POLÍCIA

Pernambucana e amiga são vítimas de feminicídio no Pará

Jéssica Mesquita tentou colocar um fim no relacionamento com o marido, que não aceitou a separação

Amanda Rainheri
Amanda Rainheri
Publicado em 05/02/2021 às 16:43
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Jéssica Mesquita foi assassinada pelo companheiro no último sábado (30) - FOTO: Reprodução
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Após sofrer anos de um relacionamento abusivo, a farmacêutica Jéssica Araújo Bezerra Mesquita, de 27 anos, e a amiga dela, Tamires Abdon, foram assassinadas pelo marido Joelson Alves de Sousa, 54, no último sábado (30), em Belém, no Pará. Ela, que é pernambucana, vivia com Joelson, militar da Aeronáutica, naquele Estado desde 2018. Uma missa em homenagem à jovem deverá acontecer nesta sexta-feira (5) em Ipojuca, no Litoral Sul, onde vivem os familiares. 

Jéssica é natural do Recife e passou a infância em Ipojuca. Ela era mestre em farmácia e foi aprovada em um concurso federal para técnico em farmácia, em Belém, em 2018, quando passou a morar no Pará com o esposo. 

Relatos de amigos que trabalhavam com a vítima no Hospital Barros Barreto e que preferiram não se identificar, dão conta de que a vítima vivia uma relação conturbada com Joelson. Segundo eles, Jéssica tentava se separar, mas o homem a chantageava. Para a família, no entanto, Jéssica afirmava que o ex-marido havia aceitado o fim do relacionamento.

Cansada de viver em meio a ameaças, ela decidiu pedir exoneração do cargo que ocupava e comprar uma passagem de volta a Pernambuco. A passagem estaria comprada pro dia 12 de fevereiro. 

No dia do assassinato, Jéssica avisou a tia, Juliana Bezerra, que iria sair do apartamento porque já não estava mais aguentando a pressão psicológica que ele fazia sobre a separação. “Ela também me avisou que a amiga Tamires (Abdon) iria buscá-la e ela ficaria na casa da amiga até a volta para Ipojuca”, explicou a tia. Segundo ela, através de conversa pelo WhatsApp, às 11h57, ele mandou foto de que estava “tudo certo” e estava “ajudando a arrumar tudo”.

Tamires Abdon, que é natural do Maranhão, tentou ajudar a amiga, mas foi esfaqueada por Joelson. Ao todo, foram 13 facadas. Tamires morreu no local. Em seguida, o militar partiu para cima da esposa e desferiu cinco golpes de faca nas costas.


Os vizinhos escutaram os pedidos de socorro e chamaram a polícia. Joelson foi preso em flagrante pelo duplo feminicídio. O militar, que estava ferido, foi levado para o hospital e está sob custódia da Aeronáutica. 

De acordo com a família, no dia 31 de janeiro, foi decretada a prisão preventiva com expedição do mandado de prisão para qualquer unidade prisional, mas até agora ele se encontra detido na Aeronáutica de Belém. Não existe, no entanto, no processo, nenhum termo de transferência para a Aeronáutica, o que apontaria, para eles, a irregularidade da manutenção do réu na Aeronáutica, já que não se trata de um crime militar, mas comum (feminicídio duplo).

Em nota, a Polícia Civil do PArá informou que instaurou inquérito policial para apurar a morte das duas mulheres. As autoridade afirmaram que amigos e familiares já foram ouvidos. "A justiça já homologou o flagrante e converteu a prisão do agressor em preventiva. A pena pelos crimes pode chegar a 60 anos de prisão. O indiciado continua internado em um hospital Militar sob custódia", diz o comunicado. 

Também em nota, a Aeronáutica informou que Joelson Alves de Souza é militar da reserva e que o suspeito passou por uma cirurgia no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência no sábado, sendo transferido ao Hospital de Aeronáutica de Belém (HABE), onde está internado.

"A prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva pela justiça, que determinou que a Força Aérea Brasileira mantivesse o militar da reserva sob sua custódia, conforme determina o Estatuto dos Militares (Lei 6880)."

O comando ainda informou que, quando receber a alta hospitalar o militar da reserva, Joelson cumprirá o prazo da prisão preventiva em unidade da FAB, enquanto aguarda o julgamento da ação criminal.

 


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