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Neymar, Gabriela Pugliesi, Luísa Sonza: Qual a celebridade de 2020?

No ano da pandemia, destacou-se quem mais apareceu — para o bem ou para mal — nas redes sociais

Robson Gomes
Robson Gomes
Publicado em 31/12/2020 às 11:00
INSTAGRAM/REPRODUÇÃO
Neymar Jr. é, além de jogador, o número 1 do Brasil em quantidade de seguidores no Instagram - FOTO: INSTAGRAM/REPRODUÇÃO
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No ano que se encerra, as retrospectivas e os balanços são inevitáveis. No agitado mundo das celebridades também. Mas, diante de um 2020 atípico, em que a pandemia do novo coronavírus praticamente paralisou todas as esferas da sociedade e cultura, as estrelas também se reinventaram, gerando alguns acertos e, claro, erros também.

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Junto a esta reinvenção, 2020 se fez necessário ressignificar o conceito do que é ser uma celebridade. É o que explica o professor e pesquisador da UFPE Thiago Soares: "A celebridade é um traço e um sintoma daquilo que está acontecendo na sociedade. A celebridade é uma projeção. Se pensarmos na história das celebridades, ela é pautada por relações com projeções de poder, beleza, influência. [...] Mas o que 2020 trouxe para nós sobre celebridades em meio à cultura digital é a noção de atuação, performance e posicionamento nessas redes".

Ainda segundo Soares, que também coordena o Grupo de pesquisa em Comunicação, Música e Cultura Pop (Grupop), a pandemia exigiu destas estrelas um comportamento mais ético, devido à "patrulha" do público nas redes sociais, algo que tem vindo, inclusive, desde 2014, com a polarização política direita versus esquerda nas plataformas. "O ano de 2020 trouxe uma intensificação no debate de posicionamentos, ligados à saúde e questões sanitárias, devido ao novo coronavírus", completa.

QUEM BRILHOU?

Partindo desse conceito de posicionamentos das celebridades em relação à pandemia, o primeiro nome de destaque é o da musa fitness Gabriela Pugliesi. "Ela representou muito essa tensão que foi em 2020 em relação à posicionamento de celebridades", elenca Thiago Soares. "Ela foi contaminada, fez a divulgação de forma midiática, depois ela se cura e vai zombar da vida nas redes sociais. Apaga suas contas e depois volta como uma pessoa arrependida. Acho que ela trouxe muito esse 'roteiro performático' para as pessoas comuns", complementa o professor.

"O roteiro de Gabriela Pugliesi é o grande parte do brasileiros que tinha - e tem - uma relação muito ambígua com a doença, de acreditar mas "deixar pra lá". Viver com medo, mas "deixa a vida me levar", adiciona Soares.

Com a pandemia, veio a febre das lives, que destacou nomes como Marília Mendonça (que teve a live mais assistida simultaneamente no mundo) e Gusttavo Lima (que além de suas lives megaproduzidas, encarou uma separação bastante tumultuada). Entretanto, também surgiu o nome da cantora Teresa Cristina, que foi elevada à "musa das lives".  "Ela não era uma figura conhecida da maioria, nem tinha patrocinadores para as suas lives no Instagram. Começou cantando com a mãe, de maneira mais despojada e mais informal, menos profissional, como a plataforma pede [...] até conseguir patrocínio de uma grande cervejaria, migrando do Instagram para o YouTube. Ou seja, ela adquiriu um capital simbólico", observa Soares.

Thiago Soares explica o conceito: "O capital simbólico não é uma coisa exatamente boa, é o sentido de representar algo, como a Teresa Cristina em suas lives. Já no caso da Pugliesi, ela simboliza a patrulha nas redes sociais diante da pandemia".

Tomando o ranking dos 10 mais seguidos do Instagram aqui no Brasil, por exemplo, no topo está o jogador Neymar Jr. com mais de 144 milhões de seguidores. Porém, ser o mais popular na rede social não significa exatamente ter um papel de destaque neste ano. "A figura de Neymar em 2020 não aconteceu porque não mudou muita coisa. Ele se manteve inconsequente, foi acusado de assédio, está dando uma festa para centenas de pessoas agora no réveillon, mas é o que se espera dele", analisa Soares.

Ainda neste top 10, atrás do jogador Ronaldinho Gaúcho, a cantora Anitta aparece na terceira posição com 50 milhões de seguidores. Segundo Soares, ela, sim, conseguiu ser relevante neste ano: "Anitta, por exemplo, teve uma ressignificação nessa pandemia. Em 2020, ela começa a fazer lives em casa com a jurista Gabriela Prioli, mobilizando milhares de pessoas, para tentar se posicionar politicamente de forma responsável".

Voltando ao ranking, no quarto lugar surge o comediante e influenciador digital Whindersson Nunes, mas todo o seu destaque neste ano foi para a sua ex-esposa, a cantora Luísa Sonza. Thiago Soares esclarece: "O rompimento de Whindersson Nunes foi uma mola propulsora para Luísa. 2020 foi o ano dela. [...] E a celebrização dela esse ano veio muito a partir do discurso de ódio, que é uma outra ferramenta. Mas ela usou as críticas a seu favor com inteligência e sagacidade".

Outro viés que dominou o mundo da fama em 2020 foi celebritização da ciência, em que médicos foram alçados ao status de celebridades justamente por levar ao público informações sobre a pandemia, principalmente no que diz respeito às vacinas - a esperança do povo brasileiro para 2021. A partir daí, nomes como Drauzio Varella (que acabou alvo de fake news pelo seu posicionamento pré-pandemia), Átila Iamarino (em seu canal no YouTube), Margarete Dalcomo (presidente da Fiocruz) e Natália Pasternak (microbiologista) foram pessoas que viralizaram nas redes sociais por seus posicionamentos neste ano.

Com tantos destaques, fica difícil definir uma só celebridade no ano de 2020, já que várias pessoas conseguiram seus 15 minutos de fama, para o bem ou para mal, principalmente através das plataformas digitais. "Essa dinâmica da pandemia com as celebridades trouxeram à tona tanto discursos de afeto, quanto de ódio. E ambos são componentes afetivos das relações sociais em rede. Você ser muito odiado ou amado são os sintomas de ser célebre. São os paradoxos de uma vida ultra exposta nestas plataformas. E coube à muitas celebridades ressignificarem a sua presença a partir de uma relação mais ética em 2020", conclui Thiago Soares.

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