SUPERFATURAMENTO

Consumidores denunciam aumento de até 400% em preços do álcool e máscaras ao Procon Recife

O órgão de defesa do consumidor fiscaliza farmácias da Região Metropolitana do Recife nesta segunda

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 16/03/2020 às 11:54
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NICHOLAS KAMM/AFP
Governo do Estado busca adquirir materiais para ajudar na luta contra o coronavírus - FOTO: NICHOLAS KAMM/AFP
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O Procon Recife registrou, a partir de denúncias de consumidores, um aumento de até 400% no preço do álcool em gel e máscaras cirúrgicas, materiais usados para proteção contra disseminação do novo coronavírus. Visando confirmar as informações do superfaturamento, o órgão de defesa do consumidor fiscaliza, nesta segunda-feira (16), farmácias da Região Metropolitana do Recife.

O Procon ainda irá emitir uma notificação solicitando que as empresas denunciadas apresentem, em até 48 horas, todas notas de compras dos produtos de dezembro até agora. A presidente, Ana Paula Nebl Jardim explicita ser possível que as farmácias comprem o produto a preço mais alto da fábrica, mas que o valor repassado aos consumidores não pode ser abusivo.

“Eles podem até adquirir com preço mais alto da fábrica, mas se o preço que é repassado ao consumidor é muitas vezes mais [alto] do que o percentual que ele está comprando, ele está cometendo um abuso”, expôs.

Corrida por máscaras e álcool

Na última sexta-feira (13), a reportagem do JC esteve em cinco farmácias do Centro e da Zona Norte do Recife, e não encontrou álcool e máscara em nenhum. Em alguns locais, inclusive, os produtos estão em falta há mais de um mês. Tudo por conta da pandemia do coronavírus.

Em uma das farmácias visitadas, que fica no bairro de Santo Amaro, no Centro do Recife, não havia unidade de álcool e máscaras alguma e ainda não há previsão de chegada. "Faz dois dias que nosso estoque acabou e ainda não chegou. A procura está muito grande e quando o cliente vem, a gente encaminha para outras unidades que ainda possuem os produtos", conta a gerente Simone Soares.

No bairro do Espinheiro, na Zona Norte, por causa do coronavírus, a situação não é diferente. De acordo com Magda Barbosa, gerente de uma farmácia na Rua do Espinheiro, há 15 dias chegaram 200 unidades de álcool em gel, que acabou em menos de duas horas. As máscaras chegaram há 10 dias e as prateleiras ficaram vazias novamente em minutos. Os consumidores estão recorrendo ao álcool a 70% líquido, que também estão esgotados. "Quando chega, a gente já informa aos clientes mais antigos. Alguns deixam reservado. Não temos previsão de quando chegará novamente. Quando se consegue, é um achado", declara.

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Em outra farmácia na Rua do Espinheiro, também não foi encontrado álcool e máscaras. No estabelecimento, os produtos estão em falta há duas semanas. "A gente acredita que vai chegar na semana que vem. Máscara não tem porque é uma questão da indústria. Quando começou o aumento dos casos, o estoque de álcool que tínhamos, que dava tranquilamente para um mês, acabou em um dia. Os clientes chegam todo dia, toda hora procurando", relata o gerente Deoclécio Araújo. Segundo ele, o estabelecimento está considerando limitar a três unidades por CPF quando a farmácia for reabastecida de álcool em gel e máscaras.

Quando usar álcool em gel e máscaras

Apesar da crescente procura da população por máscaras e álcool em gel, com receio da propagação do Covid-19, após o primeiro caso ser confirmado no Brasil, é preciso cautela. Isto porque o uso das máscaras é indicado apenas para pessoas que têm vínculo epidemiológico, ou seja, estiveram em países como China, Coreia do Sul e Itália nos últimos 14 dias e apresentam sintomas como tosse, febre e falta de ar. Em relação ao álcool em gel e à higienização das mãos, o cuidado envolve a forma e a frequência, visto que não há restrições e que as ações deveriam fazer parte da rotina.

"Não precisa sair todo mundo comprando máscara cirúrgica. Só quem tiver o vínculo epidemiológico e apresentar sintomas, ou quem tiver contato com este paciente. Mesmo que o caso seja confirmado no Estado, não significa que qualquer infecção de via aérea superior vá ser por coronavírus", explica o infectologista Gabriel Serrano. Sobre o álcool em gel, o médico alerta que a pessoa deve utilizá-lo quando não puder lavar a mão com água e sabão. A higienização das mãos deve ser feita cotidianamente e não apenas nos casos de doença, sempre que a pessoa tossir ou espirrar, antes e depois das refeições ou quando necessário.

"O uso do álcool deve ser feito, no máximo, três vezes seguidas. A partir da quarta vez, ou se tiver alguma sujidade na mão, o ideal é a lavagem com água e sabão", recomenda. Gabriel comenta que o indicado é dar preferência ao uso do álcool no formato gel, e não líquido, pois este possui menos eficácia. A pessoa deve friccionar a mão por pelo menos 20 segundos e não deve esquecer do punho, dos espaços entre os dedos e do polegar. A recomendação serve também para a lavagem.

Sobre os cuidados com o ambiente, é importante que o paciente utilize a parte interna do cotovelo quando for tossir ou espirrar e que lave as mãos antes de tocar em objetos de uso comum como maçanetas, já que a transmissão de algumas doenças, incluindo o coronavírus, é feita por gotículas de saliva. Em ambientes fechados, pode ser feito o uso da máscara, não sendo necessário nos casos de ambientes abertos. Evitar também o compartilhamento de pratos, copos e talheres. "E, o maior cuidado é a vacinação contra a gripe, porque quem vacina não tem gripe e consequentemente não irá transmitir", relata Gabriel.

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