Cinema

'Lucicreide Vai Pra Marte' é uma comédia com DNA pernambucano

Longa protagonizado pela conterrânea Fabiana Karla estreia nas telonas nesta quinta-feira (4)

Robson Gomes
Robson Gomes
Publicado em 04/03/2021 às 5:00
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TATI BARROSO/DIVULGAÇÃO
Cenas na Nasa foram gravadas na sede da agência espacial, na Flórida (EUA), para conferir realidade à obra - FOTO: TATI BARROSO/DIVULGAÇÃO
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Lançada pela Nasa no final de julho do ano passado, após sete meses de espera e 470 milhões de quilômetros depois, a sonda Perseverance chegou ao planeta Marte no último dia 18 de fevereiro. Corta para esta quinta-feira (4), nos cinemas brasileiros, onde o público vai descobrir numa ficção que uma pernambucana arretada também chegou lá. Ou seria, quase? Esse é o mote do filme Lucicreide Vai Pra Marte, protagonizado pela atriz conterrânea Fabiana Karla.

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A comédia estrelada pela personagem nascida no teatro e popularizada no humorístico Zorra Total, da TV Globo, agora ganha história própria, e com sua criadora assinando como uma das roteiristas e produtoras do longa.

"A sensação é de coração saindo pela boca. É um filho que acaba de nascer num momento bem difícil, mas que é um momento para nós de muita alegria, e para quem vai assistir também. Estamos entregando um filme que tem humor, tecnologia, mensagem, e é um entretenimento de fato. Acho que a arte está a serviço nesse momento", declarou Fabiana, em entrevista ao Jornal do Commercio.

Na sinopse, a protagonista é Lucicreide (Fabiana Karla) que foi recém-abandonada pelo marido, Dermirrei (Ivanildo Gomes, o Batoré). Para piorar, teve que lidar com a chegada da sogra, Zefinha (Dona Irene), que decide se mudar para a casa da nora, depois de ser despejada. E mais: os cinco filhos falam ao mesmo tempo, não a obedecem e sempre defendem a avó. É diante desse cenário que Lucicreide, por engano, acaba se juntando a um grupo de candidatos para uma viagem sem volta para Marte. Mas, antes, terá que passar por testes na Nasa, nos Estados Unidos.

A direção do longa é do também pernambucano Rodrigo César, que também comemora a estreia da produção, que começou a ser gravada em 2017. "Sabe quando a sonda Perserverance chegou em Marte agora pouco? E você viu uma galera do QG da Nasa gritando e feliz que a sonda chegou lá? É igual a nós nesse momento. Apesar do momento ser muito delicado, poder lançar esse filme, e trazer esse alento num momento de escapar para poder se divertir, se instruir, permitir ser levado para outro lugar além do comum, que vivemos agora, é uma felicidade", afirmou.

ORGULHO

Com cenas gravadas no Recife (inclusive, nos estúdios da TV Jornal), em Olinda, Jaboatão, Reserva do Paiva e Cabo Canaveral, na Flórida (EUA) — onde fica a sede da Nasa —, Lucicreide Vai Pra Marte é um filme de DNA pernambucano e inovador para o cinema local.

"Como todo o bom pernambucano, olindense de Rio Doce, sou muito fã do nosso cinema. Ele é muito particular, peculiar. É local, é regional, é universal! Kléber [Mendonça Filho], Gabriel Mascaro (foi meu colega de faculdade) Claudio [Assis]... Tanta gente bacana! Mas acho que Lucicreide Vai Pra Marte destoa um pouco [deles], o que é lindo! Porque mostra a pluralidade do nosso cinema. Estamos mostrando que também temos esse cinema de comédia e esse tipo de pernambucana que é a Lucicreide", destaca Rodrigo César.

Fabiana Karla completa o pensamento do diretor. "Nós temos um celeiro importante de cinema em Pernambuco. E sempre fiquei muito acanhada porque, como eu fazia TV, e tinha essa imagem do caricato, eu tive pouquíssimas oportunidades de ser convidada a fazer algum filme pernambucano. Por isso quis fazer na minha terra e filmar aqui, e aproveitar a galera que eu acho tão competente como o figurino de Cris Garrido, que foi aprovado pela Nasa, inclusive", ressalta.

