O REI E O TRIO DE FERRO

"Um dos melhores times que enfrentei", disse Pelé sobre o Náutico de Bita

Dezessete de novembro de 1966. Em uma noite fria de quarta-feira em São Paulo, o Náutico fez, para muitos, a melhor partida da sua história ao derrotar por 5x3 o Santos, em pleno Pacaembu. Em vez de Pelé, outras quatro letras decidiram ao marcar quatro vezes: Bita

Leonardo Vasconcelos
Leonardo Vasconcelos
Publicado em 25/10/2020 às 1:16
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ACERVO JC
FOI DURO Pelé disse que Náutico foi um grande adversário - FOTO: ACERVO JC
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Dezessete de novembro de 1966. Em uma noite fria de quarta-feira em São Paulo, o Náutico fez, para muitos, a melhor partida da sua história ao derrotar por 5x3 o Santos, em pleno Pacaembu. Em vez de Pelé, outras quatro letras decidiram ao marcar quatro vezes: Bita. Silvio Tasso Lasalvia, pela certidão. O "Homem do Rifle", pela fama. Naquela data, deu o tiro mais certeiro de sua vida. Não chegou a acertar o Rei, mas o fez se curvar diante da mira do pernambucano.

Era o segundo jogo das semifinais da Taça Brasil. No primeiro, vitória de 2x0 do time paulista, na Ilha do Retiro. Mas o Timbu, tricampeão estadual na época, contava com um homem inspirado que só precisou de um minuto para provar isso. Esse foi o tempo que Bita levou para marcar seu primeiro gol. O Peixe empatou, mas no fim do primeiro tempo Bita anotou outro. Logo aos 4 minutos da segunda etapa, veio o terceiro tento de Bita. O atacante viu outros marcarem e quando o placar estava 4x3 para o Náutico veio a coroação. Faltando 4 minutos para o fim do jogo, Bita fez mais uma vez jus ao apelido e, tal qual um rifle, disparou um chute certeiro de fora da área para marcar o quarto gol... e seu nome na história.

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"Bita estava realmente iluminado. Era incrível. Tudo o que ele pensava em fazer dava certo. Tentava uma jogada, acertava. Arriscava um chute, acertava. No final do jogo, nem ele mesmo tinha acreditado que fez quatro gols no Gilmar!", disse o lateral Gena, que também estava presente na lendária partida e morreu em novembro de 2018. A referência exclamativa ao goleiro não foi à toa. O Gilmar em questão era nada menos que o famoso arqueiro da seleção brasileira na época. Prato cheio para os jornais que estamparam em manchetes: "Nunca o goleiro Gilmar, do Santos, havia levado mais de três gols de um só jogador em uma partida. Ontem, só Bita fez quatro!".

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No entanto, dois dias depois, os periódicos voltaram a dar destaque ao todo-poderoso Santos ao noticiar a vitória por 4x1 no jogo de desempate, no Pacaembu. Novamente o Rei passou em branco. Novamente Bita obrigou os jornais a citá-lo por ter sido o autor do único gol alvirrubro. O jogador, que seguiu sendo notícia ao se tornar o maior artilheiro da história do time vermelho e branco com 221 gols, morreu em 1992. Ainda em vida, soube pela imprensa do reconhecimento do próprio Rei. Em entrevista, quando perguntado quais os melhores times que tinha enfrentado, Pelé respondeu: "O Cruzeiro de Tostão, o Palmeiras de Ademir da Guia e o Náutico de Bita". Descarregou o rifle, dormiu em paz.

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