O REI E O TRIO DE FERRO

Sport teve a chance de ter Pelé, mas disse não ao Santos

Um telegrama desbotado pelo tempo mostra que no dia 5 de novembro de 1957 o Santos ofereceu um tal de Pelé de 17 anos ao Sport, que recusou o jogador por ele ser "muito novo e desconhecido".

Leonardo Vasconcelos
Leonardo Vasconcelos
Publicado em 25/10/2020 às 0:42
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MARKETING No começo dos anos de 1960, Pelé veio jogar contra o Sport na Ilha e diretores lhe concederam título de sócio patrimonial. Ação visava gerar recursos para expandir o clube - FOTO: DIVULGAÇÃO
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Um rei rejeitado. Responsável? Sport Club do Recife. O Leão disse não a Pelé. Não. Não se trata de mentira ou delírio. A prova material do que muitos acreditam ter sido o maior erro da história do clube se encontra muito bem guardada até hoje na sala de troféus da Ilha do Retiro, onde quem sabe o Rei, que completou 80 anos na última sexta-feira (23), poderia ter colocado mais taças vestindo o manto rubro-negro. Um telegrama desbotado pelo tempo (e pela mágoa?) mostra que no dia 5 de novembro de 1957 o Santos ofereceu um tal de Pelé de 17 anos ao Sport, que recusou o jogador por ele ser "muito novo e desconhecido".

O documento histórico foi guardado por décadas pela família de Ademir Menezes, O Queixada, aquele mesmo artilheiro da Copa de 1950. O primo do jogador, Adamir, que era representante comercial e tinha contatos nos clubes de São Paulo, foi quem intermediou a negociação. Em uma conversa com o presidente do Santos, Modesto Roma, ele pediu alguns reforços para o Sport e o telegrama em questão foi justamente a resposta à solicitação feita. A oferta do garoto de nome peculiar não foi um desprezo do Peixe. Pelo contrário, o time da Vila Belmiro (ao contrário do da Praça da Bandeira) já tinha noção da joia que tinha em mãos. Por isso que a proposta era somente de empréstimo e apenas por quatro meses, para dar ao então jovem reserva mais bagagem. E como teria sido a experiência do futuro Atleta do Século aqui? Marcaria muitos gols na Ilha? Ficaria bem de preto e vermelho?

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A tão propalada e criticada negativa foi dada pelo então diretor de futebol do Leão José Rosemblit, que obviamente não tinha a menor noção de que o "moleque do telegrama" viria a se transformar no melhor jogador de todos tempos. Na ocasião, ainda sem a coroa, era realmente mais um jogador novo e desconhecido. O dirigente não poderia adivinhar que apenas alguns meses depois veria aquele que rejeitou conquistar a Copa do Mundo de 1958. Décadas depois, o ex-diretor, já conformado com a falha histórica, deu várias entrevistas, inclusive bem-humorado. "Pelé pode ser até que deva a fama dele a mim por não ter trazido ele pra cá", disse José Rosemblit, dando risadas, mas que na época não ficou tão feliz assim.

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O detalhe é que durante décadas o próprio Pelé desconheceu o fato de ter sido oferecido pelo Peixe ao Leão. "Não, eu não sabia. Olha, tem tantos casos. Parece que tem uma história do Vasco, dizem que do Bangu também, não sei. Parece que disseram que eu era muito jovem e não queriam", disse Pelé, em uma entrevista para a televisão, quando questionado sobre o assunto. Talvez tenha sido melhor assim. Os goleiros leoninos da época agradecem. Se segurar o Rei já era difícil, imagina com mágoa?

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