caso von richtofen

Veja o que é real e ficção nos filmes 'A Menina que Matou os Pais' e 'O Menino que Matou Meus Pais'

Ocorrido há quase 19 anos, o caso Von Richthofen está de volta aos holofotes desde a última sexta-feira (24), quando foram lançados os longas

Bruna Oliveira
Bruna Oliveira
Publicado em 28/09/2021 às 16:20
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Carla Diaz vive Suzane von Richthofen - FOTO: DIVULGAÇÃO
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Ocorrido há quase 19 anos, o caso Von Richthofen está de volta aos holofotes desde a última sexta-feira (24), quando foram lançados os filmes "A Menina que Matou os Pais" e "O Menino que Matou Meus Pais", que contam, respectivamente, as versões de Suzane Van Richtofen e Daniel Cravinhos sobre os assassinatos de Manfred e Marísia von Richthofen, pais dela.

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Apesar de terem planejado juntos o assassinato do casal, Suzane e Daniel, que namoravam na época do crime, contaram diferentes versões sobre a relação da família e motivação do homicídio, que foi executado por Daniel e Cristian, seu irmão. Os três foram julgados em 2006 e, enquanto o casal de namorados foram condenados a 39 anos e seis meses de prisão, Cristian foi sentenciado a 38 anos e seis meses em regime fechado.

No entanto, o que seria verdade no depoimento de Daniel e Suzane? O jornalista Ullisses Campbell, autor do livro Suzane: Assassina e Manipuladora, concedeu entrevista à VEJA e elucidou fatos sobre o crime presentes no filme. 

Suzane religiosa no julgamento - 100% verdade

Durante o julgamento, Suzane, interpretada pela atriz Carla Diaz, presta depoimento em lágrimas, com um terço na mão. O objeto, símbolo da fé católica, é espelho de uma mudança pela qual passou no presídio: de luterana, migrou para o catolicismo. O motivo, de acordo com o livro, seria porque Suzane teria sido ameaçada por outra presa - uma mulher que fazia parte de uma seita satânica e queria matá-la para enviar sua alma ao diabo. A ameaça culminou em uma rebelião comandada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), que durou 24 horas e também queria a morte de Suzane. Para se livrar da perseguição, a jovem se aliou a uma carcereira muito católica, que a iniciou na religião e lhe deu uma Bíblia e um terço.

"Foi um dia normal" - 100% verdade

Em seu depoimento, Suzane afirmou que o dia do assassinato dos pais, 30 de outubro de 2002, foi um dia normal para ela, ou seja, a cena do filme está correta. “Ela almoçou com a mãe, levou o irmão ao inglês, seguiu a rotina. Não deu indícios do que viria”, contou Campbell. A jovem ainda fez um passeio no shopping com Daniel para escolher um óculos de sol, presente para o seu aniversário que estava próximo, em 3 de novembro.

Planejamento para matar - 50% de verdade na versão de Daniel e 0% na de Suzane

Enquanto Daniel diz que Suzane planejou a assassinato dos pais, a jovem fala o contrário. Em uma das cenas do filme, Suzane, abraçada com o namorado, olha para um avião no céu e diz "seria bom se o avião com meus pais explodisse". Apesar de impactante, a fala condiz com a realidade. A jovem fez essa sugestão enquanto estava na piscina com Daniel, quando Manfred e Marísia estavam viajando. Independente de quem manipulou quem, o casal planejou o crime por dois anos. Entre as ideias para realizar os homicídios estavam provocar incêndio no sitio da família, cortar os dutos do frei do carro da mãe e outros. Além disso, a cena do filme em que Daniel enrola um pedaço de concreto com um edredom e, no quarto dos Richthofen, ele atira com uma arma de fogo contra o material, é verdadeira.

Abusos do pai - 0% de verdade

Ao prestar depoimento, Daniel afirmou que Suzane sofria abusos físicos do pai e que Manfred era alcoólatra. Já Suzane disse o contrário: a família era feliz antes dela se envolver com o jovem. Diante disso, Campbell diz que a história é complexa. Isso porque Suzane teria chegado a desistir de matar a mãe, após um momento de cumplicidade entre as duas, quando Marísia havia descoberto uma traição de Manfred. Com isso, Daniel teria dito que se mataria, já que não poderia manter um relacionamento em paz com a jovem. Por causa disso, a filha teria voltado atrás e, para convencer os irmãos Cravinhos a cometerem o crime, inventou o abuso.

Em seu depoimento, Andreas, irmão de Suzane, desmentiu que o pai fosse violento ou alcoólatra. O rapaz, no entanto, contou que, em uma briga com a filha, Manfred ameaçou deserdar Suzane, caso ela não terminasse o relacionamento com Daniel. Ele teria dado um tapa no rosto de Suzane. De acordo com psicólogos envolvidos no caso, o tapa foi o gatilho para os homicídios.

Sexo e drogas - taxa de verdade incerta

O filme narrado por Suzane conta que ela foi apresentada às drogas por Daniel e que a primeira vez que o casal fez sexo foi de forma agressiva e sem consentimento. No entanto, o longa com a versão do namorado diz que foi ela quem o induziu a usar drogas, além de ter dito ao rapaz que não era mais virgem. 

O casal fazia uso de de maconha a cocaína e ecstasy. A versão de Suzane ganhou mais força quando Andreas relatou em seu depoimento que Daniel era quem trazia as substâncias. Já sobre a primeira noite entre o casal, só os dois sabem a verdade. Para o jornalista Ullisses Campbel, porém, a versão de Suzane causa desconfiança.

“Falei com muitos amigos de infância do Daniel, e todos disseram que ele era ingênuo nas questões de sexo. Se recusava a ir em clubes de sexo e perdeu a virgindade com Suzane.” Também depõe contra Suzane o fato de que Daniel passou sem dificuldade nos testes de Rorschach, avaliação psicológica que lhe deu o direito ao regime aberto — ela, porém, não conseguiu o mesmo feito e foi avaliada por psicólogos que acompanham o caso como manipuladora.

Pais com relações extraconjugais - 30% de verdade

Os dois filmes trazem Manfred como um homem infiel e sugerem que Marísia tinha um caso com uma amiga, sua antiga paciente. No entanto, não há indícios de que a mãe seria bissexual. Suzane e Marísia, porém, sabiam que Manfred era infiel.

A participação de última hora de Cristian - 80% de verdade

A versão de Daniel mostra que Cristian não quis participar do crime de imediato e ameaçou revelar o plano ao pai. É nesse momento que Suzane revela a Cristian ter sido abusada por Manfred e o namorado fala que vai matar o pai da jovem sozinho.  Em entrevista a Campbell, Cristian disse que aceitou participar do crime “por amor ao irmão”, mas avisou a ele que seriam pegos, pois não eram assassinos profissionais e não saberiam como se comportar depois.


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