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Opinião: Faniquito do cara

A constrangedora cena do faniquito aprontado por Roberto Carlos no seu recente show no Pina foi mais uma demonstração do seu lado mesquinho

Por ARTHUR CARVALHO Publicado em 15/01/2025 às 0:00 | Atualizado em 15/01/2025 às 7:42

O fato aconteceu durante o show de Roberto Carlos, que abriu o Réveillon do Recife, em estrutura montada na Praia do Pina para as comemorações de ano novo, no dia 26 de dezembro do ano passado.

Segundo as notícias, ele ameaçou interromper o espetáculo se os fotógrafos continuassem a fotografar, ou seja, a trabalhar.

Conforme ele, no contrato firmado entre as partes, teria uma cláusula dizendo que os fotógrafos somente poderiam fotografá-lo em seu primeiro número.

Se isso é verdade, a metade da culpa do ocorrido é da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos da Imprensa de Pernambuco (ARFOC-PE( por ter consentido a cláusula leonina, mas isso é outra coisa.

Condenável é a maneira como o rei (de quê?) reagiu, desrespeitando grosseiramente todos que o prestigiavam, comparecendo ao evento desde cedo.

Postura

Orlando Silva, O Cantor das Multidões, nunca fez e nunca faria isso apesar de ser muito melhor do que ele em todos os sentidos.

Pois, como seu nome sugeria, era adorado pelo povão e não pela alienada Jovem Guarda. Quem gravou os clássicos Rosa e Carinhoso, de Pixinguinha, genial e maior músico popular do Brasil, jamais interpretaria O Calhambeque e Esse cara sou eu, peças ridículas que embalaram, durante tempos, imbecis e mal-amadas.

Quando a ditadura de 64 prendia, torturava e matava artistas, compositores, cantores, teatrólogos, poetas e escritores do Brasil, ele pedia pelas baleias. E mandava tudo mais pro inferno, censurando os livros que ousavam falar nele.

Num lugar civilizado, se ele cumprisse a promessa de suspender o show, histericamente como fez, seria preso em flagrante delito e recolhido ao xilindró.

Histórias que ensinam

Num célebre jogo Argentina X Brasil pela Copa Roca em Buenos Aires na década de 40, quando nosso Selecionado se negou a entrar em campo com receio do massacre de Los Hermanos, o delegado de plantão no estádio avisou: "Se recusarem a jogar, eu retiro meus policiais e vocês decidem com a torcida."

O Brasil adentrou o gramado e levou muita porrada dos argentinos que se vingavam de Jair Rosa Pinto ter quebrado a perna de Ramos, half esquerdo portenho, na partida anterior em São Januário.

O saudoso cronista Zuenir Ventura considerava as músicas de Roberto Carlos, músicas de elevador.

Temos que respeitar a cultura de um País que deu Chico Alves, Carlos Galhardo, Silvio Caldas, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Carmem Miranda, Aracy Cortes, Ângela Maria, Carmem Costa, Maria Bethânia, Gal Costa e Dalva de Oliveira.

Arthur Carvalho, da Associação da Imprensa de Pernambuco - AIP

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