TRABALHO

Hospedagem, indústria, comércio, bares e restaurantes. Veja como esses setores reagiram ao cancelamento do ponto facultativo do Carnaval

Setor mais impactado será o turismo. Comércio e indústria deverão acompanhar o governo do estado no cancelamento do feriado de Carnaval deste ano

Edilson Vieira
Edilson Vieira
Publicado em 29/01/2021 às 21:24
Arquivo:Mona Lisa Dourado/JC
Hospedagem vai perder com o cancelamento dos feriados, segundo a ABIH-PE - FOTO: Arquivo:Mona Lisa Dourado/JC
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As entidades representativas da indústria, comércio, bares e restaurantes, e hotelaria receberam com uma certa resignação a decisão do governo estadual de suspender o ponto facultativo para os servidores públicos no período do Carnaval 2021, entre 13 e 17 de fevereiro. A decisão foi tomada para frear as aglomerações típicas da Festa de Momo, e assim, tentar evitar a ampliação do contágio pela covid-19 e o consequente aumento de casos da doença no Estado. As festividades deste ano já haviam sido canceladas desde dezembro passado, com base no atual momento epidemiológico em Pernambuco.

Não há estimativas locais sobre a perda do setor produtivo com feriados. A Federação do Comércio de São Paulo estima que, em todo o Brasil, a perda em 2021 com todos os feriados do ano chegue a R$ 15,8 bilhões para o varejo. Juntando os setores de indústria e serviços, o país deixaria de movimentar R$ 300 bilhões no ano com as folgas.

PREJUÍZO

Em Pernambuco, o setor que deve ser mais prejudicado com o cancelamento do feriado do Carnaval é o de hospedagem. Eduardo Cavalcanti, presidente da seção regional da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH-PE) disse que a não realização das festividades de Carnaval penaliza as cidades onde há festa, como Recife e Olinda, mas o fim do feriado prejudica uma cadeia bem maior de hospedagem no litoral e interior do estado. Ele defende que o turismo pernambucano está se mantendo graças às viagens locais, de curta distância, já que os voos internacionais foram cancelados e os nacionais estão com frequência muito baixa. “Cerca de 30% do movimento dos hotéis e pousadas de Pernambuco vêm do turismo local. É gente que vem dos estados vizinhos e das cidades do interior. Se não houver feriado, esse povo não vem. Para nós que já estamos trabalhando com a capacidade de hospedagem reduzida por conta dos protocolos, perder essa clientela será complicado”, afirmou Cavalcanti.

O presidente da ABIH-PE ainda não contabiliza cancelamentos de reservas para o Carnaval deste ano. Ele aposta na decisão dos municípios que poderão manter, ou não, o feriado do Carnaval. “Além disso, alguns setores, como os bancários, já decidiram pela manutenção do feriado. Só mais adiante poderemos avaliar o tamanho da perda sem o Carnaval”, pontuou Cavalcanti.

No segmento de bares e restaurantes há uma incerteza em relação ao faturamento no período. Para André Araújo, presidente regional da Abrasel, o cancelamento do Carnaval, que foi decretado em dezembro, é uma continuação dos efeitos danosos da epidemia. “A suspensão do Carnaval já era esperada, então os bares e restaurantes do Centro do Recife e de Olinda já contavam com essa perda. Por outro lado, quem opera nos bairros e em shoppings centers, devem manter o movimento ou até terem um pequeno aumento”, acredita Araújo. A Abrasel-PE vai promover um festival gastronômico no Recife durante a semana do Carnaval como forma de atrair a clientela oferecendo descontos em pratos específicos.

NORMAL

Para Bernardo Peixoto, presidente da Fecomércio-PE, a orientação para os lojistas é de que abram seus estabelecimentos normalmente nos dias de Carnaval. “Foi um decisão sensata a do governador. Se as empresas fecharem a tendência é haver aglomeração, por isso os varejistas seguirão com seu movimento normal”. O presidente da Fecomércio-PE acredita que a abertura das lojas possa até ajudar na recuperação do comércio neste início de ano. “O Carnaval representava quatro dias de lojas fechadas em muitos pontos da cidade. Era uma perda grande”, afirmou Peixoto.

A Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) está elaborando um documento para ser enviado aos sindicatos patronais com orientações de como as empresas devem se posicionar em relação ao cancelamento do feriado. A entidade não tem números locais sobre perdas com o feriado, e nem quis adiantar o teor do documento, que deve ser divulgado na próxima semana, mas informou através da sua assessoria de imprensa que “nunca existiu uma lei que regulamentasse o feriado de Carnaval, portanto, cada indústria tem seus acordos coletivos e negociações com sindicatos laborais”.

EMPRESA PRIVADA

No setor privado, a expectativa é se as empresas seguirão a orientação do Governo do Estado e também cancelarão o feriado do Carnaval deste ano. A advogada trabalhista Anna Carolina Cabral, do escritório Queiroz Cavalcanti, lembra que, oficialmente, apenas a terça-feira gorda (que este ano cai no dia 16 de fevereiro) é considerada feriado. “Conceder quatro dias de folga, como estamos acostumados, sempre foi uma decisão do empregador de liberar os funcionários nesse período. Aliás, só os estados onde há uma forte tradição de Carnaval, como Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, etc. é que culturalmente seguem essa regra”.

Anna Carolina explica ainda que, por conta do decreto estadual que proíbe aglomerações, todas as medidas que foram tomadas para salvaguardar o interesse coletivo vai prevalecer. “Assim, o empregador que determinar que a terça-feira de Carnaval deste ano será um dia normal de trabalho, ficará desobrigado de pagar os encargos próprios de um dia de feriado”. Mas há exceções. “Se o município onde o funcionário trabalhar optar pelo feriado, aí sim, o empregador terá que observar o que foi determinado em convenção coletiva de trabalho. Se o pagamento será em horas extras ou compensação com folga”, diz a advogada.

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