Artes Cênicas

Projetos pernambucanos aprovados em edital de emergência do Itaú Cultural

Fomento se dará a obras que já desenvolvidas e outras pensadas a partir do isolamento social

Márcio Bastos
Márcio Bastos
Publicado em 04/05/2020 às 15:08
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DIEGO MELO/DIVULGAÇÃO
CONECTADOS Este é o segundo trabalho do grupo para os meios digitais - FOTO: DIEGO MELO/DIVULGAÇÃO
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O isolamento social instituído para conter a pandemia do novo coronavírus atingiu duramente a área cultural, em especial as linguagens que tradicionalmente demandam a presença e a reunião do público, como as artes cênicas. Em meio às várias incertezas que marcam este momento, os editais emergenciais se apresentam como uma bem-vinda e necessária solução para continuar fomentando a cultura. Um dos primeiros a ser lançados , o do Itaú Cultural divulgou recentemente seus contemplados, 200 ao todo, entre os quais dez projetos pernambucanos.

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Parte do Arte Como Respiro, uma série de editais voltados para diferentes linguagens, o de artes cênicas recebeu cerca de 7,2 mil projetos de todo o país. A alta demanda fez com que o Itaú Cultural aumentasse o número de contemplados, que inicialmente seriam 120. Diante do caráter emergencial, a equipe da instituição montou uma força-tarefa para dar conta da demanda e conseguir viabilizar o resultado rápido.


“O modelo desses editais veio de uma sugestão do diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, para que a gente pudesse manter a cadeia produtiva e a geração de renda. Tinha que ser uma coisa rápida: modelamos praticamente em uma semana e já estava no ar. Foi uma loucura, mas nossa expertise nos editais do Rumos nos ajudou bastante”, conta Galiana Brasil, gerente do núcleo de artes cênicas da instituição.


A gestora conta que 90% da equipe responsável pelas avaliações foi formada por profissionais do Itaú Cultural, mas que também foram convidados especialistas de fora para possibilitar um olhar plural e descentralizado para as produções. Ao todo, foram contemplados projetos de 25 estados e cada trabalho receberá até R$ 10 mil como remuneração pelo licenciamento dos direitos autorais do trabalho apresentado.


Os projetos foram divididos em duas categorias: “espetáculos produzidos antes do cenário de isolamento” e “trabalhos produzidos na quarentena”, categoria com a maior diversidade com propostas de cenas, performances, intervenções e espetáculos online.


“O eixo de produção já concebida antes do isolamento é importante porque a gente sabe que há muitos artistas que não têm como produzir fora de casa, como os de circo tradicional, como o Circo dos Anões, de Riacho das Almas (PE), que foi selecionado. E também nos pareceu importante o foco na produção de quem está no confinamento, produzindo e se reinventando nesse espaço, pensando um diálogo com o virtual”, explica Galiana. “É muito cedo para fazer diagnósticos, mas acredito que o digital vai deixar de ser suporte para ser linguagem. Nós ainda estávamos discutindo a questão de acessibilidade nos equipamentos e agora vamos ter que repensar outros protocolos também, a partir da questão do distanciamento social, por exemplo.”


Galiana pontua ainda que ainda há muitos entraves para se pensar a relação da arte e tecnologia, a começar pelas desigualdades sociais. A gestora enfatiza que o custo da tecnologia e a dificuldade acesso à internet, por exemplo, exclui uma parcela significativa de criadores e que, por isso, é importante que a discussão seja posta para que a reinvenção das artes cênicas seja possível, sem perder a essência dessas linguagens e acolhendo todos os artistas.

CRIATIVIDADE PERNAMBUCANA

Além do já citado Circo dos Anões, no interior do estado, outros nove projetos de Pernambuco foram aprovados no edital. Entre os que já tinham produções prontas antes do isolamento social está Lívia Falcão, que apresentará o solo Opá, Uma Missão. A ideia é fazer uma transmissão ao vivo do espetáculo.

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Na área de videodança, foram selecionados projetos das bailarinas Rebeca Gondim e Liana Gesteira. O mágico Carlos Henrique, de Belo Jardim, também está entre os contemplados. Duas pesquisas aprovadas, de Hermínia Mendes e Marcos Salomão, investigam a poesia performática.


Dois coletivos de teatro pernambucanos também vão desenvolver obras a partir da experiência do isolamento. O Coletivo Angu vai desenvolver uma peça a partir de textos inéditos de Marcelino Freire, produzidos durante a pandemia. A ideia é fazer um espetáculo virtual, com direção feita por transmissão, gravado na casa de cada ator. Após a captação das imagens, Tadeu Gondim ficará responsável pela edição do espetáculo.

Divulgação
Marconi Bispo, Rodrigo Dourado, Ricardo Maciel e Rodrigo Cavalcante integram projeto do Teatro de Fronteira - Divulgação

Já o Teatro de Fronteira produzirá o QueerAntena, que consiste na leitura de dois contos inéditos escritos por Rodrigo Dourado.


“São dois contos que falam dessa existência queer no mundo; da diferença, da dissidência, seja ela sexual, no caso do Puro Teatro, seja ela corporal, no caso do Ciclope. São dois atores, eu e Rodrigo Cavalcante, vamos ler cada conto na íntegra, que serão editados por Ricardo Maciel e Marconi Bispo. É nesta edição que se dá o jogo teatral entre os dois atores que estão separados fisicamente”, explica Rodrigo Dourado.

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Marconi Bispo, Rodrigo Dourado, Ricardo Maciel e Rodrigo Cavalcante integram projeto do Teatro de Fronteira - FOTO:Divulgação

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