Fórmula 1

Leclerc tem o caminho aberto para liderar Ferrari com saída de Vettel

Aos 22 anos, o piloto monegasco é o primeiro revelado pela academia de jovens da escuderia a ser promovido e ganha a preferência, uma vez que o alemão está de saída no fim do ano

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Publicado em 12/05/2020 às 12:26
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Piloto de 22 anos, Charles Leclerc receberá quase três vezes mais e ganha moral com contrato de cinco anos na Ferrari - FOTO: AFP
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O adeus à Ferrari do tetracampeão do mundo Sebastian Vettel a partir de 2020 coloca Charles Leclerc, de 22 anos, na posição de se tornar o principal piloto da lendária escuderia após apenas uma temporada na Fórmula 1.

Se o discurso oficial dizia que não haveria piloto número 1 ou número 2 na Ferrari em 2020, diferentemente de 2019, quando o veterano Vettel era o líder, a relação de forças mudou completamente na Ferrari.

E, para a escuderia italiana, Leclerc, segundo piloto mais jovem da história da Ferrari, é um investimento a longo prazo.

Primeiro piloto revelado pela academia de jovens da escuderia italiana a ser promovido para a equipe principal de Fórmula 1, o monegasco ampliou recentemente seu contrato até 2024.

Uma posição privilegiada quando a maioria dos pilotos do grid de largada tem contrato até o fim de 2020, num ano em que a Fórmula 1 espera poder iniciar sua temporada na Áustria em julho, com quatro meses de atraso devido à pandemia do coronavírus.

Conquista


Entre luta de gerações e história de amor, a conquista da Ferrari por Leclerc não demorou.

Nos treinos de pré-temporada de 2019, questionado sobre a hierarquia interna de seus pilotos, o chefe da equipe Ferrari, Mattia Binotto, respondeu que ambos estão "livres para lutar entre eles", mas que, em "caso de uma situação ambígua", Vettel seria "o campeão".

Uma escolha lógica entre Vettel, um tetracampeão do mundo (2010 a 2013) com a Red Bull, e Leclerc, um jovem que iniciava sua segunda temporada na Fórmula 1, a primeira na Ferrari.

Mas o monegasco se mostra mais rápido que o veterano companheiro desde a primeira corrida, na Austrália, onde tem negada pela direção da Ferrari o direito de atacar Vettel na pista.

Na corrida seguinte, no Bahrein, Leclerc cravou a pole e só não ganhou a prova pro causa de um problema no motor, tendo que se contentar com a terceira posição no pódio.

É também Leclerc que dá a primeira vitória na temporada à Ferrari, no Grande Prêmio da Bélgica, antes de oferecer à Scuderia um primeiro triunfo na Itália desde 2010.

Na base do talento, da ambição e do carisma, e de um italiano impecável, Leclerc conquistou os corações dos fanáticos torcedores da Ferrari.

"Em pouco mais de seis meses Leclerc conquistou tudo: a Scuderia, o amor do povo Ferrari e sem dúvida o futuro", escreveu na época o popular diário esportivo italiano La Gazzetta dello Sport, em contratse com Vettel, que em cinco anos não conseguiu dar um mundial de pilotos à Ferrari.

Carlos Sainz cotado


A rivalidade entre os dois pilotos chegou ao ápice no GP do Brasil, no fim da temporada passada, quando os dois carros da Ferrari se chocaram na pista. Apesar de tudo, a escuderia garantia que Vettel e Leclerc "se entendem muito bem". Nesta terça-feira (12), após o anúncio de que Vettel não renovaria o contrato, Leclerc homenageou o companheiro nas redes sociais.

"Ser teu companheiro foi uma grande honra para mim. Vivemos momentos de tensão na pista. Alguns foram ótimos, outros não acabaram como eu queria, mas sempre com respeito, embora não tenha sido visto dessa maneira para quem vê de fora. Nunca aprendi tanto com um companheiro de equipe quanto com você. Obrigado por tudo, Seb", escreveu Leclerc.

A questão agora é descobrir quem substituirá Vettel em 2021 e qual será seu status em relação a Leclerc.

Os boatos que apontavam para Lewis Hamilton perderam voz, após o hexacampeão britânico insistir nos últimos dias de que quer permanecer na Mercedes.

Por outro lado, ganham força os rumores de que a Ferrari estaria de olho no espanhol Carlos Sainz (McLaren), no italiano Antonio Giovinazzi (Alfa-Romeo), outro piloto revelado pela academia da Scuderia, e no australiano Daniel Ricciardo (Renault). Este último, porém, não tem o perfil para ser um coadjuvante.

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