Jones Figueiredo: de frases malditas e suas consequências trágicas
As frases malditas, no seu contexto histórico, desencadeiam eventos trágicos, eivadas de erros, decisões ou ideias profundamente negativas

Los Angeles ardeu em chamas de seus incêndios florestais, com primeiras ocorrências na terça-feira, 07 de janeiro.
Dias antes, no domingo, durante a entrega do “Golden Globe Awards (“Prêmios Globo de Ouro”), a apresentadora Nikki Glaser destacou a falta de agradecimentos a Deus nos discursos dos vencedores e mostrou, com ironia, o “ranking” das menções (Cast & Crew, 11; God 0)
E arrematou: “Nenhuma surpresa para essa cidade sem Deus” (“No surprise in thos Godless town”).
Os incêndios chegaram e não foram apenas pelas secas de invernos, as mudanças climáticas extremas, os ventos sazonais fortes, o evento de Santa Ana Wind.
A área total queimada foi maior que a área da cidade de Paris (103,6 km2) e a conta dos danos e perdas econômicas são estimadas pela empresa AccuWeather, em U$ 275 bilhões. Terra devastada.
O peso das frases históricas e suas tragédias
As frases malditas, no seu contexto histórico, desencadeiam eventos trágicos, eivadas de erros, decisões ou ideias profundamente negativas. Surgem as consequências.
Durante uma crise de fome na França no século XVIII, Maria Antonieta, rainha consorte do rei Luís XVI, teria respondido à notícia de que o povo não tinha pão: "Que comam brioches" ("Qu'ils mangent de la brioche").
A célebre frase simbolizou a insensibilidade da monarquia com o sofrimento do povo. Culminou na Revolução Francesa (1789), na queda da monarquia, com a Primeira República (1792), e na sua execução (1793), levada à guilhotina na Place de la Révolution (atual Place de la Concorde).
Exemplo de declínio surge quando John Lennon afirmou (“London Evening Standard”, março/1966) serem os Beatles mais populares que Jesus Cristo. Argumentou que o cristianismo perdia relevância perante os jovens diante do impacto cultural da banda.
Apenas quatro anos depois (10.04.1970), os Beatles se separaram. Tocaram juntos, pela vez derradeira (30.01.1969) no famoso "Rooftop Concert", apresentação surpresa no telhado da gravadora Apple Corps, em Londres.
Distanciado da religião, em sua canção “God”, ele canta: “Deus é um conceito pelo qual medimos nossa dor”. John Lennon foi assassinado aos 40 anos (08.12.1980). O assassino Mark David Chapman confessou ressentimento contra Lennon, devido a declarações do músico.
Frases de blasfêmia, arrogância e totalitarismo
Outras frases de blasfêmia, ofendem crenças religiosas, as de caráter sagrado, gerando repercussões negativas.
“Deus está morto” (“Gott ist tot“), bradou o filosofo Friedrich Nietzsche (1882), filho de pastor luterano, na sua obra “A Gaia Ciência”, em metáfora para a sua crítica ao cristianismo.
Ao defender o declínio da influência religiosa tradicional diante do avanço do racionalismo e da ciência, sua mente entrou em colapso.
Passou dez anos em silêncio absoluto, aprofundando a loucura, morrendo em 1900.
“Nem Deus pode afundar este navio”, associada ao RMS Titanic, é a frase da arrogância humana.
Tem sido atribuída a Edward Smith (capitão do Titanic) ou a J. Bruce Ismay, o presidente da empresa que construiu o navio, a White Star Line.
Em sua viagem inaugural o Titanic, considerado “insubmersível”, colidiu com um iceberg (14.04.1912), morrendo mais de 1.500 pessoas.
Nos instantes finais do naufrágio, a orquestra que tocava no convés, executou o hino “Plus près de toi, mon Dieu” (“Mais perto de ti, meu Deus”), depois conhecido como “Chant du Titanic”.
A negação de Deus e suas repercussões
Os filósofos Jean-Paul Sartre e Bertrand Russel negaram Deus. “Se Deus existe, ele não me preocupa. Se não existe, eu não me preocupo”, afirmou o existencialista francês, em sua perspectiva da desnecessidade de um ser superior para dar significado à vida.
O inglês Russel, na mesma toda, foi contundente contra a existência de Deus para explicar o universo. “É um fato que Deus não existe” – disse ele.
Ambos perderam seus pais muito cedo. Russel perdeu ambos, com dois anos de idade, criado pelo avô Lord John Russell.
Na mesma idade, Sartre ficou órfão do pai Jean Baptiste Marie Eymard Sartre. Ateístas, talvez por isso. Luís Buñuel, cineasta espanhol, assumiu também posição ateísta, ao afirmar: “Se Deus existe, eu sou um ateu.”
A seu turno, as frases de cunho nazifascista, são todas repulsivas na história. As saudações obrigatórias “Heil Hitler” (“Viva Hitler”) e “O Duce” (“O Líder”), como juramento de lealdade, e “Sieg Heil” (“Viva a Vitória”) tornam-se símbolos do totalitarismo, do ódio e da violência, culminando no trágico destino de Adolf Hitler e Benito Mussolini.
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Lembre-se a inscrição “Arbeit Macht Frei" (“O trabalho liberta”), nos portões de campos de concentração nazistas, como Auschwitz. Usada, com ironia, para iludir os prisioneiros sobre a natureza dos campos, onde explorado o trabalho forçado em condições desumanas.
No ponto, a frase atribuída a Josef Mengele “Em nome da ciência, tudo é permitido”, a respeito dos seus experimentos de horror durante o Holocausto.
Anote-se a expressão " ! !" ("Pela Pátria! Pelo Stalin!"), ditada pelos soldados soviéticos na 2ª Grande Guerra. As frases buscando a fusão do Estado com o culto da personalidade (“Ave, César”), são exemplos permanentes de frases malditas, com suas consequências trágicas.
“Fake News” (“Notícias falsas”) tem sido a frase mais usada, seja como discurso para deslegitimar informações críticas reais ou em tornando-se símbolo de desinformação, ampliando mentiras. Que não contribua para consequências piores.
Jones Figueirêdo Alves, desembargador emérito do TJPE. advogado e parecerista.