Recife

UFRPE homenageia menino Miguel ao criar instituto voltado para o cuidado da infância ao envelhecimento

Após sua inauguração, marcada para o próximo dia 13 de outubro, o órgão funcionará como um agregador de pesquisas, projetos e propostas de políticas públicas voltadas aos temas bem-estar, família e processos do envelhecimento dentro da universidade

Mayra Cavalcanti
Mayra Cavalcanti
Publicado em 17/09/2020 às 11:29
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WELLINGTON LIMA/JC IMAGEM
O Instituto Menino Miguel abrigará a Escola de Conselhos de Pernambuco, o Núcleo do Cuidado Humano, o Núcleo do Envelhecimento e o Observatório da Família, estruturas já existentes na UFRPE - FOTO: WELLINGTON LIMA/JC IMAGEM
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Unir as iniciativas relacionadas à infância e ao envelhecimento da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), além de eternizar a memória de Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, que morreu em junho deste ano após cair do nono andar de um prédio no Centro do Recife. Foi com este objetivo que foi criado o Instituto Menino Miguel. Após sua inauguração, marcada para o próximo dia 13 de outubro, o órgão funcionará como um agregador de pesquisas, projetos e propostas de políticas públicas voltadas aos temas bem-estar, família e processos do envelhecimento, dentro da universidade, no bairro de Dois Irmãos, na Zona Norte do Recife.

“Pensamos em batizar com o nome de Miguel porque o caso mobiliza as dimensões da vida humana. Ele era uma criança, que pertencia a uma família, tinha mãe e avó. Sozinho, ele abarca tudo isso”, comenta Humberto Miranda, coordenador do Instituto Menino Miguel. O órgão vai reunir quatro estruturas que já existiam na UFRPE. São eles: a Escola de Conselhos de Pernambuco, o Núcleo de Cuidado Humano, o Núcleo de Envelhecimento e o Observatório da Família.

“As ações desenvolvidas no Instituto Menino Miguel caminham para pesquisa, ensino e extensão a partir da lógica do cuidado humano, infância e famílias, além de ações de formação pros conselheiros tutelares, de direito, e pessoas da rede de proteção. Todas as atividades vão ser coordenadas pelo instituto”, acrescenta Miranda. As ações do Menino Miguel contam com o apoio e o acompanhamento da mãe de Miguel, Mirtes Renata.

A previsão é de que, no próximo ano, seja criado um instituto itinerante, que será levado para as cidades do interior de Pernambuco, com a participação de Mirtes. “Para mim, é muito importante saber que esse instituto vai ajudar pessoas, porque Miguel gostava de ajudar, era um menino prestativo. Então, ele vai estar bem representado. Independente de cor, raça ou religião, o instituto vai distribuir amor e ajudar a diminuir o preconceito”, relata Mirtes. A mãe de Miguel participa de uma live, que acontece nesta sexta-feira (18), às 18h, no perfil do instituto no Instagram (@immurfpe), juntamente com a cantora Adriana Calcanhotto.

A artista lança, na mesma data, a música “2 de Junho”, composta em homenagem a Miguel. A renda dos direitos autorais da canção será revertida para o Instituto. “Eu ouvi a música, entrei em contato com Adriana e falei que iríamos criar o instituto com o nome de Miguel. Ela perguntou o que poderia fazer para ajudar e eu sugeri que a letra da música fosse emoldurada para colocarmos no memoria. Mas aí ela veio com a ideia de doar os direitos autorais. Ficamos muito felizes pela generosidade dela”, comenta Hugo Monteiro Ferreira, coordenador do Núcleo de Cuidado Humano da UFRPE.

Caso Miguel

O menino Miguel morreu no dia 2 de junho, após cair do nono andar do Edifício Píer Maurício de Nassau, situado na Rua Cais de Santa Rita, no bairro de São José. A criança estava aos cuidados da patroa da mãe, Sarí Gaspar Corte Real, esposa do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker. Ela foi indiciada por abandono de incapaz com resultado de morte e aguarda julgamento em liberdade. No momento da queda de Miguel, Mirtes passeava com o cachorro de Sarí.

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