ATIVIDADE ECONÔMICA

PIB: a queda da agropecuária é preocupante? Entenda o que aconteceu

Setor teve retração de 8% no terceiro trimestre de 2021, puxando o PIB para baixo; mas não é o maior de todos os problemas

JC
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Publicado em 03/12/2021 às 13:43
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Agropecuária puxou a alta (Foto: Mayke Toscano/Divulgação)
Agropecuária puxou a alta (Foto: Mayke Toscano/Divulgação)
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Nos números do terceiro trimestre de 2021, a produção agropecuária foi apontada como um grande vilão, pela retração de 8%, puxando o Produto Interno Bruto para -0,1%. No entanto, segundo especialistas, o resultado não é dos maiores males da economia brasileira. O resultado é ruim, ninguém nega. Mas é preciso abrir a visão para outros setores que rotineiramente têm dado mais dor de cabeça para fechar a conta no azul.

O resultado da agropecuária veio calcado na sazonalidade da safra de soja e nas questões climáticas, que além de atingir a própria cultura, afetou também outras plantações. De acordo com o presidente da Federação de Agricultura do Estado de Pernambuco (Faepe), Pio Guerra, a queda no terceiro trimestre não traz nenhuma preocupação.

“Não pode assustar ninguém. Nos últimos 12 meses estamos no positivo. A questão da sazonalidade dos produtos e a questão climáticas são as causas mais relevantes. Houve uma estiagem na região de plantação de soja, que contribui para essa diferença. No cenário local, embora não saia no trimestre, no primeiro semestre deste ano nós tivemos o nosso PIB agropecuário com crescimento de 8%, enquanto em 2020 cresceu 19,8%. Esses números confortam”, explica.

A culpa da agropecuária no desempenho fraco do PIB é limitada, para Guerra e também para o economista e sócio-diretor da PPK Consultoria João Rogério Filho, e não é devido ao setor o peso do País entrar numa recessão técnica (com PIB negativo por dois trimestres seguidos).

“O grande ponto para o resultado geral é que é insignificante que o segmento de serviços, que responde por 60% da nossa atividade econômica, apresente um crescimento tão pequeno. Se eu tenho 60% do PIB crescendo a 1,1% e tenho 10% decrescendo 8%, enquanto outros 20% (da indústria) estão sendo nulos ou neutros, permanecendo estável. É compreensível que eu tenha no conjunto uma queda de 0,1%. Os serviços não cresceram porque estamos com início do processo inflacionário, originado de instabilidade política e da política de preços dos combustíveis, que interferem em tudo que nós vivemos”, salienta o economista.

“O setor da agropecuária é imperfeito em todo o mundo. Todos produzem ao mesmo tempo e comercializam ao mesmo comprador, que são as agroindústrias, muitas vezes uma só. É o produto que está vendendo é perecível, tem de vender. Por essas imperfeições, a atividade é subsidiada no mundo todo. Mesmo assim, nós crescemos substancialmente. Nos últimos cinco anos, a agropecuária cresceu 96%. O setor de serviço mais 15% e a indústria 3%. Ninguém está desesperado com esse assunto. Nós estamos com números extremamente positivos”, reforça Guerra.

Esses resultados positivos foram trazidos, segundo ele, pela alta da demanda, favorecendo o ganho com a exportação das commodities para países como China e Índia. “Ninguém consegue abastecer esses mercados que não a produção brasileira”, justifica.

Ao elencar os motivos para acreditar que o agro não é o impeditivo do crescimento, o presidente da Faepe evidência que o PIB precisará mais do que apenas o agro para sair da estagnação. “O que aconteceu, está acontecendo e irá acontecer até o final de 2022, que está inibindo o crescimento do segmento de serviços precisa ser discutido”, pondera o economista João Rogério Filho.

Em números revisados do IBGE para 2020, os serviços apresentaram uma queda de -4,3% e seguem demandado ainda mais cuidado, embora tenham crescido 11% no segundo trimestre deste ano frente ao mesmo período do ano passado, quando a base era muito baixa em função da pandemia. Juros altos e inflação não são sinais de crescimento da economia, e o Brasil ainda não mostrou possibilidades claras para além desses fatores.

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