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Líder do governo Bolsonaro defende discussão sobre política de preços na Petrobras

''O que o brasileiro tem a ver com a neve no Texas?'', questionou Fernando Bezerra sobre mudança no valor do petróleo, após nevasca nos EUA

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 22/02/2021 às 11:45
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Marcelo Camargo/Agência Brasil
Valor dos combustíveis segue em alta no Brasil - FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), falou nesta segunda-feira (22) sobre a troca de comando da Petrobras e disse ser importante a discussão sobre a política de preços adotada pela empresa.

"Pergunta se tem alguém satisfeito com o aumento de 30% no valor da gasolina em dois meses. Claro que não. O que está errado? A política de preço e esse o problema foi com Michel Temer, com Dilma Rousseff, aconteceu com vários presidentes. A discussão de qual a melhor politica se vê em vários países. Tem países que preferem não dar paridade internacional do preço do petróleo, pois se fica sujeito à volatilidade do preço. Agora, por exemplo, o valor foi afetado pela nevasca que caiu no estado do Texas (EUA) e isso repercute na bomba (de combustível). O que o brasileiro tem a ver com a neve no Texas? É importante a discussão para proteger a economia popular, os consumidores e será encontrada uma solução", afirmou Fernando Bezerra à Rádio Jornal.

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As ações da Petrobras entraram em queda nos últimos dias, após Jair Bolsonaro ter anunciado na sexta-feira (19) a indicação de um novo presidente-executivo para a companhia. O presidente disse que pretende nomear o general Joaquim Silva e Luna como novo CEO da Petrobras ao final do mandato do atual chefe da estatal, Roberto Castello Branco, em 20 de março. O movimento foi  considerado uma intervenção, pois aconteceu logo após reclamações de Bolsonaro sobre a falta de previsibilidade no preço dos combustíveis.

Ouça a entrevista:

No último fim de semana, o general Luna falou à Reuters sobre "buscar um equilíbrio" para a política de preços da estatal, citando interesses de acionistas, mercado e do "povo", devido ao impacto dos preços sobre a cadeia produtiva.

As mudanças não significam, de imediato, mudanças nos valores dos combustíveis, destacou Fernando Bezerra Coelho. "Gasolina não baixa por decreto, não é isso que estou dizendo. O que digo é que o presidente mostra uma preocupação com uma politica de preços, que não se mostrou a melhor. Vê o prejuízo que tivemos com a greve dos caminhoneiros no Governo Temer. O pessoal tá satisfeito? Não. É um problema sério, a discussão é sobre como fixar preços e tem como fazer isso sem interferência. Agora, a decisão da Petrobras não é imexível. Se deve discutir, pois vários países tem outras politicas para evitar volatilidade", apontou o senador pernambucano.

Transnordestina

Durante a entrevista, Fernando Bezerra ainda explicou a situação da Transnordestina, ferrovia que iria interligar pólos produtores no interior aos portos das grandes Recife e Fortaleza. A obra foi prevista para 2010 e até os dias atuais segue sem conclusão.

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Fernando afirma que o governo Bolsonaro já fez investimentos da ordem de R$ 30 bilhões em ferrovias no País e que negocia com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) uma solução para a obra. "A Transnordestina, no trecho até Pecém, está em obras e há renegociação do governo com a atual concessionária CSN, do grupo Benjamin Steinbruch, para rescindir o contrato do ramal para Suape. Esse ramal deve ser feito por investimento direto do governo federal, através da Valec", disse o senador.

A Ferrovia Transnordestina é considerada um dos empreendimentos mais estruturadores da economia do Nordeste. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) chegou a recomendar que fosse declarada a caducidade da concessão da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), uma subsidiária da CSN, que tem a concessão para explorar o serviço ferroviário em todo o Nordeste.

"Estamos votando na próxima semana o marco legal de ferrovias e vamos instituir o modelo por autorização e a Transnordestina passa pela autorização. Se rescinde o contrato e autoriza outro grupo privado ou a Valec para concluir ramal para Suape. Esperamos que o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) possa dar essa noticia da retomada do trecho pernambucano ainda em março", concluiu Fernando Bezerra.

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