Trap

Oeste7 lança álbum de estreia 'Grammy', com 17 faixas autorais

Projeto foi todo produzido e mixado de maneira independente pelos pernambucanos, e já se encontra disponível nas plataformas digitais

João Rêgo Gustavo Henrique
João Rêgo
Gustavo Henrique
Publicado em 28/08/2020 às 15:07
Adonis Silva/Cortesia
COLETIVO Registro traz 17 faixas autorais, todas produzidas e mixadas a oito pares de mãos: VH, Grilo, Sociolight, Walker, José, Fraga e Wlader Cut, além de Eduardo Lisboa, como produtor. O resultado expõe evolução do Oeste7 e é divido em dois grandes blocos temáticos, que versam sobre fama, poder e reflexões acerca da vida - FOTO: Adonis Silva/Cortesia
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No período de um ano, foram poucos os que conseguiram ter uma evolução tão marcante quanto o Oeste7. Sobretudo de maneira independente, e em meio a uma pandemia que impactou toda monetização das atividades musicais.

Recentemente, o coletivo pernambucano de trap lançou 17 faixas autorais, empacotadas no álbum Grammy. O nome escolhido remete a tradicional premiação concedida anualmente a profissionais do ramo.

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Grammy foi todo produzido e mixado de maneira independente pelos membros do grupo. Já está disponível nas plataformas digitais e conta com um videoclipe da faixa Intro/Vão Agourar, produzido pela Frames Filmes, onde é possível conhecer todos os artistas da Oeste7.

Entre idas e vindas, são oito nomes que assinam o projeto: VH, Grilo, Sociolight, Walker, José, Fraga e Wlader Cut, além de Eduardo Lisboa, na produção de três músicas. Algumas delas também possuem participações especiais de rappers como o prolífico Hoodbob (Gangsta do Brega), Vmsss, BL e Ricob.

Para falar de Grammy, primeiro devemos analisar a trajetória sonora da Oeste7, à margem dos holofotes nos últimos três anos.

Desde o talento bruto em tracks como Compreendi e Hippocampus (tratando aqui de músicas apenas com o selo do coletivo) até a expansão musical em NVMOQE$, o que se estende para a autenticidade reciclativa na soturna Olhos, e variações de abordagem em Equinócio.

Ressalte-se que todas as músicas citadas foram concebidas por membros e ex-membros da banca, tendo sido lançadas junto a videoclipes.

“Somos artistas locais de um lugar com pouca visibilidade, mas isso jamais nos deixou para baixo ou fez com que pensássemos que éramos incapazes de expandir. Fazemos o que fazemos com amor e o que se faz com amor, se faz muito bem.”, diz Sociolight, única integrante mulher da equipe, que lançou recentemente o single My Blonde.

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Grammy é resultado dessa jornada de pulsão artística, evolução e mutação constante. Colocar na pista um álbum com 17 faixas não é para qualquer um. Número alto que pode ser visto como uma oscilação de qualidade entre as tracks, ou interpretado como um ímpeto latente, voraz e ávido por criar e ser ouvido.

Ficamos com a segunda opção porque, além de tudo, Grammy é lançado sob uma proposta conceitual bem estabelecida. Da primeira faixa até a oitava, as composições carregam um som grave, com versos que dialogam sobre fama e poder nas tendências do trap braggadocio.

Agourar, faixa de abertura, logo nos situa na explosão de sonoridades e particularidades artísticas que vamos escutar em quase 1 hora de música. São sete rappers envolvidos, com capacidade de variações entre flows (com e sem auto-tune) ao longo das tracks.

O destaque também vai para o amadurecimento constante na produção de VH e Grilo (em parceria com Eduardo Lisboa), que agora desemboca em beats espectrais, ricos em riffs e arranjos como os de Deixa eles Falarem, Californication, Atravessando a Cidade e Bahamas.

Em específico nesta última, Grilo resume bem a vibe da sonoridade. “Bahamas me traz um sentimento de felicidade e consegue me deixar bem sempre que ouço”, diz.

A track dá o tom da segunda parte de Grammy, anunciada através do interlúdio produzido por Eduardo Lisboa. A canção sugere que “estamos passando de uma dimensão para outra”. Daí em diante (faixa 10 a 17) o mergulho se torna mais profundo e com mais reflexões sobre a vida em geral.

Apesar da forte influência do trap, o álbum entrega também faixas com batidas mais suaves, como em OH BABY. A canção possui rimas frenéticas que casam perfeitamente com um refrão vibrante e suave.

A conclusão é de que as composições da segunda etapa trazem um som mais “clean”.

As considerações pairadas na cabeça dos músicos sobre o futuro estão mais afloradas, assim como as vontades e incertezas da vida. O flow bem-sonante presente em Prova Viva ressalta a importância de mudar e reafirma a amizade do grupo durante a jornada, refletindo as dificuldades do caminho.

Finalizando o projeto, Sem Panes une tudo o que foi tratado sobre uma assinatura autoral da Oeste7: beats afiados e rifados, variedade de flows e rimas agressivas que não perdem o caráter reflexivo, trechos românticos e distorções frenéticas.

Para o futuro, a certeza é de que o grupo está unido e focado, já trabalhando em novos planos.

“Queremos nos expandir não somente para os ouvintes nacionais, mas também, internacionais. Estamos frequentemente nos reunindo. Passamos horas, dias, no estúdio. Produzindo, debatendo, criando estratégias, elaborando uma nova perspectiva de visão. Não vamos ficar aqui por muito tempo. A Oeste7 está mirando muito alto e cada trabalho novo que está por vir irá mostrar isso", diz Sociolight.

ADONIS SILVA/CORTESIA
Rapper Sociolight, de 20 anos, integrante da Oeste7 - ADONIS SILVA/CORTESIA

Como única artista feminina integrante da Oeste7 e atuando em um cenário majoritariamente masculino, Sarah Melo (Sociolight), de 20 anos, se sente orgulhosa.

Para ela, essa representatividade é uma oportunidade de mudar as coisas de dentro pra fora. “Já ouviu muita gente dizendo que sente representada por eu ser a única mulher no grupo e que se sente muito feliz com isso, assim como eu fico ao ouvir esse tipo de coisa porquê, de fato, a cena ainda é muito dominada por homens, independente do motivo”, diz.

Sociolight conta que o foco dela está no trabalho, buscando sempre a evolução. “Venho mostrado resultado a cada track nova na pista. Vou continuar representando com orgulho não só as mulheres, mas também a comunidade LGBTQI+ e fazer nosso espaço crescer seja onde for”.

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