RECUO

Praia de Porto de Galinhas tem sexta sem barraqueiros e ambulantes após Governo prometer liberação

Em coletiva nessa quinta-feira, a gestão estadual informou que a retomada do trabalho dessas pessoas, proibido há cinco meses devido a pandemia da covid-19, ocorrerá na etapa oito do Plano de Convivência com a Covid-19, mas ainda não há data prevista

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 21/08/2020 às 13:22
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GORETE ARAÚJO/CORTESIA
PORTO DE GALINHAS Faixa de areia amanheceu sem os comerciantes - FOTO: GORETE ARAÚJO/CORTESIA
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Atualizada às 22h08

Os guarda-sóis e as cadeiras deixaram de compor o cenário das praias de Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco, na manhã desta sexta-feira (21). Isto porque, após dois dias de protesto e retorno forçado, barraqueiros e ambulantes disseram ter recebido durante reunião com representantes do Governo de Pernambuco a promessa de que poderiam voltar às atividades ainda no dia 31 de agosto. A informação, no entanto, não foi confirmada à imprensa. Em coletiva nessa quinta-feira, a gestão estadual informou que a retomada do trabalho dessas pessoas, proibido há cinco meses em todo o Estado devido a pandemia da covid-19, ocorrerá na etapa oito do Plano de Convivência com a Covid-19, mas ainda não há data prevista.

 

Representante da Associação dos Barraqueiros de Porto de Galinhas, Everlando José é categórico: se a promessa não for cumprida, os barraqueiros voltarão novamente a trabalhar, em forma de protesto. "No dia 20, ontem, após muita pressão dos barraqueiros na Avenida Boa Viagem e em Porto de Galinhas, o Governo do Estado anunciou que o nosso retorno havia sido antecipado da 10ª etapa para a 8ª, e nos deu a esperança de que retornaríamos com o comércio de praia no dia 31 de agosto, foi por esse motivo que a gente recuou. Se no dia 31 ele não cumprir, a gente volta para a faixa de areia", afirmou.

Se no dia 31 ele não cumprir, a gente volta para a faixa de areia
Representante da Associação dos Barraqueiros de Porto de Galinhas, Everlando José

A informação da promessa de volta para o dia 31 é compartilhada pelo secretário-geral da Associação dos Artesãos e Vendedores Ambulantes de Artigos Diversos em Ipojuca (AVADIR), Bira Coutinho. Ele conta que, após o protesto, a classe foi recebida por Eduardo Figueiredo, Secretário Executivo Articulação e Acompanhamento da Casa Civil, que já vem discutindo sobre o retorno às atividades com os ambulantes e barraqueiros no Palácio do Campo das Princesas. “Ele falou que no dia 31 reabriria. Com isso, nós,  respeitando, decidimos não ‘descer’ (trabalhar) mais, mas depois vimos que não tem data nenhuma, então ficamos nesse impasse", afirmou.

Segundo Bira, aconteceu uma reunião nesta sexta-feira com a promotoria da Prefeitura de Ipojuca, que pediu para que os trabalhadores aguardassem mais uma semana. "Estão pedindo um parecer do Ministério Público e que a gente esperasse uma posição por uma semana. A gente não pode descer, também, por conta da penalização, porque se a gente resistir vamos ter problemas com a polícia, e não queremos isso. Mas já deixamos claro: se, daqui a uma semana, eles não falarem algo, vamos ter que agir novamente."

Em nota, a Prefeitura de Ipojuca disse foi feita uma solicitação ao Ministério Público "pedindo ajuda no diálogo entre as categorias e os poderes públicos municipal e estadual também foi protocolado no dia 20. E o fruto desta solicitação aconteceu em forma de reunião, nesta sexta (21) no Ministério Público, comarca do Ipojuca. Estiveram presentes a Procuradoria do município, o secretário de Defesa Social do Ipojuca, Osvaldo Morais, o secretário de Meio Ambiente e Controle Urbano, Erivelto Lacerda, e os presidentes das Associações dos Barraqueiros e dos Ambulantes, Gisélia de Lima Santos e Carlos Nunes de Souza, respectivamente. Na ocasião, a promotora Márcia Maria Amorim de Oliveira, reforçou a importância do cumprimento do decreto estadual explicando sobre as penalidades. Foi informada pelo procurador do Ipojuca sobre os bons dados epidemiológicos do município e sobre o protocolo sanitário municipal bem como as capacitações que a Prefeitura fez com as categorias para a volta das atividades."

 

Também nessa quinta-feira (20), pela segunda vez em menos de uma semana, comerciantes informais de praia fecharam a Avenida de Boa Viagem, na altura do quiosque 38, próximo à Pracinha de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, em reivindicação pela retomada. Apesar de as praias estarem abertas para banho de mar, prática de atividades físicas e quiosques, o comércio na faixa de areia ainda não foi permitido nos municípios.

Liberação prevista para próxima etapa

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Bruno Schwambach, disse, em entrevista coletiva nessa quinta, que a atividade dos comerciantes na faixa de areia está prevista para ser incluída na próxima etapa, a 8, do Plano de Convivência com a Covid-19.

Contudo, Shwambach não anunciou a data prevista para que a Macrorregião de Saúde I poderá avançar para essa fase. Atualmente, a região está na 7ª etapa do plano de convivência. O secretário também destacou que o Governo do Estado está em diálogo com representantes do setor para atualizar o protocolo para reabertura dessas atividades na praia.

Citação

Se no dia 31 ele não cumprir, a gente volta para a faixa de areia

Representante da Associação dos Barraqueiros de Porto de Galinhas, Everlando José

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