SINAIS DE RECUPERAÇÃO

Após dois meses de queda, comércio cresce 13,9% no Brasil e 9,9% em Pernambuco em maio

Apesar do resultado positivo, o setor ainda segue muito abaixo do nível pré-pandemia do novo coronavírus

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 08/07/2020 às 19:04
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Setor de tecidos, vestuário e calçados, que dobrou as vendas no mês, na comparação com abril, crescendo 100,6% - FOTO: FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
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Após dois meses de queda, as vendas no comércio varejista voltaram a crescer em todo o país, esboçando uma recuperação em maio. No mês, a alta foi de 13,9%, na comparação com abril, que tinha sido o pior mês da história, segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. O crescimento, porém, foi menor em Pernambuco, onde o volume de vendas do setor teve alta de 9,9%.

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Apesar do resultado positivo, o comércio ainda segue muito abaixo do nível pré-pandemia do novo coronavírus. Na comparação com maio de 2019, o Estado teve um recuo de -16,3%, enquanto no País retração ficou em -7,2%. No acumulado do ano, de janeiro a maio, Pernambuco também registrou baixa. O índice foi de -8,0%. Nos últimos 12 meses, Pernambuco acumula retração de -2,2%. No País, os dois cenários tiveram como resultados -3,9% e 0%, respectivamente.

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Os índices do varejo ampliado, que incluem as atividades de veículos, motos, partes e peças, além de material de construção, também apresentaram desempenho abaixo do que a média nacional em maio: 14,6%, em Pernambuco e 19,6%, no Brasil. Quando são isolados apenas os índices do Estado, a variação mensal, que considera o mesmo mês do ano passado, foi de -24,0% e a variação acumulada no ano marcou -12,5%. Já no acumulado nos últimos 12 meses, a retração ficou em -3,2%.

DIVULGAÇÃO/IBGE
Para economista da Fecomércio, Pernambuco poderia ter resultado melhor que Brasil se não fosse lockdown em maio - DIVULGAÇÃO/IBGE

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Segundo o IBGE, houve alta em todas as atividades pesquisadas. As maiores influências para o resultado estão relacionadas com o setor de tecidos, vestuário e calçados, que dobrou as vendas no mês, na comparação com abril, crescendo 100,6%. Os segmentos de móveis e eletrodomésticos (47,5%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (45,2%) também ajudaram a puxar o resultado para cima. Para o gerente da PMC, Cristiano Santos, os efeitos da pandemia ainda impactam o setor, mas os dados mostram que já saímos do fundo do poço. “Dá para dizer que o pior mês já passou”, afirma.

O economista da Fecomércio-PE, Rafael Ramos, concorda o gerente da pesquisa. Segundo ele, os números indicam que a retomada do comércio pode estar começando, mas ressalta que não são suficientes para rebater os impactos da crise. “O resultado de maio pode indicar um reaquecimento do setor, mas ainda é insuficiente reverter todos os efeitos da pandemia, porque temos uma base de comparação muito baixa”, explica Ramos.

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Auxílio emergencial ajudou na recuperação

Além da base de comparação deteriorada, fatores como a liberação do auxílio emergencial e a antecipação do 13º salário para aposentados puxaram o resultado para cima. “Certamente, essas medidas tiveram um importante papel nesses dados”, afirma o economista, explicando que, com os benefícios, as pessoas deixaram de consumir apenas produtos considerados essenciais.

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Rafael afirma ainda que o resultado poderia ter sido melhor se o Governo do Estado não tivesse decretado lockdown em alguns municípios do Grande Recife. “Com a quarentena mais rígida, tivemos a paralisação do setor em cidades importantes para o comércio, como Recife e Jaboatão. Provavelmente, se não houvesse o lockdown, teríamos um crescimento até maior que o nacional”, diz ele.

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No comércio varejista ampliado em Pernambuco, o setor de eletrodomésticos registrou a maior alta no mês de maio, com um índice de 45,5% em comparação ao mesmo período de 2019. Para Rafael, esse segmento foi impactado positivamente pelo Dia das Mães. “Tivemos esse boom em relação aos eletrodomésticos, porque a conjuntura foi favorável a isso. Com o Dia das Mães, normalmente, esse segmento já tem um crescimento, neste ano, isso se uniu à demanda represada em abril”, pontua o economista.

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Para economista da Fecomércio, Pernambuco poderia ter resultado melhor que Brasil se não fosse lockdown em maio - FOTO:DIVULGAÇÃO/IBGE

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