Opinião

Recessão, desemprego e inflação

"A falta de otimismo do setor produtivo e empresarial na retomada gradual da economia é outro fator a dificultar a criação de vagas e oferta de empregos. Como investir frente a tantas incertezas?". Leia a opinião de Randolfe Rodrigues

RANDOLFE RODRIGUES
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RANDOLFE RODRIGUES
Publicado em 09/12/2021 às 7:41
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A taxa de desemprego ficou em 12,5% no terceiro trimestre - FOTO: NE10
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Novos dados divulgados pela PNAD Contínua - a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - assim como os dados do 3º trimestre do PIB ilustram o caos que tomou conta do ambiente econômico nacional e com consequências que podem ser percebidas por qualquer pessoa: recessão, inflação, câmbio elevado e desemprego em massa. Os dados, além de preocupantes, apontam sérias dificuldades para o próximo ano.

Um dos problemas crônicos que assola a população é o desemprego, que persiste atingindo aproximadamente 14 milhões de brasileiros e brasileiras. Ainda mais assustador é o contingente de desalentados, isto é, aquelas pessoas que desistiram de procurar emprego e que somam 6 milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

Aliado ao desemprego está a inflação, já na casa dos dois dígitos e sem expectativa de queda, ignorando as sucessivas altas de juros e sendo retroalimentada pelo próprio governo, ao permitir a política de reajuste de combustíveis ou sendo pusilânime em relação à desvalorização do Real.

A informalidade sempre foi uma realidade do mercado de trabalho brasileiro e a incapacidade de gestão do governo Bolsonaro aumentou o número de trabalhadores e trabalhadoras sem vínculo empregatício. São quase quarenta milhões de pessoas nessa situação - um recorde - localizadas principalmente nas regiões norte e nordeste do país. No Amapá, meu estado, cerca de 51% das ocupações são informais, além 17,5% da população ativa desocupada.

Para completar, a renda média do trabalhador brasileiro está em queda contínua, atingindo o menor patamar desde 2012. A remuneração caiu mais de 11% em um ano, demonstrando que as (poucas) novas contratações foram efetivadas com salários menores. A fórmula se torna profundamente perversa, pois a renda cai e os preços sobem.

A falta de otimismo do setor produtivo e empresarial na retomada gradual da economia é outro fator a dificultar a criação de vagas e oferta de empregos. Como investir frente a tantas incertezas? De acordo com o IBGE, responsável pela PNAD, o déficit é de pelo menos trinta milhões de vagas e o país não parece preparado para este desafio.

São os frutos amargos colhidos após três anos de política econômica Bolsonaro-Guedes.

Randolfe Rodrigues, senador da República (Rede-AP)

*Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

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