construído pelos franceses”, disse Geraldo.

Outros registros históricos encontrados na vila são um antigo cemitério e as ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Andando um pouco mais em direção à margem do Canal de Santa Cruz você se depara com uma construção que naturalmente chama a atenção. Trata-se do “Forno da cal”. O espaço é um antigo forno rústico onde se derretia pedras para obter a cal que era misturada com o barro para se obter uma massa que substituía o cimento. Em cima dos resquícios do forno foi erguida uma cabana onde se vende artesanato e é possível ter uma bonita vista do canal já que está situado bem nas margens dele.

Mas o local não é só de contemplação, mas também de ação. Perto de lá parte a chamada Trilha dos Holandeses, de cerca de 2,5 quilômetros e que liga Vila Velha à Praia do Forte, refazendo o caminho usado pelos holandeses. O início dela é na ponte Porto Brasilis, erguida sob o rio Paripe ao lado dos resquícios da ponte originalmente construída pelos holandeses. Dela já é possível se ter uma ideia da paisagem que virá pela frente. O passeio passa pelo meio da Mata Atlântica, onde é possível observar bichos e plantas típicas da região.

A principal parada da trilha é nas ruínas da casa que serviu de residência para o Padre Tenório, um dos líderes da Revolução Pernambucana de 1817. “Era nesta casa do abolicionista padre Pedro de Sousa Tenório que aconteciam as reuniões e eram traçadas as estratégias dos revolucionários. É uma casa que tem mais de 200 anos e se deve visitar para conhecer a história de Pernambuco. O padre invadiu o forte e o povo tomou o local que na época era controlado pelos portugueses. Depois o padre foi morto, esquartejado e as partes do corpo enviadas para onde estava acontecendo os focos da revolução”, explicou o diretor de cultura de Itamaracá, Nivaldo Jorge.

Piscinas naturais de Itamaracá

Depois de explorar a Ilha de Itamaracá por terra chegou a hora de fazer isso pela água. E se engana quem pensa que o único passeio é até a famosa ilhota da Coroa do Avião, que, fica bem na frente da Praia do Forte Orange e, inclusive, na verdade, pertence à Igarassu, município vizinho. Da mesma praia é possível fazer outros roteiros que revelam surpresas em lugares ainda pouco explorados e conhecidos.

Um que poucos conhecem leva até as piscinas naturais de Itamaracá. É isso aí, ela também tem suas belezas escondidas no mar. O passeio custa R$ 40 por pessoa. São 15 minutos de ida, 15 de volta e outros 40 relaxantes no banco de corais que impressiona pela beleza. Águas claras, muitos peixes e a tranquilidade de um lugar mais reservado com poucas pessoas.

Depois da parada nas piscinas, é possível ir até o pontal da Ilha de Itamaracá, que fica após as praias do Sossego e Enseada dos Golfinhos. Mais 20 minutos de lancha até lá para descobrir uma outra paisagem. O pequeno extremo norte da ilha conta com areias brancas, um belo visual das redondezas e ainda um misto de paisagem do mangue com o mar. O pontal é o encontro do oceano com o canal de Santa Cruz, onde se forma o manguezal. Do local é possível ver a praia de Atapuz, em Goiana, e outras ilhas. Nos fins de semana, muitas lanchas atracam no local, que conta com um bar e algumas barracas.

 

 

 

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