Beirute

Ao menos seis mortos durante protesto no Líbano por investigação de explosão

Tiroteios aconteceram durante uma manifestação dos movimentos xiitas Hezbollah e Amal, em Beirute

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Publicado em 14/10/2021 às 12:52
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Entre os mortos há uma mulher de 24 anos que foi baleada na cabeça dentro de casa, disse à AFP um médico do hospital Sahel, ao sul de Beirute - FOTO: IBRAHIM AMRO / AFP
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Pelo menos seis pessoas morreram e quase 30 ficaram feridas nesta quinta-feira (14) em tiroteios durante uma manifestação dos movimentos xiitas Hezbollah e Amal, em Beirute, contra o juiz encarregado de investigar a explosão no porto da capital libanesa em agosto de 2020. Várias áreas de Beirute se tornaram uma zona de guerra. Tiros e explosões incessantes ecoaram não muito longe do Palácio de Justiça, diante do qual se reuniram centenas de manifestantes vestidos de preto, alguns deles armados, confirmaram jornalistas da AFP.

O ministro do Interior, Bassam Mawlawi, informou em entrevista coletiva o balanço de seis mortos, alguns atingidos por tiros na cabeça, sugerindo que os disparos foram obra de "franco-atiradores". Entre os mortos há uma mulher de 24 anos que foi baleada na cabeça dentro de casa, disse à AFP um médico do hospital Sahel, ao sul de Beirute.

Em um comunicado conjunto, o Hezbollah e Amal também acusaram "atiradores postados nos telhados de edifícios" de terem atirado contra os manifestantes. Mas quem efetuou os disparos e como esse protesto degenerou tão rapidamente não está claro no momento. No total, 30 pessoas ficaram feridas, segundo a Cruz Vermelha Libanesa, e foram socorridas por ambulâncias perto do Palácio de Justiça.

As ruas se esvaziaram rapidamente e os libaneses se refugiaram em suas casas, revivendo momentos vividos em guerras passadas que pensavam ter esquecido. Vídeos de alunos escondidos embaixo das mesas ou deitados no chão durante a aula circulavam nas redes sociais. "Eu me escondi com meu primo e minha tia em um espaço de dois metros quadrados, por medo de balas perdidas", comentou Bissan al-Fakih, um morador da área, à AFP.

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Tiros e explosões incessantes ecoaram não muito longe do Palácio de Justiça, diante do qual se reuniram centenas de manifestantes vestidos de preto, alguns deles armados, confirmaram jornalistas da AFP - IBRAHIM AMRO / AFP

Tanques do exército foram posicionados, e os militares alertaram que atirariam em qualquer um que abrisse fogo. Convocados pelo Hezbollah e Amal, os manifestantes exigiam a demissão do juiz Tareq Bitar, responsável pela investigação da explosão no porto da cidade, ocorrida em 4 de agosto de 2020 devido a quantidades de nitrato de amônio armazenadas irregularmente no local. Pelo menos 214 pessoas morreram na tragédia, que teve mais de 6 mil feridos e muitos edifícios devastados.

Os manifestantes queimaram retratos do juiz e da embaixadora dos Estados Unidos no Líbano, Dorothy Shea. Esses confrontos sangrentos coincidem com a presença em Beirute da número três do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland. O primeiro-ministro Nagib Mikati pediu calma e criticou as tentativas de mergulhar o país em um ciclo de violência.

O Hezbollah e seus aliados acreditam que o juiz está politizando a investigação. Na terça-feira, o juiz Bitar emitiu um mandado de prisão para o deputado e ex-ministro das Finanças Ali Hassan Khalil, membro do Amal e aliado do Hezbollah. Foi então obrigado a suspender a investigação porque dois ex-ministros apresentaram queixa contra ele na Justiça, que foi indeferida nesta quinta-feira, para que o magistrado possa dar continuidade ao seu trabalho.

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Em um comunicado conjunto, o Hezbollah e Amal também acusaram "atiradores postados nos telhados de edifícios" de terem atirado contra os manifestantes - IBRAHIM AMRO / AFP
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Tanques do exército foram posicionados, e os militares alertaram que atirariam em qualquer um que abrisse fogo - IBRAHIM AMRO / AFP

O assunto está prestes a causar uma implosão do recém-formado governo libanês, após um ano de bloqueio político, pois os ministros do Hezbollah e do Amal pediram a substituição do juiz, o que os demais membros do governo recusaram. "O fato de o Hezbollah ir às ruas e colocar toda sua força nesta batalha pode provocar grandes confrontos e desestabilização de todo o país", comentou à AFP o analista Karim Bitar. As autoridades locais, acusadas de negligência criminosa, recusam-se a autorizar uma investigação internacional e são acusadas pelos familiares das vítimas e por ONGs de obstrução da justiça.

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