"Gravamos em Recife, Olinda e Jaboatão para contemplar também o nosso Pernambuco e ter esse cheiro, esse DNA real nas filmagens e locações. Ula [Schliemann], nossa diretora de arte, teve a tarefa hercúlea de transformar um hotel na Praia do Paiva em dependências da Nasa! Nós filmamos na Nasa, mas reconstruímos algumas locações no Brasil e em Pernambuco", adiciona a comediante.

Além disso, Fabiana Karla tem consciência que o filme não reforça estereótipos. "Eu, particularmente, criei a personagem em cima de pessoas - pois sempre minha matéria-prima foi o povo. E sintetizei toda aquela minha experiência e quis trazer de uma forma bem-humorada, deixando uma linha tênue entre o riso e o choro, para trazer a verdade dela. Se alguém está questionando se ela é crível ou não, é um olhar muito particular. Minha intenção é só trazer a personagem para se divertir, sabe? Acho que o humor não tem época, o humor é sentimento", determina.

Rodrigo César endossou o pensamento da atriz: "Do mesmo jeito que tem gente que acha que a Terra é plana, ou que o homem não chegou na Lua, pode ter gente que desconheça uma Lucicreide. Mas eu conheço! Lucicreide é minha mãe, minha avó, minha tia, a vizinha lá de casa. Durante mais de dez anos, eu dirigi o Papeiro da Cinderela [programa da TV Jornal], e Cinderela [personagem de Jeison Wallace] é real! Eu conheço aquela mulher! E Lucicreide é igual, ela existe! E não dá para ignorar isso. Ela não é caricata, ela é de verdade".

"Minha pretensão, se há alguma, é fazer o melhor possível para levar um entretenimento para o grande público. E acho que conseguimos fazer isso com esmero de algo real e verdadeiro. Pois, todas as imagens que serão exibidas — das aventuras em que estamos no avião de gravidade zero, dentro da Nasa — são totalmente reais, tanto quanto a Lucicreide é real", defende Fabiana.

UMA BOA PEDIDA

Além de Fabiana Karla como protagonista de Lucicreide Vai Pra Marte, o longa traz em seu elenco Adriana Birolli (Luana), Cacau Hygino (Padre João), Ceronha Pontes (Rosa), Fernando Ceylão (Guilherme) e Lucy Ramos (Comandante Lee).

Nas participações especiais, temos Jeison Wallace (Jandira) e Flávio Barra (âncora de telejornal), estrelas da TV Jornal, além do influenciador digital Carlinhos Maia e do astronauta Marcos Pontes, atual ministro da Ciência e Tecnologia do Governo Bolsonaro.

Ao longo dos 90 minutos, o roteiro de Cadu Pereiva, Chico Amorim e Dadá Coelho — com colaboração da própria Fabiana e do diretor, Rodrigo César, que também faz uma ponta — se mostra bem amarrado e envolvente. No estilo sitcom, é quase impossível não se identificar com o cotidiano sofrido de Lucicreide com sua família, apresentado no primeiro momento, bem como com o seu palavreado, mais pernambucano impossível.

Enquanto a empregada doméstica "debuia seu rosário" ao contar sua história para a polícia americana, entendemos que a história se mostra verossímil e compramos até os divertidos sonhos de Lucicreide, que faz referências a Star Wars e às criaturas estranhas de MIB — Homens de Preto.

A produção também acerta nos cenários e na direção de arte, onde as cenas de chroma-key são quase imperceptíveis. E a trilha sonora, produzida por Diego Santana, agrada aos pernambucanos de plantão, pois não tem como não se deixar levar ao ouvir um maracatu de fundo numa divertida cena de engasgo ou um frevo durante um voo real no avião de gravidade zero.

Com mensagens positivas sobre aceitação e família nos momentos finais da comédia, é possível dizer que viajar no universo sideral de Lucicreide pode ser uma boa pedida nestes próximos dias. O humor do filme é bastante convincente, atual e, tampouco, está fora de órbita.

TATI BARROSO/DIVULGAÇÃO
GRAVANDO Diretor Rodrigo César (D) também é pernambucano - FOTO:TATI BARROSO/DIVULGAÇÃO

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