NATUREZA

Animais exóticos do Parque Estadual de Dois Irmãos, no Recife, serão transferidos; equipamento foca em biomas de Pernambuco

Espécies exóticas que o equipamento hoje abriga serão transferidas para outras entidades de conservação

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 14/04/2021 às 12:00
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Sérgio Bernardo/Acervo JC Imagem
Por conta das medidas de restrição, o zoológico está fechado para visitação - FOTO: Sérgio Bernardo/Acervo JC Imagem
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O Parque Estadual de Dois Irmãos anunciou, nesta quarta-feira (14), as configurações do seu novo Plano Diretor, que redefine as políticas do zoológico. A partir de agora, o equipamento passa a receber apenas animais da Mata Atlântica, Caatinga e das zonas de transição, e vai transferir a maioria das espécies exóticas que hoje abriga para outras entidades de conservação.

O plano define as espécies que podem ser abrigadas no zoo, as espécies que farão parte dos projetos de conservação, e continua com o trabalho exclusivo com indivíduos que não têm condições de retorno à vida livre. O objetivo é apoiar tanto as ações de conservação fora do habitat original dos animais, quanto o repovoamento de áreas verdes a partir da reprodução sob cuidado humano.

O Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti, explicou que essa é uma forma de fortalecer o perfil conservacionista da fauna. "[O projeto é] fruto de dois anos de estudo dos nossos técnicos. Chegamos às conclusões, fizemos as sugestões e agora apresentamos a vocês um plano que olha para a necessidade dos nossos ecossistemas e que está conectado com a preocupação da conservação mundial, que está tão ameaçada", afirmou.

Atualmente, o plantel possui 380 indivíduos de 91 espécies, 12 enxames de nove espécies de abelhas nativas e animais pertencentes a diversos biomas brasileiros e estrangeiros. A partir de agora, serão recebidas espécies nativas vindas de outras instituições e do Cetas Tagara, e permanecerão apenas os animais que atendem ao novo perfil da instituição.

Os que já estão integrados ao zoológico e não podem ser transferidos por razões de adaptação e saúde, no entanto, serão mantidos. "É o exemplo do chimpanzé africano Sena, de 63 anos. Na natureza, ele viveria no máximo 40 anos, e não tem sentido ele não continuar conosco. Ele não pode mais voltar para a natureza, porque está integrado", explicou Bertotti.

Está em curso um estudo de viabilidade com 170 espécies, das quais 91 já existem no parque. Dessas, 136 já foram aprovadas, dentre elas 60 moram no zoo. Há uma lista prioritária para o recebimento de 23 espécies, de pequeno à grande porte, como jacucaca, lontra, ema, jacutinga, lobo-guará e onça-pintada. Na contramão, serão transferidos do equipamento 135 indivíduos de 31 espécies, como os ursos-pardos, pavão-branco e o mutum-de-bico-azul. 

Será feita, gradativamente, uma redistribuição dos animais na área do parque, agrupando-os por biomas. Segundo a pasta, o objetivo é potencializar o processo de empatia e de conexão do público durante a visita ao zoo, como forma de despertar atitudes em prol da conservação da vida selvagem e de ecossistemas saudáveis.

Durante a coletiva, a médica veterinária e integrante da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil Claudia Igayara, elogiou as mudanças. "O plano diretor é a coroação de um esforço imenso dos técnicos e dos gestores em encontrar a vocação do parque. Do ponto de vista institucional, vocês terem optado por trabalhar com a fauna dos biomas Caatinga e Mata Atlântica, que são tão únicos e tão sofridos, foi um amadurecimento imenso em relação à visão do que temos hoje do que deve ser um zoológico, sempre priorizando o bem estar dos animais", disse.

A professora de psicobiologia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Maria Délia de Oliveira avalia que o projeto trará benefícios para os animais. "O lado emocional dos animais nessa evolução toda que o zoológico vem sofrendo ganhou um espectro maravilhoso, e fico muito orgulhosa de tudo isso. Acho que é de uma coragem extraordinária colocar esse plano agora e discuti-lo com a sociedade."

O presidente da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), Djalma Paes, acredita que a mudança irá valorizar a natureza pernambucana. "É importante a gente valorizar e mostrar para as nossa crianças os animais que convivemos no dia a dia. Fico muito feliz, muito satisfeito, dentro da CPRH sempre imaginamos ver o zoológico com espécies do Estado", admitiu.

Quando perguntado se há previsão para reabertura do parque, fechado para o público por causa da pandemia da covid-19, Bertotti afirmou que não. "A previsão para abertura é para assim que consigamos superar a pandemia e tivermos a certeza de que não vamos colocar em risco os animais, nem os tratadores nem a nossa população."

A gerente geral do parque, Paula Fauvo, afirma que maiores mudanças no zoo são esperadas para os próximos anos. "Agora, vamos adequar os recintos para começar a receber os animais e dar melhor bem estar para eles. Mas, um plano macro do zoológico está sendo estudado ainda esse ano, e próximo ano vamos colocar os processos licitatórios para conseguir dar continuidade à concessões que estamos pensando para os parques estaduais", disse, sem dar mais detalhes.

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